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Nome de Marisa Letícia para avenida em São Paulo paralisa votações na Câmara

Há vereadores contrários à homenagem porque 1) é a mulher de Lula e 2) ela foi investigada na Lava Jato. "Não vou dar título a uma pessoa que está sendo processada por corrupção", disse Gilberto Natalini.

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A proposta de batizar uma avenida com o nome da mulher do ex-presidente Lula, Marisa Letícia, que morreu em fevereiro deste ano, paralisa os trabalhos na Câmara de São Paulo há mais de 15 dias.

Nas últimas sessões e comissões, inclusive nesta quarta-feira (29), o PT anunciou que obstruiu a pauta de votações para que o projeto de lei 81, que dá o nome de Avenida Dona Marisa Letícia para o prolongamento recém-construído da Avenida Dr. Chucri Zaidan, na zona sul, seja colocado para votação.

Marisa Letícia morreu em fevereiro.
Nelson Almeida / AFP / Getty Images

Marisa Letícia morreu em fevereiro.

A obstrução começou a ser feita pelo autor do projeto, o vereador Reis (PT), mas ganhou o aval da bancada e do líder do partido, que ontem na reunião do colégio de líderes da Câmara anunciou a decisão para o presidente da Casa, Milton Leite (DEM).

Para obstruir a pauta, basta que um vereador peça para discutir cada um dos projetos em votação, o que leva no mínimo 30 minutos e acaba suspendendo as votações sumárias e simbólicas.

Reis afirmou ao BuzzFeed News que Milton Leite age por "capricho". O PL 81 foi aprovado de forma simbólica, em primeira votação, em março, e, segundo o PT, estaria combinado com a presidência da Câmara a segunda votação para novembro. Geralmente, as votações para nomes de ruas e logradouros públicos são simbólicas ou, quando polêmicas, nominais (cada vereador identifica seu voto).

No caso da Avenida Marisa Letícia há vereadores contrários à homenagem porque 1) é a mulher de Lula e 2) ela foi investigada na Lava Jato. O vereador Gilberto Natalini (PV), por exemplo, manifestou ao BuzzFeed News que votará contra o projeto petista por esse motivo. "Vou votar contra dar título a uma pessoa que está sendo processada por corrupção."

"Esse não é o motivo da polêmica", rebate Reis. "Ela está morta e não foi condenada. Se fosse por isso, por que o presidente Milton Leite teria nos oferecido um viaduto em M'Boi Mirim para colocar o nome de dona Marisa? Como ele pode oferecer um viaduto como troca? A cidade é dele, por acaso?"

Na Câmara circulou a versão de que o prefeito João Doria (PSDB) teria tentado barrar a aprovação do projeto de lei com o nome de Marisa Letícia para que não tivesse de decidir sobre vetar ou não a homenagem à família Lula.

A afirmação irritou Doria, que disse a interlocutores que nem sequer sabia da existência do projeto.

Na bancada do governo, o veto ao nome de Marisa é uma incógnita. "O PSD deve abster-se, não reconhecendo uma relevante contribuição da primeira-dama à cidade e à zona sul. Mas teremos reunião de bancada para decidir", disse o vereador José Police Neto.

Para ele, o PL que atravanca as votações "é sem relevância para gerar tamanho debate e desconforto".

Nesta quarta-feira, o presidente da Câmara divulgou a pauta de votações com pautas do Executivo, tendo como foco um dos projetos da privatização do Anhembi. Junto com elas, ele publicou 164 PLs de vereadores, incluindo o polêmico projeto de lei do PT.

Ele não publicou seu próprio PL que dá à mesma avenida o nome de Carlos Bratke, o arquiteto responsável pelo design da Avenida Nova Faria Lima.

Para fontes próximas de Milton Leite, o PT e outros vereadores usam o PL de Marisa Letícia como cortina de fumaça para obstruir uma pauta que tem temas ainda mais complexos, como a própria privatização do Anhembi.

Tatiana Farah é Repórter do BuzzFeed e trabalha em São Paulo. Entre em contato com ela pelo email tatiana.farah@buzzfeed.com.

Contact Tatiana Farah at Tatiana.Farah@buzzfeed.com.

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