• newsbr badge

15 fotos que mostram o futuro da evolução humana

"A ciência e o avanço humano sempre foram impulsionados por pessoas que fazem as coisas de maneira diferente e por aqueles que não têm medo de quebrar as regras."

David Vintiner

A Neurobotics produz robôs antropomórficos individualizados sob encomenda, copiando a aparência de uma pessoa real ou recriando a aparência a partir de uma fotografia ou retrato.

À medida que muitas pessoas permanecem em quarentena durante a pandemia de coronavírus, o nosso uso da tecnologia estimulou um novo tipo de conectividade. Apesar de separados da maior parte do contato humano que partilhávamos há poucas semanas, é através da tecnologia que somos capazes de manter os relacionamentos – com amigos e parentes – que nos tornam humanos.

Para os transumanistas, as possibilidades da interconectividade humana via tecnologia são apenas o primeiro passo na jornada para que as pessoas possam finalmente transcender as limitações de seus corpos. O fotógrafo David Vintiner e a diretora de arte Gem Fletcher embarcaram em uma viagem para conhecer os inventores e artistas dentro do movimento transumanista, que estão ultrapassando os seus próprios limites biológicos para tornarem-se algo mais do que humanos. O projeto "I Want to Believe (Eu Quero Acreditar, em tradução livre)" consiste em três capítulos – o primeiro abordando a tecnologia vestível (wearable), o segundo sobre indivíduos que realizaram mudanças permanentes em seus corpos e o último sobre como alguns transumanistas planejam transcender a condição humana.

Neste post, David Vintiner compartilha sua experiência durante o trabalho em "I Want to Believe" e descreve como algo que antes era considerado ficção científica agora pode ser realidade.

Você pode explicar alguns dos princípios por trás do movimento transumanista?

David Vintiner: Transumanismo é a crença de que os seres humanos estão destinados a transcender seu corpo físico através da tecnologia. Eles acreditam que nossa biologia restringe nossa experiência da realidade e que não precisamos aceitar o que nos foi dado pela natureza. De membros e olhos biônicos à criação de novos sentidos e prolongamento da expectativa de vida, esses indivíduos estão redefinindo o que significa ser humano.

David Vintiner

O professor Alexander Seifalian e sua equipe estão desenvolvendo narizes, orelhas e vasos sanguíneos em seu laboratório, na University College London, utilizando células-tronco.

David Vintiner

À esquerda: Kevin Warrick é um inovador professor de Cibernética, considerado por muitos como o primeiro ciborgue do mundo. Kevin instigou uma série de experimentos envolvendo a implantação neurocirúrgica de um aparelho nos nervos do seu braço esquerdo para conectar o seu sistema nervoso diretamente a um computador. Isso permitiu que ele criasse uma conexão simbiótica com uma mão robótica. À direita: Manel Muñoz possui orelhas biométricas que permitem que ele sinta as mudanças na pressão atmosférica. De modo similar aos pássaros migratórios, ele consegue sentir a aproximação de tudo, de chuvas a ciclones.

David Vintiner

A mão robótica de Kevin Warrick.

O movimento está interferindo em todos os aspectos da vida, incluindo assistência médica, cultura, política e inteligência artificial. O perfil dos transumanistas é tão diverso quanto suas criações, de artistas e diretores executivos a acadêmicos e hackers amadores. O trabalho dos indivíduos retratados neste livro demonstra como a otimização de nossos cérebros e corpos poderia revolucionar e redefinir a humanidade. Como arquitetos do corpo humano, a imaginação é nosso único limite.

Apesar de essas ideias terem surgido há muito tempo nas páginas de revistas em quadrinhos e livros de ficção científica, o movimento – hoje uma realidade – está começando a interferir significativamente na rotina de empresas e indivíduos. Com a tecnologia evoluindo tão rapidamente quanto evolui hoje em dia, novas mudanças são iminentes. Este livro documenta um momento crítico na história, à medida que entramos em uma nova fase da evolução humana.

