Posted on 30 de jan de 2017

    PGR vai abrir novo inquérito para investigar Aécio Neves

    Após delação da Odebrecht, senador será investigado por suspeita de ter recebido dinheiro desviado na Cidade Administrativa, obra-vitrine da gestão do tucano em Minas Gerais.

    O presidente do PSDB, senador Aécio Neves, será um dos investigados pela Lava Jato após a delação de Marcelo Odebrecht e executivos de seu grupo.

    A Procuradoria-Geral da República vai pedir nos próximos dias ao STF que um inquérito sobre o tucano seja aberto.

    Andressa Anholete / AFP / Getty Images

    Aécio Neves

    O BuzzFeed Brasil apurou junto a investigadores que trabalham na Lava Jato que o senador foi acusado de receber dinheiro das empreiteiras que fizeram as obras da Cidade Administrativa em Minas Gerais: entre elas a Odebrecht, OAS e Andrade Gutierrez.

    A delação da Odebrecht, inclusive, fará com que a Andrade seja chamada para um ‘recall’ de sua delação, uma vez que não revelou os pagamentos destinados a Aécio, em sua colaboração.

    Na delação da OAS, o empreiteiro Léo Pinheiro contou que realizou repasses a Oswaldo Borges da Costa Filho, o Oswaldinho, apontado como operador e tesoureiro informal das campanhas de Aécio entre 2002 e 2014.

    Pelo relato de Pinheiro, cujo acordo de delação foi suspenso no ano passado pelo STF, 3% era o montante da propina paga aos tucanos pela obra mineira.

    A Cidade Administrativa foi a obra mais cara feita pelo então governador Aécio Neves, que comandou Minas Gerais entre 2003 e 2010.

    Divulgação PSDB-MG

    Cidade Administrativa

    Orçada em R$ 500 milhões, a Cidade Administrativa custou, segundo a Folha de S.Paulo, aproximadamente R$ 2,1 bilhões.

    O recebimento de recursos a partir das obras da Cidade já havia sido um dos pontos de acusação do empresário Léo Pinheiro, da OAS, numa tentativa de fechar um acordo de delação premiada com a PGR.

    Após vazamento de seus anexos (tópicos sobre o que pretende delatar), o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, suspendeu a delação. Até hoje o empresário aguarda que as negociações sejam retomadas.

    Inquéritos

    Aécio já é investigado pela Procuradoria-Geral da República devido à chamada lista de Furnas e por supostamente ter maquiado dados da CPI dos Correios para evitar que o Banco Rural fosse ligado ao mensalão mineiro. O senador nega ambas as acusações.

    Em nota ao BuzzFeed, o PSDB-MG disse que "desconhece a suposta decisão da PGR e rechaça as também supostas acusações em relação ao senador Aécio Neves".

    Leia a íntegra.

    "Trata-se de assunto requentado. O PSDB MG desconhece a suposta decisão da PGR e rechaça as também supostas acusações em relação ao senador Aécio Neves. O partido informa que os valores citados estão equivocados. Nunca houve um orçamento no valor de R$ 500 milhões. Tal cifra surgiu apenas como estimativa, sem estar amparada em projeto ou orçamento, quando da primeira ideia de construção de outro projeto em outro local. Informa também que o valor licitado da obra foi de R$ 949.371.880,50. O PSDB MG contesta insinuação de irregularidade e informa que o edital da licitação foi previamente apresentado ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas e todos os procedimentos foram acompanhados e auditados por empresa externa ao Estado contratada via licitação. Informamos ainda que o senhor Oswaldo Da Costa nunca teve atuação informal nas campanhas do PSDB com as quais coloborou, tendo sempre atuação formal e conhecida na arrecadação de recursos nas campanhas do PSDB."

    Severino Motta é repórter do BuzzFeed News, em Brasília

    Contact Severino Motta at severino.motta@BuzzFeed.com.

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