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Rafael é tão fanático pela Apple que tatuou a maçã mordida e peças de cinco iPhones

O confeiteiro de 22 anos coleciona iPhones, livros e tem uma escultura de Steve Jobs – a quem chama só de Steve – no seu quarto. Perguntado o que sente pelo smartphone, ele define: “É paixão”.

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O confeiteiro Rafael Mandú gosta muito de iPhones. Pode parecer redundância, em se tratando de um jovem de 22 anos que vive na Grande São Paulo e usa apps o dia inteiro. Mas não é: Rafael tatuou a maçã mordida da marca no cangote e os cinco processadores dos telefones Apple que já teve no antebraço direito.

Esse amor começou cinco anos atrás, com um encontro por acaso na internet. Ele era dono de “um desses Androids baratinhos”, e se dava por contente. “Eu não conhecia o iPhone nem a Apple. Mas ouvi falar do iPad e queria descobrir o que era.” Foi pesquisar na internet os modelos de tablet disponíveis e acabou topando com o modelo 4 do iPhone. “Foi amor à primeira vista.”

Era maio quando ele foi pedir à mãe o telefone. Solange Vieira de Lima, 47, que trabalha numa empresa de crédito mãe relembra sua reação: “Pelo amor de Deus, você está louco, eu não tenho condições de comprar um iPhone”.

O adolescente propôs trocar a formatura pelo presente. “No fim, o iPhone ia ficar mais barato que a viagem mais a colação de grau”, diz Solange, que topou a troca, mas colocou uma condição. “Só vou te dar o iPhone quando você ler a biografia do Steve Jobs. E fizer uma prova depois.” Ela diz que o teste era uma forma de incentivar o filho a ler.

Era dezembro quando Rafael foi submetido a uma chamada oral na sala de casa. “Li correndo”, diz ele. No fim, a prova era menos pesada do que o esperado. “Ele só perguntava coisa tonta, tipo quando saiu o primeiro iPod ou o nome do Steve”, diz ele, que se refere a Steve Jobs usando apenas o primeiro nome.

“ME RECUSEI A USAR OUTRO”

Rafael ganhou o telefone quando se formou. “Era tudo o que eu esperava.” Mas não bastou para saciar sua sanha. Depois de sair da escola, Rafael foi trabalhar no McDonald’s. Com o primeiro salário, vendeu o iPhone 4 e comprou um 4S. Foi roubado meses depois, no centro de Diadema, onde mora. Com o dinheiro do seguro, mais algumas economias, levou para casa um modelo 5c.

O salto para um 6 veio no ano seguinte, quando foi promovido a instrutor na lanchonete. Um ano depois, vendeu o 6 pro pai e comprou um 6s plus. A mudança quebrava um paradigma estético dele: Eu era muito contra o tamanho de tela grande. Achava muito Samsung.”

Mas a novidade não durou. Ele foi furtado por um larápio de bicicleta enquanto falava no aparelhão e andava pela avenida Paulista. Ficou 44 dias esperando o dinheiro do seguro sem celular. Por fidelidade. “Me recusei a usar outro.”

NA PELE

Para a união eternizar,em 2016 Rafael tatuou a logomarca da Apple, do tamanho em que está nas costas de um iPhone 4, na lateral do pescoço.

Não contente, no ano seguinte tatuou também os processadores (central de controle do telefone) no antebraço direito. O primeiro é o processador A4 em seu tamanho real, mais ou menos igual a um selo dos Correios. Os seguintes, A5, A6, A8 e A9, tiveram de ser uma ampliação da peça porque, se fosse acompanhar a diminuição do tamanho processador, ele diz “não daria nem para ver”. O plano é complementar esse álbum conforme for trocando de iPhone, na média de uma vez por ano.

A mãe conta que as marcas na pele foram um susto em casa. “A tatuagem acho pior que ter um iPhone. Ele me aparece com uma maçã da Apple no pescoço. Isso não é normal.” Para compensar, tatuou as assinaturas do pai e da mãe em cima e embaixo dos desenhos dos processadores.

Todos os desenhos foram feitos na pele por um primo, que estava aprendendo. “Ele só cobra os R$59 da agulha. Uma agulha custa R$ 59?”, pergunta-se.

Ele desconhece o preço do material de tatuagem, mas sabe bem quanto custa o modelo mais arrojado do telefone que ama. E por isso não compra um no Brasil. Um visto americano é o que o separa do iPhone X. “Quero ir pra Nova York em breve.”

Se depender da mãe, os planos serão outros: “Ele não tem carteira de habilitação porque gasta o dinheiro trocando de iPhone todo ano”.

“NÃO É FASE. NÃO VAI PASSAR”

Não que esse caso de amor tenha sido perfeito o tempo todo. O confeiteiro trocou três iPhones por defeito. O botão do 5C deixou de funcionar. O auto-falante do 6 começou a chiar e o 7 deu de desligar sozinho. Ainda assim, jura amor eterno pelo produto. “Não é uma fase. Não vai passar.”

No último ano, Rafael tatuou também a logomarca do McDonald’s (onde trabalhou por anos) e um desenho usado pela Coca-Cola (que aos “litros, muitos litros por dia”), mas afirma que o amor não nutre por essas marcas o mesmo afeto.

Perguntado o que sente pelo smartphone, ele define: “É paixão”. Coleciona livros e tem uma escultura de Jobs no seu quarto. Tatuou no braço esquerdo a frase “it works” (“funciona”), usada por Steve Jobs para explicar o sucesso do seu telefone. Decorava o peso e tamanho de cada modelo, até recentemente. “Hoje em dia não faço mais isso. Mas o sentimento permanece o mesmo.”

A mãe ainda não entende a ligação, por mais que tenha aprendido a respeitar. “Pra falar a verdade, eu acho que esse Steve Jobs deve ter feito um pacto...” Ela, que é proprietária de um MotoG5, não tem vontade de ter um telefone da Apple. “Eu tenho medo, a pessoa fica viciada.”

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