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Mesmo após aumentar previsão do rombo nas contas públicas, Temer foi aplaudido por banqueiros

Nesta quarta (16), o governo também reduziu em R$ 10 a projeção de aumento do salário-mínimo para 2018 (de R$ 979 para R$ 969). Presidente participou de evento do Santander em SP.

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Temer em conferência do Santander em São Paulo.
REUTERS/Leonardo Benassatto

Temer em conferência do Santander em São Paulo.

Um dia depois do anúncio do aumento de R$ 20 bilhões na meta do déficit público deste ano (de R$ 139 para R$ 159 bilhões), a relação entre o presidente Michel Temer (PMDB) e o mercado financeiro parece não ter sofrido nenhum abalo.

Nesta quarta (16), o governo também reduziu em R$ 10 a projeção de aumento do salário-mínimo para 2018 (de R$ 979 para R$ 969).

Em encontro com investidores reunidos em São Paulo pelo banco Santander nesta quarta (16), o presidente recebeu aplausos e elogios. Ele justificou o rombo nas contas públicas como uma forma de não aumentar os impostos, o que havia sido sugerido na semana passada.

"Mas não ficamos apenas na fixação da meta (de R$ 159 bilhões em dívida para 2017), cortamos 60 mil cargos do serviço público federal e adiamos por um ano o reajuste de várias categorias do serviço público. Reduzimos despesas, como auxílio de custo, auxílio-moradia", elencou o presidente.

Em seguida, ele afirmou que, "até duas semanas se falava em aumento de imposto. E nessas conversações todas, não teremos aumentos de impostos, o que é importante para manter compromisso com a trajetória de recuperação das contas públicas".

A interpretação corrente é que o mercado financeiro já havia "precificado" – isto é, já havia dado como inevitável – o aumento da meta do déficit fiscal.

Temer foi recebido pelo presidente do Santander Brasil, Sérgio Rial, que não poupou elogios, mas cobrou pressa nas reformas, entre elas a da Previdência, a tributária e a política. O banqueiro disse que Temer iniciou uma "nova doutrina econômica".

O presidente do Santander elogiou o teto de gastos, estabelecido no final do ano passado, a terceirização e a reforma trabalhista, que "começa a ser um princípio de transformação", além de citar um "novo modelo de governança das estatais"

Em seu discurso, no entanto, Rial não tratou do aumento da meta do déficit público anunciado ontem pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.

O presidente do Santander Brasil, Sérgio Rial, e Temer.
REUTERS/Leonardo Benassatto

O presidente do Santander Brasil, Sérgio Rial, e Temer.

"Mas o Brasil tem pressa", concluiu Sério Rial, temendo que o país se torne "pobre e velho num cenário aterrorizante". Contra esse cenário, ele pediu pressa nas reformas.

Temer citou a frase da pressa algumas vezes em seu discurso, elogiando as reformas já feitas, como a trabalhista e a do ensino médio, e defendendo as novas, como a da Previdência e a política.

"É exatamente essa pressa que move um governo de apenas 15 meses", disse o peemedebista.

O presidente aproveitou para pedir à plateia, que ele avaliou em 800 pessoas, para que divulguasse suas palavras. Ele disse que, depois do congresso de investidores, o público sairia do evento com suas "almas inflamadas, incendiadas".







Tatiana Farah é Repórter do BuzzFeed e trabalha em São Paulo. Entre em contato com ela pelo email tatiana.farah@buzzfeed.com.

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