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Temer prometeu afastar ministros denunciados. Estes são os citados por delatores até agora

Presidente disse que ministros que virar réu vai ser demitido.

publicado

Na segunda (13), o presidente Michel Temer (PMDB) refutou críticas de que seu governo esteja agindo para atrapalhar a Operação Lava Jato.

Temer prometeu que qualquer ministro denunciado pela Procuradoria-Geral da República será afastado do cargo temporariamente. E, se virar réu, o ministro será demitido.

Até agora, cinco ministros foram citados por delatores em acordos de colaboração. São estes os casos:

Promovido a ministro no início do mês, Moreira Franco — codinome "Angorá" na lista de propinas da Odebrecht — foi citado em conversas de WhatsApp entre o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), hoje preso em Curitiba, e o sócio da OAS José Adelmário Pinheiro, o Léo Pinheiro.

“Eles tão chateados porque Moreira conseguiu de você para Michel 5 paus e você já depositou inteiro e eles que brigaram com Moreira, você adia. É isso”, escreveu Cunha em um dos textos.

Além disso, o ex-diretor da Odebrecht Cláudio Melo Filho disse em sua delação que Moreira Franco recebeu R$ 3 milhões em propina. O dinheiro teria sido pago para que o político, então ministro da Secretaria de Aviação Civil do governo Dilma Rousseff, impedisse a construção de um novo aeroporto em São Paulo.

Em nota divulgada à época, Moreira Franco disse que a afirmação de Melo Filho é uma "mentira afrontosa, pois jamais falei em dinheiro com ele". O ministro afirmou, ainda, que o aeroporto não foi aprovado por razões técnicas.

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Eliseu Padilha, o "Primo" da Odebrecht, também foi citado pelo ex-diretor da empresa Cláudio Melo Filho em seu acordo de colaboração. Segundo o delator, Padilha era quem organizava os pagamentos ilegais ao seu partido, o PMDB, e teria recebido R$ 1 milhão para benefício próprio.

O ministro-chefe da Casa Civil também aparece em outros dois pontos da Lava Jato. No celular de Léo Pinheiro, sócio da OAS, foram encontrados indícios de que eles tiveram reuniões para tratar de pagamentos suspeitos.

Além disso, o ex-senador Delcídio do Amaral (ex-PT-MS), preso por obstrução de Justiça ao tentar atrapalhar a Lava Jato, disse em sua delação premiada que Padilha foi o principal responsável por sua indicação à diretoria da Petrobras, nos anos 1990.

Assim como Moreira Franco, o ministro Eliseu Padilha divulgou nota em que classifica as afirmações de Melo Filho como "mentirosas". Ele afirmou também que jamais tratou da arrecadação de dinheiro para o partido.

Dois executivos da Odebrecht afirmaram à força-tarefa da Lava Jato que a empreiteira repassou R$ 23 milhões a José Serra durante a campanha presidencial de 2010, em que ele perdeu para a petista Dilma Rousseff. O dinheiro teria sido usado para financiar a campanha, como caixa dois.

Segundo Pedro Novis e Carlos Armando Paschoal, os ex-deputados tucanos Ronaldo Cezar Coelho e Márcio Fortes atuaram como operadores do chanceler, que teria recebido o dinheiro em contas na Suíça. A informação foi revelada pelo jornal Folha de S.Paulo.

Em nota ao jornal, Serra disse que "não vai se pronunciar sobre supostos vazamentos de supostas delações relativas a doações feitas ao partido em suas campanhas". O texto completa que Serra "não cometeu irregularidades".

Outro ex-executivo da Odebrecht, Paulo Cesena, afirmou em seu acordo de delação que Gilberto Kassab recebeu R$ 14 milhões da empreiteira a título de caixa dois. Os pagamentos teriam ocorrido entre 2013 e 104.

O dinheiro teria sido usado por Kassab para financiar a campanha de 2014, em que ele concorreu ao Senado pelo PSD, partido criado por ele em 2011. O ministro acabou derrotado na disputa — o vencedor, à época, foi José Serra.

De acordo com o jornal O Globo, que revelou esse trecho da delação, não há registros legais de pagamentos da Odebrecht à campanha do ministro em 2014.

No dia seguinte à publicação da notícia, Kassab disse ao jornal que não tem "conhecimento de nenhuma doação que tenha sido feita às minhas campanhas, às campanhas de colegas de partido ou de aliados ou mesmo de doações partidárias que não tenham sido feitas na forma da lei".

A ex-diretora financeira da Carioca Engenharia Tania Maria Silva Fontenelle disse em sua delação premiada que a empreiteira superfaturou a compra de vacas de uma empresa da família Picciani, como forma de mascarar a lavagem de dinheiro para caixa dois.

Leonardo Picciani é um dos sócios da Agrobilara, junto com o pai, Jorge Picciani — presidente da Assembleia Legislativa do Rio —, e o irmão, o deputado estadual Rafael Picciani. Todos são do PMDB.

Em depoimento ao juiz federal Sergio Moro, a funcionária não especificou os valores que teriam sido lavados pelo mecanismo, mas disse que a Carioca Engenharia recebia menos cabeças de gado do que havia de fato comprado, e o excedente do dinheiro lavado ficava com a Agrobilara numa porcentagem de 20% a 30%.

À época, Jorge Picciani divulgou nota em nome da empresa. “A Agrobilara, por mim presidida, está à disposição das autoridades para comprovar a improcedência das afirmações desta senhora, que será por nós processada e instada a provar que teria havido superfaturamento e/ou devolução de recursos em espécie da nossa parte, caso as informações do jornal a propósito de possível acordo de leniência se confirmem”, disse.

Outros cinco ministros de Temer parecem em uma planilha que foi apreendida no apartamento do ex-executivo da Odebrecht Benedicto Barbosa Júnior, o BJ.

Os documentos, que foram apreendidos pela Lava Jato na casa de um executivo da empresa, relacionam pagamentos a mais de 300 políticos e 20 partidos.

Não é possível afirmar até agora afirmar se foram doações legais, por caixa dois ou mesmo se o dinheiro chegou a ser entregue.

Os papéis estão no STF, mas as explicações sobre o que elas significam de fato, quem recebeu e como são um dos temas dos depoimentos de Benedicto Barbosa Júnior.

Os ministros de Temer que aparecem na papelada como destinatários de recursos são:

  • Ricardo Barros (PP) — Saúde
  • Mendonça Filho (DEM) — Educação
  • Bruno Araújo (PSDB) — Cidades
  • Raul Jungmann (PPS) — Defesa
  • Osmar Terra (PMDB) — Desenvolvimento Agrário
  • José Serra – Relações Exteriores

Outros dois ministros não aparecem na lista, mas parentes deles, sim.

Zequinha Sarney (Meio Ambiente), do PV-MA: o ex-presidente José Sarney e a ex-governadora do Maranhão Roseana Sarney, pai e irmã do novo ministro, aparecem na lista.

Leonardo Picciani, do PMDB-RJ: o pai do ministro, Jorge Picciani, que preside a Assembleia Legislativa do Rio, também aparece relacionado a doações.

Todos negam irregularidades.


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Alexandre Aragão é Repórter do BuzzFeed e trabalha em São Paulo. Entre em contato com ele pelo email alexandre.aragao@buzzfeed.com

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