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Estas são as principais acusações feitas por Funaro na sua delação

Principais trechos foram revelados pela revista Veja nesta sexta (8).

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Relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, o ministro Edson Fachin homologou nesta semana a delação do operador Lúcio Bolonha Funaro, que ainda está sob sigilo.

Os trechos mais importantes do que ele disse à Procuradoria-Geral da República foram revelados pela Veja nesta sexta-feira (8). Leia abaixo o que Funaro contou, segundo a revista.

O esquema do PMDB na Caixa

A parte mais importante da delação de Funaro, segundo o relato da Veja, é a que trata dos crimes que teriam sido cometidos pelo PMDB na Caixa Econômica Federal.

Segundo a revista, o operador entregou documentos que incriminam no esquema três peemedebistas próximos ao presidente Michel Temer: o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco; o ex-ministro do Turismo Henrique Eduardo Alves, preso desde junho; e o ex-ministro Geddel Vieira Lima, preso nesta sexta (8).

Segundo Funaro, ele e Eduardo Cunha eram encarregados de entrar em contato com empresários que tinham interesses junto ao banco. Geddel e Moreira, que ocuparam cargos de vice-presidente na Caixa, eram responsáveis por fazer as liberações após os pagamentos de propina.

O esquema rendeu R$ 170 milhões ao todo, segundo o delator.

Pacto de proteção com Joesley

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Funaro contou aos procuradores que, em dezembro de 2015, foi procurado pelo dono da JBS, Joesley Batista, que estava preocupado com as investigações da Operação Lava Jato.

Na conversa, o operador e o empresário selaram um acordo de proteção. Joesley prometeu pagar uma mesada caso Funaro fosse preso, e estaria disposto a gastar até R$ 100 milhões. Segundo a Veja, Funaro disse aos investigadores que "não passava por sua cabeça que Joesley pudesse quebrar o pacto e delatá-lo."

"A bancada de Cunha"

Boa parte dos crimes que Funaro confessou envolve o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, que também está preso e tentou negociar um acordo de delação.

O operador deu uma lista com 25 deputados que seriam parte da "bancada de Cunha" na Câmara. Esses parlamentares, segundo Funaro afirmou, votariam proposições conforme a vontade de Cunha.

Ele também relatou, segundo a Veja, que Cunha e Temer "confabulavam diariamente" durante o processo de impeachment. O então presidente da Câmara teria pedido dinheiro para comprar votos pela saída de Dilma Rousseff (PT). Funaro contou aos investigadores ter arranjado os valores requisitados.

Funaro conta que Cunha negociava com empresários a venda de medidas provisórias e projetos de lei. Num dos casos, envolvendo a empresa Hypermarcas, o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), também teria sido beneficiado, conforme diz a reportagem da Veja.

Com Cunha ainda no comando da Câmara, Funaro disse ter viajado a Genebra e se reunido com um advogado do peemedebista, em meados de 2015. A ideia — que foi frustrada — era melar o compartilhamento de informações entre as autoridades daquele país com as brasileiras. Deu errado.

Por fim, Funaro revela em sua delação mais uma conta bancária de Cunha, que ainda não tinha sido descoberta pelos investigadores.

Odebrecht e José Yunes

Funaro também esclareceu, em seus depoimentos, um episódio que veio à tona no final do ano passado. Executivos da Odebrecht disseram que a empresa pagou, de maneira ilegal, R$ 10 milhões ao grupo político de Temer na campanha de 2014.

A soma teria sido entregue no escritório de José Yunes, advogado e amigo de Temer que deixou o cargo que tinha no governo após o escândalo. Yunes confirmou ter recebido "um pacote" que seria parte do dinheiro (R$ 1 milhão), mas afirmou ter sido "mula involuntária" de outra pessoa próxima a Temer: o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha.

Funaro confirmou ter ido ao escritório de Yunes a pedido de Padilha. Ele acrescentou que o destino final do dinheiro foi Geddel Vieira Lima, em Salvador.

Alexandre Aragão é Repórter do BuzzFeed e trabalha em São Paulo. Entre em contato com ele pelo email alexandre.aragao@buzzfeed.com

Contact Alexandre Aragão at alexandre.aragao@buzzfeed.com.

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