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Protesto contra governo Temer termina com violência e 6 presos

Imagens exclusivas do BuzzFeed Brasil mostra momento em que manifestante é agredida por PM quando estava no chão.

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Um protesto de sem-teto diante do escritório da Presidência da República em São Paulo nesta quarta (30). Eles entraram no hall do prédio onde fica uma agência do Banco do Brasil e a representação do presidente.

Dentro do prédio, os manifestantes gritavam pela saída do presidente em exercício, Michel Temer (PMDB). Eles reivindicam recursos para o programa Minha Casa Minha Vida e defendem o retorno da presidente afastada Dilma Rousseff (PT) ao governo.

Tão logo assumiu a Presidência interina, Temer suspendeu uma ordem de Dilma, assinada no apagar das luzes de sua gestão, de dedicar verbas para moradias populares, para famílias com renda até R$ 1,8 mil mensais.

Do lado de fora, houve confusão. Quatro manifestantes foram presos depois que acenderam rojões na avenida Paulista, onde fica o edifício. Outros dois manifestantes foram detidos, segundo a Polícia Militar.

Um dos detidos, conhecido como Batoré, é liderança do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST).

Na esquina da Haddock Lobo com a Paulista, houve confronto: primeiro, os policiais lançaram pelo menos seis bombas de efeito moral. Depois, com pessoas já dominadas, passaram a investir contra outros manifestantes. Uma das manifestantes foi agredida por policiais, sendo jogada ao chão, arrastada e sufocada com um "mata-leão". O BuzzFeed Brasil registrou a cena.

A tropa de choque foi chamada. Até as 18h, a tropa não havia se aproximado dos manifestantes.


Os manifestantes montaram uma barraca de lona diante do prédio, no mesmo estilo dos acampamentos de terrenos invadidos pelo MTST. Foram levados para o local colchonetes, alimentos, fogareiros e cobertores.

"Cada um colaborou com um quilo de alimento. Vamos resistir até ele sair ou soltar o dinheiro. Já trouxe até as minhas roupas e fico até o fim", disse ao BuzzFeed Brasil a faxineira Renilda Oliveira, de 69 anos.

As vias da avenida não foram bloqueadas e os sem-teto tentava se aglomerar nas calçadas. Guilherme Boulos, da coordenação nacional do MTST, acusou a PM de agir com truculência.

"Era uma manifestação pacífica e a polícia chegou com a mesma truculência que usa contra os trabalhadores na periferia. Daqui não vamos arredar o pé", disse Boulos.

A PM nega que tenha agredido os manifestantes. A versão da corporação é que os policiais lançaram bombas reagindo às pedras lançadas por manifestantes.

Questionada sobre o vídeo do BuzzFeed Brasil sobre a cena da manifestante agarrada pelo pescoço no momento em que estava no chão, a PM não fez comentários.