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Pessoas trans falam por que não fizeram cirurgia de redesignação

"Eu sou um homem de verdade, mesmo que eu não vá ao hospital para me submeter a uma cirurgia."

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Fazer a transição pode significar coisas diferentes para diferentes pessoas, pois é um processo totalmente único. Para algumas pessoas, pode significar uma mudança de pronomes, roupas e nomes. Para outras, isso pode envolver intervenções médicas com hormônios e cirurgia. Com certeza, não há uma única maneira de ser uma pessoa trans, mas a pressão estética tende a focar nos aspectos físicos da transição. Porém, e se você for trans e não estiver interessado(a) em intervenções médicas?

Perguntamos a pessoas trans o que elas querem dizer quando se identificam como trans e não querem fazer a transição médica. Veja o que nos contaram:


"Eu quero que eles saibam que algumas pessoas trans na verdade GOSTAM de seus corpos. Eu separo meu gênero do meu corpo. Eu não sinto a necessidade de fazer nenhuma mudança médica porque nada faz com que eu me sinta desconfortável. E isso também não me afasta da minha identidade não-binária e trans; você pode ser trans/não-binário e buscar QUALQUER tipo de caminho. Nem todas as pessoas trans querem passar pela mudança médica. Eu quero que as pessoas saibam que não há nada de errado em não fazer a transição médica."

— Asher, 23


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“A ideia de ‘transição médica’ vem do pensamento de que existem corpos masculinos e corpos femininos - o que não condiz com a realidade. Eu tenho um corpo e sou não-binário, portanto, eu tenho um corpo não-binário. Se eu tivesse uma disforia com meu corpo e/ou encarasse muita perseguição das pessoas, eu provavelmente buscaria tratamento médico. Mas a transição se resume à aceitação de como eu me vejo e dividir isso com as pessoas que fazem parte da minha vida. Eu fiz a transição e, para mim, isso não inclui nenhum tratamento médico."

—James, 32


"Eu sou trans mesmo sem transição. Eu sou um homem, mesmo que não queira fazer a cirurgia de remoção dos seios. Eu sou um homem de verdade, mesmo que eu não vá ao hospital para me submeter a uma cirurgia e ganhar um pênis. Alguns de nós simplesmente não podem arcar com isso, não querem ou simplesmente podem viver sem isso."

—Z

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"Eu não tenho interesse em me transformar, então não venha me dizer o que eu tenho que fazer para ser mais "passável" — isso simplesmente não faz parte dos meus planos. Eu não estou mudando meu corpo com hormônios ou cirurgia, mas isso não quer dizer que eu não esteja fazendo a transição. O processo de se assumir, mudar minha apresentação, discutir sobre o uso do pronome, mudar nomes e todas as outras coisas podem fazer parte de uma transição sem auxílio médico e é importante que isso seja considerado como uma transição também."

—Aaron, 23


"Ser trans não se resume a ficar parecido com o gênero que você se identifica. Isso pode ter mais a ver com ser notado socialmente pelo seu gênero."

— Emma, 16


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"Como alguém que usa pronomes intercambiáveis, eu acho que é importante para as pessoas entenderem que a minha expressão de gênero não é necessariamente igual à minha identidade de gênero. Há dias em que uso maquiagem completa e sapatos de salto alto, mas isso não significa que eu queira ser tratado como 'ela'. Se você não conhece meus pronomes, então pergunte a mim. Mas, por favor, nunca suponha nada com base na minha expressão de gênero. Tem um motivo para eu não estar fazendo a transição."

—Jay, 16

"Por mais que eu quisesse passar por menino no dia a dia, eu também não quero ter que tomar hormônios. Eu não quero pelos faciais, eu não quero uma voz bem grossa. E queria que todos soubessem que nem todas pessoas trans acreditam ter nascido com as partes erradas ou com o corpo errado. Nem tudo é preto e branco, portanto, os sentimentos que as pessoas têm com seus corpos podem variar. Respeitem as escolhas das pessoas trans para fazer o que quiserem com seus corpos. Afinal, é o corpo delas, e não o seu."

—Max, 16


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"Eu nunca senti que tinha o corpo errado, mas eu sabia que havia mais a ser descoberto do que a sociedade me contava. Nós brincávamos de disputas entre meninos e meninas na primeira série e eu só ficava do lado dos 'meninos' porque minha melhor amiga na época estava lá comigo. Minha alma e essência sempre foram de uma mulher, mas eu pessoalmente não sinto a necessidade de fazer a mudança médica no meu corpo para viver a verdade. Mesmo com um pênis, ainda sou uma mulher."

—Romi, 24


"O gênero não precisa 'combinar' com qualquer aparência, fisicalidade, pronome, orientação ou papel. Ele simplesmente está lá, e é uma coisa maravilhosa a ser explorada."

— Dafydd, 20


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"Tudo bem não fazer a transição médica, desde que você esteja confortável consigo mesmo e com seu corpo. Isso é a coisa mais importante. Não existe uma maneira 'verdadeira' de ser trans."

— Kolbye, 19


"Ser trans não é definido pela sua habilidade ou desejo de fazer a transição médica. As pessoas trans que não querem fazer a transição médica, ou não podem arcar com isso, são tão legítimas quanto aquelas que querem e podem pagar."

—Brandy, 22

"Todo mundo é diferente e todos querem coisas diferentes. Nem todos são disfóricos com todas partes de seus corpos, algumas pessoas não têm disforia corporal nenhuma. Disforia social é pior do que disforia corporal — ser trans diz muito sobre a maneira com que você se encaixa socialmente com seu gênero”

—Jay, 17


"Não existe um objetivo final para o qual eu posso direcionar a transição. Eu seria disfórico com ou sem peitos."

—Finn, 24


"Ser trans não tem nada a ver com tentar adaptar a imagem da sociedade com o gênero que você pertence — tem mais a ver com a sua própria percepção sobre isso. Eu tenho vivido infeliz comigo mesmo por muito tempo, mas estou começando a amar lentamente tudo o que tenho e a trabalhar nisso."

— Anônimo


"Algumas pessoas fazem a transição completa, outras realizam parte dela e algumas não fazem a transição — todas elas são verdadeiras e belas. Algumas pessoas, como eu, experimentam uma flexibilidade de gênero e simplesmente não podem conseguir um corpo que combine com ele porque esse corpo muda todos os dias. Não é adequado fazer perguntas invasivas, hostilizar ou nos agredir, independentemente de termos feito ou não a transição."

—Joy, 19

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Este post foi traduzido do inglês.

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