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Toda a pompa da cerimônia de Doria para anunciar seu vice

Teve 'entourage' pajens de 10 partidos, treta de família e até música-tema do Ayrton Senna

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Seguido por uma 'entourage' de pajens do PSDB, o empresário e apresentador João Doria entrou em um salão do requintado World Trade Center, em São Paulo, como se estivesse em um casamento, ao meio-dia desta quinta (21).

O terno e o cabelo estavam impecáveis.

Era quase isso: Doria chegou para anunciar o seu companheiro de chapa na disputa pela prefeitura de São Paulo, o deputado Bruno Covas, 36.

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Bruno Covas é neto do ex-governador Mario Covas (morto em 2001).

O nome do vice nem chegou a ser exatamente uma novidade (todo o mundinho da política já sabia que seria Bruno Covas), mas serviu para Doria ostentar que sua candidatura deve ser levada a sério.

Ele tem 6% das intenções de voto, segundo o Datafolha (numericamente na quinta colocação).

A cerimônia foi acompanhada pelos caciques paulistanos de 10 partidos que darão apoio (e o maior tempo de TV) a Doria, que se aventura pela primeira vez numa campanha como candidato.

No centro da mesa, havia uma saia-justa de família entre o vice Bruno Covas e o presidente municipal do PSDB, Mario Covas Neto, o Zuzinha, filho do ex-governador. O parentesco só aumenta a rivalidade deles.

Em um dado momento, Doria chama os Covas, que vivem às turras, para darem as mãos. Os representantes dos outros partidos seguem a coreografia.

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O feito de colocar o empresário na cabeça de uma chapa puro-sangue, apesar de tantos partidos, foi operado por seu padrinho político, o governador Geraldo Alckmin.

Antipetista fervoroso, Doria promete que, se eleito, vai reverter uma das marcas do atual prefeito Fernando Haddad (PT) e voltar a até 90 km/h o limite de velocidade nas marginais.

No ato desta quinta, o tucano pediu para tocarem a música da vitória do piloto Ayrton Senna.

Seu mote de campanha é "acelera".

O problema do financiamento da campanha, depois da proibição das doações de empresas, tira o sono dos candidatos.

Mais ricos entre os candidatos, o milionário Doria contou ao BuzzFeed Brasil que está colocando dinheiro de seu próprio bolso.

Pretende gastar, dizem seus aliados, no máximo R$ 22 milhões, menos da metade do teto permitido pela lei eleitoral.

Questionado se seria a campanha mais rica de São Paulo, já que é milionário, ele desconversa: "Isso é o que você está dizendo..."

Sua equipe faz coro: "Você é que pensa. Venha passar fome com a gente".

Um pré-candidato a vereador teve tratamento VIP. É Fernando Holiday, cara que ficou conhecida nos protestos pró-impeachment que lotaram a paulista em 2015 e 2016.

Coordenador do MBL (Movimento Brasil Livre), o estudante de direito Holiday está filiado ao DEM, um dos partidos coligados.

Muito falante, o jovem da nova direita não perde a oportunidade de frisar que é "negro, homossexual e pobre".

Doria dá uma entrevista em vídeo a Holiday e, paparicando o interlocutor, avisa a assessoria de imprensa: isso vale nota (para os jornais).

O afago em Holiday visa adoçar o MBL e seus quase 1,4 milhão de seguidores no Facebook.