Esta artista está mostrando como as pessoas enxergam seus próprios corpos

O trabalho de Indu Karikumar foi criado a partir de um projeto colaborativo.

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Indu Harikumar, de Bombaim, Índia, vem trabalhando em um projeto de arte colaborativo sobre como as pessoas enxergam seus próprios corpos.

Harikumar contou ao BuzzFeed que a ideia surgiu após ela receber muitos depoimentos em seu último projeto, o "100 Indian Tinder Tales".

A partir dos depoimentos, Harikumar criou algumas obras. Algumas são sobre pessoas que enxergavam defeitos em seus corpos, que sofreram por causa deles, mas acabaram por aceitá-los mais tarde em sua vida.

Indu Harikumar

"Eu sofri preconceito por causa do meu corpo pela maior parte dos meus 41 anos de vida. Eu nasci gordinha e nunca emagreci. Eu fui chamada de bunda grande, coxa de nabo, gorducha, baleia etc. Na segunda série, minha professora disse que eu tinha uma "bunda grande". Eu me lembro como se fosse ontem, eu parei de dançar e de fazer esportes, com medo de que rissem da minha bunda. Eu simplesmente existia, e meu corpo era como algo totalmente separado da minha mente e do meu coração. Minha mente e meu coração me mantinham de pé. Não meu corpo.

Não me leve a mal, mas eu também tenho boas memórias do meu corpo. A primeira vez que eu me masturbei, eu gozei. Eu tinha o poder de me dar prazer! Quando meu namorado me viu tirando a roupa, ele disse: 'Linda'. O brilho naqueles olhos grandes e castanhos é algo que eu nunca vou esquecer. A ternura com que ele disse aquilo faz eu me sentir linda até hoje."

A imagem abaixo, por exemplo, fala sobre uma mulher que era humilhada por causa de seus seios pequenos e de como essas críticas a afetaram.

Indu Harikumar

"Eu sempre tive a autoestima muito baixa. O tempo todo tiravam sarro de mim, me chamando de coisas como "peitos de bolinho". Na faculdade, enquanto todos andavam de cabeça erguida, eu sempre andava olhando para o chão. Eu não queria ser notada.

O espelho era o meu maior inimigo. Eu me odiava porque meu corpo não era perfeito. Não chegava nem perto disso. Eu não queria me ver em fotos e todos sempre me diziam: 'Os garotos gostam de bunda para pegar'. Isso me traumatizou. Eu me sentia horrível e achava que ninguém ia me amar. Eu tinha tanta vergonha da minha aparência que eu evitava qualquer tipo de atividade social, especialmente quando envolvia pessoas do sexo oposto."

Algumas obras também mostram como as pessoas podem odiar sua forma física, mesmo que ouçam o contrário de outras pessoas.

Indu Harikumar

"Eu me olho no espelho e penso: me dê um motivo para eu não arrancar esse rosto. O rapaz colocou seus braços em volta de mim e disse: 'Você está bonita', com a mesma sinceridade que fez com que eu me apegasse a ele pelos últimos meses, o suficiente para que eu concordasse em me casar com ele. Ele continuou a olhar meu reflexo no espelho com um sorriso no rosto. Eu sorri para o reflexo dele e então voltei meus olhos novamente para o monstro – o tormento que eu preciso carregar todos os dias, aonde quer que eu vá."

Existem também histórias de pessoas que abraçaram o que antes viam como defeitos.

Indu Harikumar

"Esqueça sobre os 20 diferentes remédios caseiros na internet, os cinquenta diferentes produtos de beleza selecionados pela 'Cosmo'.

Não mencione pessoas rancorosas que permaneceram presas a essas imperfeições.

Concentre-se nas marcas que você gosta, como por exemplo o conjunto de sardas delineando seu seio direito, aguardando para serem conferidas em um vestido que permite uma visão lateral do seio.

Seu corpo ainda está respirando? Então que se foda o resto. Leve-o para um mergulho no mar, hidrate-o com o óleo que escorreu da sua pizza e diga a ele que você está feliz por sua existência."

E histórias de pessoas mergulhando em sua sexualidade apesar de não se sentirem a pessoa mais sexy do mundo.

Indu Harikumar

"Eu não fazia ideia de como o sexo poderia ser libertador até conhecê-lo. Não é como se eu nunca tivesse feito sexo antes. Eu sempre fui bastante desinibida desde muito nova, mas então eu me casei aos 22 anos e sosseguei. Desde então, até uns 3 anos atrás, a única pessoa com quem eu tinha transado era meu marido.

Agora, eu preciso confessar que eu não sou nem bonita nem especialmente sensual. Eu odeio a maior parte do meu corpo, especialmente meus seios grandes e a bunda quadrada, e acredito que sou feia e gorda – o que eu sou. Mas, com seus dedos, sua boca e sua língua ele me transformou. Naqueles momentos eu me sentia a mulher mais sexy na Terra. O caso continuou depois que eu voltei e eu continuei mandando fotos minhas nua, fotos da minha bunda e mensagens de texto picantes. Meses e anos se passaram. Nos encontramos algumas vezes, e todas essas vezes ele me desejou ardentemente. Ele chupava meus mamilos e lambia minha bunda. E fazia coisas que seriam demais para dizer aqui, mas você entendeu como era a situação.

Isso teve um ótimo efeito em mim. Eu comecei a me sentir linda e sexy, poderosa e confiante. Eu comecei a recusar ter sexo com meu marido e, em vez disso, eu assistia pornografia e me masturbava. Eu mandava vídeos meus para o G, mas não deixava meu marido me tocar. De qualquer forma, ele era muito egoísta no sexo, enquanto eu estava ficando cada vez mais gananciosa."

E não só as mulheres relataram sofrer com a forma que viam seus corpos, mas também homens.

Indu Harikumar

"Eu era um garoto pequeno e pálido, de aparência frágil, olhos femininos e cílios longos. Muito magro. Sempre sentado na fileira da frente. Eu era aquele que desmaiava durante a aula de educação física e era sempre o último a terminar a corrida.

Os apelidos vieram naturalmente. Os garotos achavam que eu tinha características físicas femininas e me zoavam por isso. "Dama Delicada", que depois encurtaram para DD, foi o que pegou.

Então ficamos mais velhos e alguns dos garotos começaram a crescer rápido e a desenvolver o pomo de Adão. Foi quando as piadas mudaram. 'Você vai precisar de uma escada para beijar sua namorada. Como você vai satisfazer sua mulher? O que você tem não faz nem cócegas. É menor que seu polegar, parece até uma pena.'

Foi aí que nasceu um novo apelido: Cosquinha."

"As experiências dos outros são únicas, tocam o coração. As histórias dessas pessoas me deram inspiração para criar essas obras de arte," disse Harikumar ao BuzzFeed.

As respostas que acompanham as obras de Harikumar foram editadas para ficarem mais curtas e claras. "Body Of Stories" é um projeto em andamento, e você pode acompanhá-lo aqui.

Este post foi traduzido do inglês.