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Documento de hotel reforça delação contra Lobão

Um delator diz que pegou dinheiro vivo para entregar ao senador Edison Lobão (PMDB-MA). O senador nega.

Um documento obtido pela Polícia Federal reforça as acusações de um delator contra o senador Edison Lobão (PMDB-MA) na obra bilionária da usina de Belo Monte, um dos mais rumorosos desdobramentos da operação Lava Jato.

Marcelo Camargo/Agência Brasil

Lobão é acusado por Gustavo Marques, da empreiteira Camargo Corrêa, de receber pelo menos R$ 600 mil em sua casa, em dinheiro vivo, entregues dentro de uma caixa de vinho, em 2012.

O delator deu detalhes de como foi aquele dia. Primeiro, buscou o empresário Rodrigo Britto no hotel Meliá, um dos mais luxuosos de Brasília.

Reprodução

Segundo a delação, Brito foi o responsável por levantar o dinheiro vivo para custear a propina, em outubro de 2012. Do hotel, Brito e o delator foram ao tradicional restaurante Trattoria do Rosário, no bairro do Lago Sul, o mais nobre de Brasília.

Marques diz que Brito ficou no restaurante, enquanto ele rumou à casa do senador. O encontro, segundo ele, foi rápido. Entregou o dinheiro e retornou para a casa de massas.

Por regra, uma investigação sempre tenta avançar para sustentar, com outras provas, o que diz um delator. Mas, no caso de Lobão, essa prova é especialmente importante.

Isso porque, em depoimentos anteriores, o delator Gustavo Marques admitiu que, por orientação da Camargo Correa, falou a apenas a “versão estabelecida” pela empreiteira, que não incriminava Lobão. Em outras palavras, ele estava mentindo para a PF.

Agora, acusando Lobão, ele apresentou como prova a nota fiscal da compra de vinhos, em outubro de 2012. Foi nessa caixa, que segundo ele, o dinheiro foi colocado. Por isso, os
investigadores saíram à caça de outras provas que pudessem ajudar a confirmar a veracidade da versão do delator.

E o Meliá confirmou que Brito, de fato, estava hospedado lá.

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De acordo com a delação, a empresa AP Energy era a responsável por viabilizar o dinheiro vivo para a Camargo Corrêa distribuir a propina. A empresa é de Fernando Brito, pai de Rodrigo Brito _ daí a importância da confirmação do hotel.

A PF ouviu a dupla. Fernando Brito admite que a AP Energy era de fachada e que de fato era usada com um banco paralelo pela empreiteira. Assim ele falou:

"Perguntado qual a destinação dada aos valores que a CAMARGO CORRÊA transferiu à conta da AP ENERGY, afirma o declarante que, desde o jantar de apresentação acima mencionado, ficou acertado que o objetivo da transferência de valores da CAMARGO CORRÊA á AP ENERGY era de que fosse feito "dinheiro vivo", o qual deveria retornar à própria CAMARGO CORRÊA".

Apesar disso, Fernando Brito, o pai, disse que não sabia de valores para Lobão e exime o filho de qualquer participação. Rodrigo Brito, por sua vez, disse que não sabia do caso.

Procurado, a defesa de Lobão contestou a legitimidade da delação. De acordo com o advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, o senador Lobão nega as acusações.

"É absolutamente mentira. Estamos fazendo cautelosamente um estudo sobre esses depoimentos. Começam a surgir as contradições. A primeira vez que tocaram no nome do Lobão foi com Paulo Roberto Costa e os inquéritos foram arquivados. Com a quantidade industrial de delações e a possibilidade de recall, na qual o cidadão pode mentir à vontade, isso obviamente destrói a base de qualquer versão", disse Kakay.

O advogado de Rodrigo Brito, Daniel Bialski, disse que seu cliente "oportunamente dará todas as explicações e informações necessárias sobre o caso".

Veja também:

Operação da PF é baseada em novo delator do PMDB


Filipe Coutinho é repórter do BuzzFeed News, em Brasília

Contact Filipe Coutinho at filipe.coutinho@buzzfeed.com.

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