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1ª vítima do coronavírus não estava sequer na lista de casos suspeitos

Caso evidencia falha no método como governo está contabilizando a pandemia. Hospital privado de SP não notificou autoridades nem mesmo depois da morte, segundo secretário. Um boato fez prefeitura a mandar fiscais ao local.

Nelson Almeida / Getty Images

Homem improvisa máscara [que não surte efeito] com saco plástico em SP.

A primeira morte por Covid-19 no Brasil é de um paciente que não estava sequer a lista de casos suspeitos da doença do governo.

O homem de 62 anos morreu no hospital Santa Maggiore, do grupo Prevent Senior, em São Paulo, na segunda-feira (16).

Os órgãos de saúde só foram informados no dia seguinte, nesta terça-feira (17). Outros quatro óbitos no mesmo hospital estão sob suspeita de coronavírus, mas ainda não existe confirmação.

A Covid-19 não é de notificação compulsória, ou seja, os órgãos de saúde dependem da decisão dos hospitais privados de notificar ou não os casos da doença. Isso dificulta não só a contabilização da pandemia, como a identificação e o monitoramento das pessoas que tiveram contato com o infectado.

"Temos algumas áreas do setor privado de saúde que não estão notificando [as autoridades]. Este caso foi típico. Um caso agravado que não tinha sido notificado nem mesmo depois da morte", disse o secretário municipal de Saúde de São Paulo, Edson Aparecido, em entrevista ao BuzzFeed News hoje.

Nelson Almeida / Getty Images

O secretário afirmou que a morte do paciente do Santa Maggiore surgiu como um "boato" na noite de ontem na prefeitura de São Paulo. A confirmação só pode ser feita na manhã de hoje.

Segundo Aparecido, a falta de notificação atrapalha o mapeamento dos casos da pandemia: "Diante de um caso notificado, faz-se a cadeia inteira dele. Com isso, foram [mapeadas] 8 mil pessoas, o que tem sido fundamental para a gente acompanhar o que precisa ser feito."

Ao saber que havia outros quatro casos de morte suspeita no mesmo hospital, a prefeitura enviou fiscalização da vigilância sanitária e epidemiológica, mas descartou a contaminação do local.

Edson Aparecido confirmou que o protocolo do Ministério da Saúde não estabeleceu a notificação compulsória para o Covid-19. A notificação só é obrigatória quando o paciente chega à Síndrome Respiratória Aguda Grave, uma condição mais grave que pode atingir 20% dos doentes com coronavírus.

Carl De Souza / Getty Images

No Rio, homem vende máscaras na rua para turistas.

A primeira pessoa a morrer no Brasil em decorrência de coronavírus estava no grupo de risco por causa da idade (mais de 60 anos), era diabético e hipertenso. A doença agravou-se muito rapidamente. Ele teve sintomas no dia 10 de março, foi internado já na UTI no dia 14 e morreu ontem, dia 16.

Coordenador do centro de contingenciamento do coronavírus no estado de São Paulo, o epidemiologista David Uip confirmou que o óbito registrado é de um paciente que estava fora da lista de doentes.

"A confirmação do vírus só foi ontem à noite. Pelo que nos passaram, foi isso", disse o médico em entrevista coletiva. E emendou: "Corre que não há transparência nos dados quantitativos. Isso não é verdade. Nós estamos informando absolutamente tudo o que acontece."

O BuzzFeed News questionou o grupo Prevent Senior sobre a suspeita sem notificação dos pacientes de suas unidades, mas ainda não obteve resposta.

O Ministério da Saúde também foi questionado sobre a não exigência de notificação compulsória no protocolo de Covid-19.

Este post será atualizado quando houver respostas.

Tatiana Farah é Repórter do BuzzFeed e trabalha em São Paulo. Entre em contato com ela pelo email tatiana.farah@buzzfeed.com.

Contact Tatiana Farah at Tatiana.Farah@buzzfeed.com.

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