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Isso foi o que realmente aconteceu em Charlottesville, EUA

Sim, pode culpar os neonazistas.

publicado

Os eventos deste final de semana em Charlottesville, no Estado da Virgínia (EUA), deixaram dezenas de feridos e três pessoas mortas.

Chip Somodevilla / Getty Images

O caos que tomou a cidade americana pareceu ter finalmente acabado na noite de domingo (13), após as ruas serem tomadas durante todo o final de semana por um violento confronto.

Mas o que realmente ocorreu?

Teria sido uma marcha de extremistas racistas contra inocentes e idignados? Um confronto com "muitos lados", como disse o presidente Donald Trump? A presença da extrema direita estava desproporcional? A violência dos antifascistas foi ignorada?

Aqui, damos algumas respostas.

Os manifestantes de extrema direita vieram para a marcha preparados para a violência.

Chip Somodevilla / Getty Images

A marcha "Unite the Right" [Unir a Direita] ocorreu no sábado (12) e reuniu racistas da velha guarda, como da Ku Klux Klan (KKK, que defende e promove a violência contra a população negra), até os adeptos da chamada "alt-right", a "direita alternativa" que rejeita os rótulos atribuídos aos antigos conservadores, mas que ainda vê ameaça na imigração e no multiculturalismo.

Todos eles defendiam a mesma causa, uma nação mais branca, e se sentiam encorajados pela Presidência de Donald Trump.

Em reação, centenas de pessoas também foram à cidade se manifestar contra os grupos racistas, neo-nazis e conservadores.

Chip Somodevilla / Getty Images

Estavam presentes grupos que se identificavam como "antifascistas", ativistas de todo o país do movimento Black Lives Matter [Vidas Negras Importam], líderes religiosos, moradores de Charlottesville e liberais. Alguns dos "antifascistas" vestiam roupas pretas e ocultavam seus rostos para proteger sua identidade da polícia. No entanto, a maior parte das pessoas se manifestou sem cobrir a face.

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O governador do Estado da Virgínia reconheceu que o armamento levado à marcha pelos grupos de extrema direita era melhor e de mais alto calibre do que o da polícia.

Andrew Caballero-reynolds / AFP / Getty Images

A maior parte dos grupos neonazistas e de supremacistas brancos participou da marcha tal como uma força paramilitar – com escudos, equipamento de proteção e armas dos mais diversos calibres. Durante a manifestação, fizeram formações militares de defesa que pareciam ter sido ensaiadas previamente e gritavam toques de avançar e de recolher.

Já seus opositores se reuniram em parques da cidade, levando água, comida e itens de primeiro-socorro.

Em um ato de terrorismo, um extremista da direita jogou seu carro contra manifestantes antirracismo.

Paul J. Richards / AFP / Getty Images

Além de deixar 19 feridos, uma mulher foi morta. O criminoso foi identificado como James Alex Fields, de 20 anos. A partir daí, os confrontos de rua entre os extremistas de direita e seus opositores ficaram ainda mais violentos.

As outras duas mortes no final de semana foram de policiais que estavam em um helicóptero que monitorava os protestos e que caiu. A causa da queda está sendo investigada.

A marcha da direita foi motivada pela retirada de uma estátua do centro da cidade.

Chip Somodevilla / Getty Images

A marcha dos extremistas foi organizada pelo líder nacionalista Jason Kessler. Há meses ele vinha anunciando que reuniria a direita para protestar contra a retirada de uma estátua de Robert E. Lee no centro de Chalottesville. Lee foi um general confederado e a favor da escravidão que participou da Guerra Civil Americana.

Grupos neonazistas, do KKK e supremacistas brancos defendem a permanência da estátua na cidade.

Andrew Caballero-reynolds / AFP / Getty Images

Entre os grupos de extrema direita que foram a Charlottesville estavam o Identity Evropa, grupo supremacista branco que defende uma herança europeia pura, assim como grupos de ódio antigos, como o do Partido dos Trabalhadores Tradicionalistas, filiado ao KKK, e o Movimento Nacional Socialista, organização neonazista que carrega um estandarte que evoca a suástica.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, condenou a violência "de todas as partes" e foi alvo de críticas.

Jonathan Ernst / Reuters

De acordo com analistas e observadores, Trump demonstrou uma atitude ambígua e amena frente à violência provocada pelos grupos de extrema direita, o que pode fomentar novos confrontos no país.

Este post foi traduzido do espanhol.

Contact Rafael Cabrera at rafael.cabrera@buzzfeed.com.

Blake Montgomery is a reporter for BuzzFeed News and is based in San Francisco.

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