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18 pessoas contam em que momento perceberam que eram brancas

"Fui detida em flagrante e, dentro da viatura, os policiais me orientaram a inventar uma desculpa para não ser presa."

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Perguntamos para as pessoas em que momento elas perceberam que eram brancas e que a cor delas as diferenciava de algum modo. Eis as respostas:

1. "Eu e meu namorado sofremos um sequestro relâmpago. Quando enfim conseguimos chamar a polícia e descemos do carro, meu namorado foi enquadrado e revistado."

"Ele teve armas apontadas para a sua cabeça, mesmo eu dizendo repetidas vezes que era o meu namorado. O policial alegou que era procedimento. Mas por que eu não passei por esse mesmo procedimento? Foi aí que eu entendi que ele passou por isso porque é negro e eu não." - Marcela Zillisg

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2. "Quando um amigo negro teve que ligar para a minha amiga pedindo para liberar ele na portaria do prédio."

"Quando um amigo negro teve que ligar para a minha amiga pedindo para liberar ele na portaria do prédio. Eu tinha acabado de subir sem falar nada com ninguém." - Victor Nascimento

3. "Eu fui detida em flagrante e dentro da viatura os policiais me orientaram a inventar uma desculpa para não ser presa."

"Quando eu tinha dezessete anos, fui pega roubando na rua, assalto mesmo. Na época, morava na rua e era usuária de crack. Para resumir a história: fui detida em flagrante e dentro da viatura os policiais me orientaram a inventar uma desculpa para não ser presa. Sugeriram para eu dizer que tinha confundido a vítima com alguém que deu em cima do meu namorado e por isso parti para agressão. E foi assim que me livrei de ir para a Febem." - Anônimo

4. "Muitas pessoas perguntavam por que eu era amiga dela. Quando a gente andava juntas, ficavam gritando coisas horríveis para nós. O motivo? Ela era negra e eu branca."

"Quando eu tinha uns quatorze anos, fiquei amiga de uma menina que morava no mesmo condomínio que meu pai. Ela era muito legal, divertida e inteligente. Eu não conseguia entender por que ela não tinha muitos amigos e por que estudava em casa e não na escola. Mas pouco tempo depois descobri o motivo. Muitas pessoas perguntavam por que eu era amiga dela. Quando a gente andava juntas, ficavam gritando coisas horríveis para nós. O motivo? Ela era negra e eu branca." - Anônimo

5. "Quando vou ao banco, não tiro as chaves do bolso e a porta não me barra."

"Quando vou ao banco usando camiseta regata da escola de samba Salgueiro e bermuda tactel. Não tiro as chaves do bolso e a porta não me barra." - Lucas Fazzi

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6. "Um amigo negro pediu para eu chamar um táxi para ele porque seria muito difícil ele conseguir parar algum carro naquela hora."

"Um dia encontrei um amigo negro na rua, saindo da mesma 'naite' que eu. Ele pediu para eu chamar um táxi para ele por que seria muito difícil ele conseguir parar algum carro naquela hora." - Julia Debasse

7. "Na entrevista do visto americano, quando vi uma pessoa na minha frente que era negra ser reprovada e eu fui aprovada."

"Fizeram diversas perguntas para essa pessoa em questão, muitas mesmo. Fiquei morta de medo, mas para mim foi somente 'quando você viaja?'. Dez segundos depois, eu estava aprovada." - Tamires Posenato

8. "Quando eu era criança e saía junto com as duas (minha mãe e tia), as pessoas perguntavam se minha mãe era minha babá."

"Minha mãe é negra e minha tia, irmã do meu pai, é loira de tem olhos azuis. Apesar de ter todos os traços da minha mãe e cabelo crespo, nasci branca, loira e com os olhos verdes. Daí que quando era criança e eu saia junto com as duas, as pessoas perguntavam se minha mãe era minha babá." - Carol Betella

9. "Basicamente, todos os negros desceram e só ficaram os brancos para seguir para os bairros do Leblon para frente."

