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Coisas que você provavelmente não sabia sobre o ex-ministro Geddel, agora denunciado

A ficha de Geddel é longa: tem vários apelidos para receber propina, briga por apartamento na praia, muita chateação no Twitter e até um desaforo do cantor Renato Russo.

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Ex-ministro e ex-deputado, Geddel Vieira Lima era um dos mais próximos aliados do presidente Michel Temer até cair em desgraça depois de ser alvo de graves acusações, dentro e fora do governo. Nesta quarta-feira (16), ele foi duplamente denunciado pelo Ministério Público Federal.

O primeiro caso é conhecido pelo episódio do "Carainho". Esse era o apelido que Geddel tinha na agenda do celular da mulher do doleiro Lúcio Funaro. Ele é um operador do PMDB e, enquanto estava preso, Geddel tentava contato com a mulher dele.

Para o Ministério Público, ele cometeu o crime de obstrução à Justiça e por isso foi denunciado.

No inquérito sobre Temer, há prints do celular de Lúcio Funaro. Um dos números na agenda, registrado como CARAINHO,… https://t.co/81v84Dm5QZ

Antes disso, também pelo mesmo motivo, Geddel tinha sido preso pela Lava Jato. Essa imagem é da audiência que ele teve com o juiz após a prisão. Ele depois foi solto.

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Quando ainda tinha poder, Geddel era próximo de Lúcio Funaro. Em depoimento, o doleiro já acusou Geddel de pegar propina. Funaro disse que ia para Trancoso e, antes, parou em Salvador para deixar o dinheiro.

A outra denúncia contra Geddel, dessa vez por improbidade, é sobre um episódio de quando ele estava no auge, como ministro da secretaria de Governo de Temer. Geddel comprou um apartamento à beira mar, em Salvador, que teve problemas para ser liberado, porque o prédio era alto demais.

Ele teve a ideia de pedir que o então ministro da Cultura, Marcelo Calero, mandasse o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional liberar a obra. Calero discordou, denunciou o caso e Geddel caiu do governo.

Essa é a imagem da projeção do prédio de Geddel, com vista para a Baía de Todos os Santos. Nada mal, hein?

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Antes de cair, Geddel tinha tudo que um político desejava: influência. Era próximo de Temer, desde os tempos que formavam a bancada do PMDB na Câmara. Como ministro, tinha o poder de falar com deputados em nome do governo.

Mas Geddel era conhecido mesmo era pela bravata e obsessão pela mãe alheia.

Aqui vai uma pequena amostra da coleção de Geddel xingando muito no Twitter.

Apesar da má educação, Geddel era queridinho dos empreiteiros. Por que será?

Na delação da Odebrecht, o lobista Cláudio Mello Filho conta que a empreiteira já deu até relógio de US$ 25 mil dólares para o ex-deputado.

É de uma marca suíça, Patek Philippe, modelo Calatrava.

Geddel, aliás, tinha até apelido dentro da empreiteira. Para a sorte dele, o codinome era menos descritivo do que o "Carainho" dado por Lúcio Funaro.

Falando em apelido, Funaro também já deu outra alcunha para o ex-ministro de Temer. A PF apreendeu um celular no qual o doleiro reclamava de Geddel, "o boca de jacaré". Esse era o motivo:

“Ele é boca de jacaré para receber e carneirinho para trabalhar e ainda reclamão".

Antes de ser o "boca de jacaré", Geddel ganhava apelido desde os tempos de juventude, quando conviveu no mesmo colégio do cantor Renato Russo, da Legião Urbana. Como relatou o escritor e jornalista Carlos Marcelo, no livro Renato Russo: O filho da Revolução, eles eram desafetos.

O apelido de Renato Russo para Geddel era "suíno". Por que será?

Filipe Coutinho é repórter do BuzzFeed News, em Brasília

Contact Filipe Coutinho at filipe.coutinho@buzzfeed.com.

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