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Estas fotos mostram o declínio dos lendários samurais no Japão

"Em apenas 20 anos, a sociedade japonesa entrou em convulsão, clãs adversários entraram em conflito e samurais sem mestres se rebelaram contra uma modernização implacável."

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A história e as lendas em torno dos samurais do Japão é tão fascinante quanto complexa. Deixando de lado as representações do cinema, poucas fotografias que retratam a vida desses lendários guerreiros chegaram até hoje. Isso deve-se em parte ao fato de que a fotografia era uma tecnologia ainda emergente no século 19, época em que mudanças políticas no Japão levaram ao declínio dos samurais.

Umas das colecionadoras dessas raras imagens é Daniella Dangoor, cuja coleção será exibida ao público na Feira de Fotografia de Londres entre 19 e 20 de maio. Dangor compartilhou com o BuzzFeed algumas de suas fotos favoritas e as histórias por trás delas:

O Japão permaneceu praticamente fechado ao resto do mundo por 250 anos, como uma introspectiva sociedade feudal com castas e rituais rígidos. Foi então que a expedição naval do comandante norte-americano Perry forçou o Japão a se abrir. Forças ocidentais, guiadas pelo comércio, tratados portuários, mas também ciência, indústria e inovação, invadiram o Japão. O ritmo de mudança foi incrível — a sociedade entrou em convulsão, clãs adversários entraram em conflito, samurais sem mestres se rebelaram contra uma modernização implacável, tudo isso em apenas 20 anos. Poucas imagens revelam essa reviravolta.

Como comandante das forças xogum situadas na cidade de Kanagawa, Kubota Sentarô tinha acesso frequente ao assentamento estrangeiro em Yokohama. Ele era muito respeitado — pelo menos entre os residentes britânicos — por sua abertura às ideias ocidentais, principalmente sobre assuntos militares, e até mesmo pedia conselhos sobre como deveria treinar seus samurais com técnicas modernas. Sua preferência pelos modelos britânicos em uma época onde o xogunato tinha se comprometido a empregar conselheiros de guerra franceses provavelmente levou à sua remoção do comando em Kanagawa, em 1867.

Daniella Dangoor

À esquerda, "Retrato de Samurai Desconhecido com Armadura" Yokohama, cerca de 1873–76, por Suzuki Shin’ichi I. À direita, "Retrato de Tokugawa Akitake", Paris, 1867, por André-Adolphe-Eugène Disdéri.

À esquerda, um retrato atípico e sensível tirado em uma época onde a classe samurai estava prestes a desaparecer. Apesar do decreto de 1871 incentivar — mas não obrigar — que os samurais abandonassem suas espadas e seus coques, a pessoa sentada na foto não apenas usa o penteado tradicional e ostenta duas espadas, mas veste-se também com uma armadura completa.

Ou o retrato precede a proibição de 1876 em portar espadas em público para todos, exceto membros das novas Forças Armadas e polícia, ou foi tirado imediatamente após ela como forma de lembrança. Em qualquer um dos casos, na época que esse retrato foi tirado, no decorrer da década de 1870, a introdução em 1873 do serviço militar obrigatório para todos os homens, independentemente da classe, tinha tornado os samurais um anacronismo.

À direita, a foto de um meio-irmão do último xogum e senhor do domínio de Mito. Tokugawa Akitake (1853-1910) foi enviado à França em 1867 como emissário especial, acompanhando a delegação japonesa à exposição Universal em Paris. Ele retornou ao Japão quando o xogum foi deposto em 1868.

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Uma segunda missão xogum liderada por Ikeda Nagaoki foi enviada à França em 1864, em uma tentativa malsucedida de rescindir a abertura de alguns portos japoneses ao comércio exterior. Após ser recebido em uma audiência no Palácio das Tulherias pelo imperador Napoleão III, Ikeda e sua comitiva visitaram o estúdio fotográfico de Nadar, onde seus retratos foram tirados com indumentárias variadas.

Nesta rara fotografia da reunião, o enviado-assistente Kawazu Sukekuni (1821–68), sentado, e o metsuke da missão, Kawada Hiromu (1835–1900), em pé, são retratados com sua companhia oficial em Paris, o Coronel Sigismond Guillaume de Berckheim (1819–92), comandante da Cavalaria da Guarda Imperial Francesa.

Daniella Dangoor

À esquerda: "Retrato de um Samurai sem Mestre (Rōnin)", Yokohama, cerca de 1867, por Shimooka Renjō. À direita: "Kubota Sentarô em Armadura Empunhando um Espada", Yokohama, cerca de 1864, por Felice Beato.

Este retrato à esquerda foi tirado no começo da década de 1870 pelo fotógrafo de Yokohama Shimooka Renjō — nascido em uma família de samurais de classe mais baixa — e ilustra o destino de muitos samurais conforme o governo retirava seus status e privilégios. Alguns adotaram profissões que haviam aprendido a desprezar, outros foram deixados de lado e sobreviviam perambulando à margem da sociedade, alugando suas espadas.

À direita, uma foto do comandante do quartel de Kanagawa.

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Para a classe dos guerreiros e nobreza, os veículos mais luxuosos eram as liteiras, carregadas por homens e conhecidas como norimono.

Daniella Dangoor

À esquerda: "Guerreira em Traje Espadachim", cerca de 1875, por Raimund Baron von Stillfried. À direita: "Retrato de um Comandante Samurai", cerca de 1870, por fotógrafo japonês desconhecido.

Esta jovem mulher, da foto à esquerda, aparece em outra imagem do portfólio de Stillfried, em fotografias de grupos de membros do chamado Gekken-kai, ou Associação de Esgrima. Fundado em 1873 pelo mestre kendō Sakakibara Kenkichi (1830–94), esse grupo recriou artes de lutas samurai tradicionais e as transformou em um espetáculo lucrativo para consumo do público. Os seguidores de Sakakibara incluíam várias mulheres, e suas demonstrações de habilidade com a naginata, ou espada de braço com bastão, provaram-se muito populares entre os espectadores durante as turnês da Associação pelo Japão. Embora fosse uma parte integrante do armamento samurai, a naginata foi mais aceita como uma arma usada pelas mulheres da aristocracia e frequentemente faziam parte do enxoval de uma filha samurai.

Pouco se sabe sobre essa imagem impressionante de um comandante samurai, na foto à direita, mas os chifres e a lua crescente em seu capacete sugerem alta patente.

Nesta fotografia, um grupo de samurais é retratado discutindo ao redor de um mapa. Os de patente inferior – com túnicas ocidentais – ficam um pouco mais distantes enquanto observam as deliberações. Todos os olhos estão apontados para o mapa, exceto o da figura central e de maior patente, cuja cabeça está direcionada ao olhar intrusivo do observador. O título aparentemente inócuo de "Oficiais do Sul" de Beato identifica as pessoas retratadas como integrantes de um dos clãs de Satsuma que se opunham ativamente ao xogunato – aumentando a sensação do observador de ter se deparado com um conselho de guerra.

TA Coleção Samurai estará em exibição na Feira de Fotografia de Londres entre 19 e 20 de maio.

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Este post foi traduzido do inglês.

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BuzzFeed's resident photo geek.

Contact Gabriel H. Sanchez at gabriel.sanchez@buzzfeed.com.

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