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Em vez de suas medidas, as candidatas a Miss Peru forneceram dados sobre violência contra mulheres

"Minhas medidas são: 2.202 casos de feminicídio foram registrados nos últimos nove anos no meu país."

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Participantes de concursos de beleza geralmente descrevem suas medidas — busto, cintura, quadris — diante da plateia.

Mas no Peru, onde mulheres estão sendo mortas em números alarmantes, as aspirantes a miss aproveitaram seus momentos no palco no último domingo (29) para fornecer números um pouco diferentes: quantas pessoas são vítimas de violência de gênero no país.
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Mas no Peru, onde mulheres estão sendo mortas em números alarmantes, as aspirantes a miss aproveitaram seus momentos no palco no último domingo (29) para fornecer números um pouco diferentes: quantas pessoas são vítimas de violência de gênero no país.

“Meu nome é Camila Canicoba e sou representante de Lima. Minhas medidas são: 2.202 casos de feminicídio foram registrados nos últimos nove anos no meu país.”

“Meu nome é Juana Acevedo e minhas medidas são: mais de 70% das mulheres do nosso país são vítimas de assédio nas ruas.”

“Meu nome é Luciana Fernández e represento a cidade de Huánuco, e minhas medidas são: 13 mil meninas sofrem abuso sexual no nosso país.”

“Meu nome é Melina Machuca, represento Cajamarca e minhas medidas são: mais de 80% das mulheres da minha cidade são vítimas de violência.”

“Almendra Marroquín aqui. Eu represento Cañete e minhas medidas são: mais de 25% das meninas e adolescentes sofrem abuso em suas as escolas.”

“Meu nome é Bélgica Guerra e represento Chincha. Minhas medidas são: as 65% das universitárias que são agredidas por seus parceiros.”

Não foram só as participantes que queriam passar essa mensagem — violência contra mulheres era o tema da noite.

Os organizadores do concurso Miss Peru mostraram recortes de jornais e revistas sobre casos de mulheres assassinadas ou agredidas enquanto as candidatas desfilavam pelo palco de biquíni.
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Os organizadores do concurso Miss Peru mostraram recortes de jornais e revistas sobre casos de mulheres assassinadas ou agredidas enquanto as candidatas desfilavam pelo palco de biquíni.

Jessica Newton, organizadora do evento e ex-vencedora de concursos de beleza, disse que a decisão de dedicar a edição deste ano do Miss Peru à violência de gênero foi para empoderar as mulheres.

Newton também defendeu o desfile de biquíni, que costuma ser visto como o momento mais objetificante dos concursos de beleza. Segundo ela, esse desfile é uma oportunidade de enfatizar que as mulheres devem ser tratadas com respeito independentemente do que estiverem vestindo.

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“As mulheres podem sair por aí peladas se elas quiserem. Peladas. É uma decisão pessoal”, disse Jessica Newton. “Se eu andar na rua de biquíni eu continuarei sendo uma mulher tão decente quanto se eu estivesse usando um vestido longo.”

Este post foi traduzido do inglês.

Karla Zabludovsky is the Mexico bureau chief and Latin America correspondent for BuzzFeed News and is based in Mexico City.

Contact Karla Zabludovsky at karla.zabludovsky@buzzfeed.com.

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