Esse movimento é novo, fruto dos mais recentes avanços tecnológicos, ou ele possui raízes históricas mais profundas?

O movimento possui raízes no cosmismo russo, uma filosofia que surgiu no fim do século 19 e que defendia a extensão da vida, imortalidade e até a ressurreição dos mortos. Mas as ideias sobre imortalidade e vida após a morte obviamente repercutem nas maiores religiões do mundo e há milênios fascinam a imaginação humana. Certamente os avanços tecnológicos auxiliaram na velocidade e facilidade com que alguns desses temas podem ser explorado. A pesquisa sobre o prolongamento da expectativa de vida está se intensificando, e o acesso à capacidade computacional e tecnologias mais baratas permite que indivíduos também trabalhem em seus próprios projetos.

David Vintiner

À esquerda: o EYEsect é um aparelho experimental que tem por objetivo recriar a experiência de ver o mundo como um camaleão, com dois olhos com visão monocular com foco. À direita: o North Sense, criado por Liviu Babitz e Scott Cohen, é um pequeno orgão sensorial artificial – do tamanho de uma caixa de fósforos – que emite uma pequena vibração sempre que o usuário está voltado para o norte, de modo similar à habilidade natural de pássaros migratório, ampliando a percepção humana de orientação.

Onde o livro "I Want to Believe" começou e como o seu trabalho se desenvolveu?

O projeto começou após Gem ter assistido a diversas palestras do grupo London Futurists na rede social Meetup. Ela me procurou com a ideia de fotografar algumas das pessoas mais interessantes que conheceu nas palestras. Ao nos aprofundarmos no assunto, começamos a reconhecer alguns dos temas emergentes como religião, evolução e singularidade, o ponto em que humanos e tecnologia fundem-se para criar uma nova espécie.

As pessoas fotografadas foram selecionadas de modo a abordar a história do movimento transumanista da maneira mais ampla possível. Sabíamos que queríamos dividir o livro em três capítulos para cobrir os primeiros experimentos e aperfeiçoamentos temporários do corpo humanos, os pioneiros e aperfeiçoamentos permanentes, até chegarmos à busca pela imortalidade e um futuro pós-humano. Encontrar indivíduos que abrangessem todos esses temas demandou muitas horas de pesquisa, mas também recebemos ajuda da própria comunidade transumanista – a maioria das pessoas ficou muito feliz em ajudar e ser fotografada para o livro.

Também achamos que era importante fotografar o máximo possível de pessoas em suas casas ou ambientes de trabalho. Queríamos focar nos indivíduos e em seus motivos, mostrar que esses experimentos e práticas estão ocorrendo aqui e agora, nas salas de estar e porões das pessoas.

Você se considera um otimista ou pessimista quando o assunto é transumanismo?

No geral, sou um otimista com relação a essas coisas, mas tenho algumas ressalvas quanto ao que acontecerá se os humanos forem capazes de viver centenas e centenas de anos. Isso trará enormes consequências para a sociedade e também levantará questões quanto ao significado de ser humano. Se a morte for erradicada, como isso mudaria o sentido da vida? Porém, nem todas as ideias no livro se tornarão realidade. Algumas delas serão deixadas de lado, espero que abrindo caminho para as que realmente beneficiarão a humanidade.

David Vintiner

À esquerda: após um acidente em que perdeu um braço e uma perna, James Young recorreu à biônica para recriar seu corpo. Obcecado por "Metal Gear Solid", ele trabalhou com a Konami, gigante do mundo dos games, e Sophie de Oliveira Barata, uma escultora protética, para desenvolver um avançado braço biônico inspirado no jogo de videogame. À direita: conhecido como "O Olhoborgue", Rob Spence perdeu um olho na infância brincando com a espingarda de seu avó. Inspirado em sua paixão pelo homem biônico e em seu desejo de filmar documentários, Spence criou um olho com uma câmera de vídeo sem fio embutida.

