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As crianças do Iêmen estão morrendo de fome

Um terço de todas as crianças do país com menos de 5 anos está com desnutrição aguda.

publicado

O Iêmen está sofrendo uma grave crise humanitária, e as crianças do país são as maiores vítimas.

Cerca de 1,5 milhão delas estão com desnutrição aguda, de acordo com organizações humanitárias. A Save the Children estimou que um terço de todas as crianças menores de cinco anos no Iêmen se enquadram nessa categoria. Dessas, cerca de 370 mil sofrem de desnutrição aguda grave — isso significa que elas têm 10 vezes mais chances de morrer do que as crianças desnutridas, porque seu sistema imunológico foi drasticamente enfraquecido.

Conforme esse número aumenta, imagens como esta estão emergindo do país, onde uma guerra civil eclodiu no ano passado.

Apesar de receber alguma atenção internacional, a situação no Iêmen continua a se deteriorar. Em muitas aldeias, as próprias mães estão desnutridas demais para alimentar seus filhos.

Majed Ayyash, de 21 meses, sofria de desnutrição grave. Ele teve sorte, pois foi levado por sua família a um hospital da capital, Sana.

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No entanto, mesmo quando as famílias conseguem obter ajuda médica para seus filhos, faltam suprimentos hospitalares e equipamentos. Diversas instalações médicas no país foram alvos de ataques aéreos.

Imagens obtidas pela Save the Children — grupo humanitário com sede no Reino Unido que opera no Iêmen desde 1963 e apoia 160 instalações no país — e fornecidas ao BuzzFeed News mostram crianças em ventilação mecânica, lutando por sua vida enquanto recebem tratamento em um hospital de Sana.

video-cdn.buzzfeed.com

Uma guerra civil começou, em fevereiro do ano passado, depois que rebeldes xiitas houthis forçaram o presidente Abd Rabbuh Mansur Al-Hadi a fugir da capital.

Hadi é apoiado por comunidades do sul do país, região predominantemente sunita. Hadi diz que os houthis são representantes do Irã, acusação que o governo de Teerã nega. Como resultado, a coalizão liderada pela Arábia Saudita, que ofereceu seu apoio a Hadi, tem se envolvido em ataques aéreos que custaram milhares de vidas, muitas delas de civis.

O Iêmen, que importa 90% de sua comida, já tinha uma das mais altas taxas de desnutrição de crianças no mundo antes da eclosão da guerra, de acordo com a Associated Press. Quase 18 meses depois de um bloqueio liderado pela Arábia Saudita, a situação piorou.

Este é Hanadi Dawod, de 2 anos. Ele teve desnutrição aguda porque sua família não conseguia comprar comida para ele.

Desde o início da guerra, no ano passado, o custo médio de uma cesta básica subiu 26%. Desde abril, o preço aumentou 13%, de acordo com um relatório do Programa Mundial de Alimentos. A situação se tornou tão grave que, de acordo com a organização Médicos Sem Fronteiras, eles tiveram que aumentar os salários do seu pessoal em até 50% em algumas regiões, para que eles pudessem continuar a comprar comida.

Em março, 10 das 22 províncias do Iêmen foram consideradas à beira da fome. Hoje são todas, exceto duas, de acordo com um relatório recente da BBC.

Ali Mohammed al-Tawaari, de seis meses, foi tratado em Sana para desnutrição aguda e outras complicações.

"Se você olhar para seu rosto, você pode ver que a morte está se aproximando", disse a mãe de Ali, Wadha, à Reuters, enquanto eles fotografavam seu filho em junho do ano passado. Ninguém sabe se Ali sobreviveu.

Em uma entrevista para a BBC, Ashwaq Muharram, médica iemenita, disse que ela estava usando seu próprio dinheiro para comprar remédios e comida para seus pacientes. "Os ricos agora são a classe média, a classe média agora são os pobres e os pobres agora estão morrendo de fome", disse.



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