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Estilista negro foi barrado pela segurança após o próprio desfile na SPFW

"Muita gente não está acostumada a ver um negro em uma posição de destaque", diz Evandro Fióti, dono da Lab.

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Pouco depois de ser ovacionado no desfile de sua marca na passarela da São Paulo Fashion Week, o estilista Evandro Fióti, 28, foi barrado pela segurança do evento quando tentava deixar o prédio da Bienal. Fióti é negro.

O caso aconteceu pouco depois das 20h de quarta (29). A Lab, marca de street wear de Fióti, havia apresentado sua coleção naquela noite e o empresário-estilista estava saindo do local do desfile para se juntar ao restante do seu time, que já o esperava em uma van.

"Na hora, que fui deixar o prédio, um segurança me barrou de forma bastante ríspida, dizendo que não podia mais sair por ali. Tentei argumentar, mostrei que estava credenciado, mas ele tentou me inferiorizar", contou Fióti, ao BuzzFeed News.

Só depois de insistência do estilista mostrando a pulseira que lhe dava livre acesso ao local, o segurança acionou seus superiores. De um jeito enviesado, segundo Fióti. "Ele disse que tinha um rapaz que queria sair e perguntou 'não é para deixar, né?'", relembrou.

O impasse foi resolvido depois que o estilista apelou para que procurassem Paulo Borges, o organizador da SPFW. O segurança cedeu.

Em nota, a SPFW disse que Borges "tomou medidas junto à empresa de segurança contratada pelo evento, para repreensão de conduta dos envolvidos, e, atendendo pedido de Fióti, preservou o funcionário responsável." Leia a íntegra ao final do texto.

O caso virou um assunto nos bastidores do maior evento de moda do país depois que, indignado, Fióti postou uma mensagem curta e bastante direta em seu Facebook.

"É uma mistura de falta de direcionamento profissional junto com esse pensamento racista que permeia toda a nossa sociedade. Muita gente não está acostumada a ver um negro em uma posição de destaque", disse o estilista.

"Não acredito que uma pessoa branca seria tratada da mesma maneira."

Depois que o post de Fióti deu o que falar, o estilista recebeu um telefonema de desagravo de Borges, da SPFW.

"Representatividade na passarela"

A grife, que inclui também a marca Lab Fantasma, existe há 8 anos e atualmente emprega 18 pessoas (50, se forem incluídos os trabalhadores terceirizados).

Fióti foi o idealizador da Lab ao lado de seu irmão, o cantor Emicida. O desfile da LAB, que teve um cypher — apresentação em que vários rapppers rimam sobre o mesmo tema, "alçar novos voos" —, foi bastante elogiado pela crítica.

"Quase impossível não se emocionar com o desfile", registou a revista Glamour. A crítica da Marie Claire classificou o desfile como "sonho em tons pastel para a moda de rua". Já a Vogue cravou que a marca "injeta representatividade na passarela".

Leia a íntegra da nota da São Paulo Fashion Week.

"Ao ver o post de Evandro Fióti, na noite de terça-feira, Paulo Borges imediatamente entrou em contato com ele para apurar o ocorrido. Em seguida, tomou medidas junto à empresa de segurança contratada pelo evento, para repreensão de conduta dos envolvidos, e, atendendo pedido de Fióti, preservou o funcionário responsável.

São mais de 10 mil pessoas trabalhando direta e indiretamente no evento, que sempre defendeu e trabalha pela diversidade em todos os níveis."

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Graciliano Rocha é Editor de Notícias do BuzzFeed e trabalha em São Paulo. Entre em contato com ele pelo email graciliano.rocha@buzzfeed.com.

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