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Oito coisas que aprendemos com o criador da série "Quem Sou Eu?" do Fantástico

Conversamos com Bruno Della Latta, diretor e roteirista do especial que aborda quatro diferentes momentos da vida de pessoas transgêneras.

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No último domingo (12), estreou no Fantástico o especial "Quem Sou Eu?", comandado por Renata Ceribelli. Diante da enorme repercussão da série, o BuzzFeed Brasil convidou o diretor e roteirista Bruno Della Latta para bater um papo.

Divulgação/TV Globo / Via especiais.g1.globo.com

E aprendemos muitas curiosidades sobre o processo de criação e execução do especial, que contará com quatro episódios.

1. A preocupação inicial dos criadores era descobrir em que ponto todas as histórias contadas poderiam ser universais.

Divulgação/TV Globo

E foi assim que a série logo se estruturou como uma jornada pelo autoconhecimento. "Acho que todo mundo, em algum momento da vida ou em vários, já se perguntou: quem sou eu?”, explica Bruno.

Ele conta que teve a ideia de usar o livro “Alice no País das Maravilhas” como fio condutor da série por consequência disso. "A Alice é com certeza uma das personagens mais populares da literatura mundial, que vive de forma metafórica essa jornada existencial. Eu peguei o livro e fui encontrando os paralelos entre as histórias que contaríamos e a história da Alice".

Segundo Bruno, tudo foi elaborado com muito cuidado pela equipe. Não é à toa que o mundo de Alice é todo em branco, por exemplo. Nem que o espelho é um elemento tão presente em todos os episódios.

2. A série usou consultores transexuais na sua equipe.

Divulgação/TV Globo / Via g1.globo.com

Barbara Aires e Patrick Lima, ambos transexuais, orientaram os criadores para identificar as principais questões enfrentadas pelos trans, entender os principais conceitos, saber o que é ofensivo ou não e identificar as pessoas que seriam entrevistadas.

Também exerceu o papel de consultor o psiquiatra Alexandre Saadeh, coordenador do Ambulatório de Transtorno de Identidade de Gênero e Orientação Sexual do Instituto de Psiquiatria da USP.

3. A ideia central da série é mostrar como nós somos todos realmente diferentes – e isso não tem problema nenhum.

Reprodução/André Schiliró / Via especiais.g1.globo.com

"Quando a gente fala sobre identidade de gênero, as possibilidades são diversas. Cada pessoa no planeta pode expressar isso de uma forma", disse Bruno. Para ele a mensagem final é: somos todos iguais.

No caso da série, tudo vai se encontrar na busca pelo autoconhecimento e na busca pelo amor, explica o roteirista. "No fundo, estamos falando todos de respeito, de respeito ao outro, ao diferente", afirma.

4. A Melissa, garota de 11 anos que deu uma aula de maturidade, impressionou a equipe.

Reprodução/TV Globo / Via especiais.g1.globo.com

As histórias de todas as pessoas entrevistadas são sensacionais. O diretor e roteirista conta que foi difícil selecionar as mais interessantes porque todo mundo com quem eles conversaram se mostrou muito disposto a se revelar sob vários aspectos.

"Todo mundo já se questionou sobre a própria identidade, mas os trans têm uma questão que a maioria das pessoas não enfrenta. A questão de gênero passa batida para muitos de nós". E é por isso que Bruno destaca a participação da Melissa, a garota de 11 anos apresentada no primeiro episódio.

"Ela nos deu uma aula. E essa maturidade e segurança fazem com que ela seja muito respeitada entre os amigos do lugar onde ela mora e do colégio onde ela estuda", declarou.

5. Em diversos momentos das filmagens, a equipe se pegou comovida de verdade.

Divulgação/TV Globo

Bruno confessa que foram muitos momentos emotivos. E isso fez também com que se estabelecesse uma empatia muito grande entre os personagens e todos na equipe.

"Gravamos declarações de amor, pedidos de desculpa, lembranças fortes e histórias de rejeição. A equipe durante as entrevistas é relativamente pequena. Aconteceu mais de uma vez eu olhar pros lados e ver todo mundo com lágrimas nos olhos", afirmou.

6. A resposta do público deu forças para o pessoal atrás das câmeras.

Reprodução/TV Globo / Via g1.globo.com

"A gente estava preparado para tudo, principalmente por se tratar de um tema difícil. Mas, pela delicadeza com que o estávamos tratando e pela importância do tema, sabíamos que as pessoas iriam se sensibilizar. A resposta positiva nos encheu de força", disse Bruno.

Ele conta ainda que recebeu depoimentos de pessoas do interior do Brasil que viram uma brecha pra discutir com os pais sobre a questão de gênero depois de ver o primeiro episódio. Pessoas que declararam ter entendido conceitos básicos como a diferença entre identidade de gênero e orientação sexual.

"Muita gente se emocionou. E muita gente entendeu que tentamos fazer tudo da forma mais respeitosa, humana e verdadeira possível", resumiu.

8. Nos próximos episódios, vamos conhecer as questões da adolescência e as dificuldades de relacionamento.

Reprodução/TV Globo / Via globoplay.globo.com

Bruno adiantou ao BuzzFeed Brasil que o próximo episódio será sobre as questões típicas da adolescência e o início do tratamento hormonal. No terceiro, eles vão escancarar a intolerância, a exclusão social e mostrar as mudanças físicas mais drásticas. No quarto episódio, irão falar principalmente sobre as dificuldades de relacionamento. Mas, em todos eles, vai ter muito amor.

"A nossa jornada pelo autoconhecimento será permeada pelo mais bonito dos sentimentos", afirma.

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