David Vintiner

O braço biônico de James Young. O membro é equipado com uma mão criada em uma impressora 3D controlada por sensores que detectam os movimentos musculares mais sutis nas costas de Young. O braço também possui um carregador de celular USB, conexão com o Twitter, uma lanterna, um monitor de batimentos cardíacos e um pequeno drone.

David Vintiner

A dra. Caroline Falconer, de Londres, está utilizando a realidade virtual para estudar e tratar distúrbios psicológicos como fobias e transtorno de estresse pós-traumático.

Há alguma imagem específica ou história por trás de uma imagem que tenha um significado especial para você?

Creio que as fotos de Alexey Turchin são, provavelmente, as mais fascinantes para mim. Alexey personificava tantos dos principais temas do livro. Um defensor fervoroso do prolongamento da vida, ele é o autor de diversos planos de ação para ajudar os humanos a enfrentar ameaças futuras, incluindo “O Plano de Ação para a Imortalidade Pessoal”, “O Mapa de Riscos Alienígenas” e “Como Sobreviver ao Fim do Universo”.

Turchin é um engajado patrono da imortalidade digital e acredita que, no futuro, uma IA superinteligente poderá reconstruir o modelo de qualquer personalidade humana com base em resquícios de informações. Turchin está constantemente coletando e registrando dados sobre si – do DNA em suas unhas cortadas a detalhes sobre seus sonhos, dados de GPS, gravações de áudio e desenhos de objetos do cotidiano –, com o intuito de que essas informações sejam assimiladas em um futuro "eu" dele. O fato de ele trabalhar em ideias tão amplas em seu flat em Moscou pareceu sintetizar perfeitamente o movimento como um todo.

Quais conclusões você espera que as pessoas tirem dessas imagens?

Algumas das histórias nesta obra podem parecer estranhas a princípio, mas a ciência e o avanço humano sempre foram impulsionados por pessoas que fazem as coisas de maneira diferente e por aqueles que não têm medo de quebrar as regras. Nestas imagens, eu vejo o brilhantismo da engenhosidade humana.

David Vintiner

Alexey Turchin

David Vintiner

À esquerda: Sophia, a robô com aparência humana mais avançada da Hanson Robotics, é a primeira cidadã robótica do mundo e a Embaixadora para a Robótica e Inovação do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas. À direita: Ai-Da é a primeira artista robô humanoide ultrarrealista com IA do mundo. Como máquina dotada de inteligência artificial, sua persona artística é a obra de arte.

David Vintiner

NeuroRex é um exoesqueleto controlado pelo cérebro que ajuda a recuperar a qualidade de vida e a independência de pessoas com deficiências físicas. O sistema de interface cérebro-máquina lê a atividade cerebral do usuário, extrai as informações sobre a intenção motora e utiliza essas informações para controlar o exoesqueleto motorizado para membros inferiores, permitindo que o usuário caminhe.


Este post foi traduzido do inglês.

Contact Gabriel H. Sanchez at gabriel.sanchez@buzzfeed.com.

Got a confidential tip? Submit it here

Utilizamos cookies, próprios e de terceiros, que o reconhecem e identificam como um usuário único, para garantir a melhor experiência de navegação, personalizar conteúdo e anúncios, e melhorar o desempenho do nosso site e serviços. Esses Cookies nos permitem coletar alguns dados pessoais sobre você, como sua ID exclusiva atribuída ao seu dispositivo, endereço de IP, tipo de dispositivo e navegador, conteúdos visualizados ou outras ações realizadas usando nossos serviços, país e idioma selecionados, entre outros. Para saber mais sobre nossa política de cookies, acesse link.

Caso não concorde com o uso cookies dessa forma, você deverá ajustar as configurações de seu navegador ou deixar de acessar o nosso site e serviços. Ao continuar com a navegação em nosso site, você aceita o uso de cookies.