"Não foi o primeiro momento, mas para mim foi o mais marcante. No fim do ano passado/começo desse ano, passei uma semana no Rio de Janeiro. Estava hospedado na Lapa e um dia resolvi dar rolê lá para os lados do Leblon para conhecer um bar. Fui de metrô e estava cheio de gente preta, branca, normal como a vida é - peguei na Cinelândia. Mas bastou chegar na baldeação na General Osório para a linha ficar 100% branca. Basicamente, todos os negros desceram e só ficaram os brancos para seguir para os bairros do Leblon para frente. Eu não sei se acontece sempre no Rio, mas quando eu olhei ao redor e percebi o que tava rolando, reparei o quanto era/sou muito privilegiado. E me senti mal por imaginar que isso acontece todos os dias na cidade, que muita gente simplesmente não deve ir para esses bairros por não ter dinheiro, não ser bem recebido, não ter acesso a nada de bom que tem por lá." - Davi Rocha

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10. "A ficha de que as pessoas brancas eram o padrão para mim só caiu quando o meu irmãozinho, da família que me hospedava, pediu para eu passar para ele o giz de cera 'cor da pele', e eu passei o bege."

"Quando tinha 16 anos, fiz intercâmbio nos Estados Unidos, no Mississippi, perto do Texas. Até então, nunca tinha convivido com uma pessoa negra que não fosse a diarista da minha avó. A ficha de que as pessoas brancas eram o padrão para mim só caiu quando o meu irmãozinho, da família que me hospedava, pediu para eu passar para ele o giz de cera 'cor da pele', e eu passei o bege. Ele olhou para mim e disse 'não, a cor da minha pele'. Desde então tento desconstruir essa racismo internalizado." - Juliana Vianna Silva

11. "Quando fui a um supermercado e achei que um cliente era o segurança."

"Quando fui a um supermercado, há alguns anos, e fui pedir uma informação a um rapaz julgando ele ser o segurança do lugar. Ele, muito constrangido, disse que era um cliente. Quem deveria ter vergonha seria eu. E fiquei mesmo." - Flávia Durante

12. "No dia em que policiais perguntaram se eu estava sendo sequestrado pelos meus primos."

"No dia que meus primos e eu estávamos indo de carro para o cinema. Uma blitz parou o carro e um policial me perguntou se eu estava sendo sequestrado. Eu tinha 9 anos, meus primos são negros." - Felipe Felisardo

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13. "Soube que dois amigos negros que estavam comigo no protesto foram também abordados, espancados e ameaçados de morte caso voltassem a participar de uma manifestação."

"Em uma manifestação em 2013, os policiais marcaram um grupo de pessoas do qual eu fazia parte e, ao final do protesto, abordaram muitos de nós em separado na volta para casa. Uma viatura me seguiu e fez uma abordagem agressiva, com arma apontada e muita gritaria. Quando achei aquilo tudo um absurdo e desrespeito total, soube que dois amigos negros que estavam comigo no protesto foram também abordados, espancados e ameaçados de morte caso voltassem a participar de uma manifestação. Um deles de fato nunca voltou. Ou seja, olha a diferença das abordagens. As duas condenáveis, sem dúvida, mas ao mesmo tempo muito distintas. Eu cheguei em casa de boa e intacto, meus colegas não." - Anônimo

14. "Chegando lá, minha mãe ouviu de uma enfermeira: 'Cadê a mãe dessa criança?'"

"Percebi quando minha mãe, que é negra, contou que, quando eu era muito bebêzinho e estava bem doente, ela teve que me levar na emergência de um hospital. Chegando lá, ela ouviu de uma enfermeira: 'Cadê a mãe dessa criança? Como ela deixa a empregada trazer o próprio filho ao hospital?'" - Txai Ferraz

15. "Fui pega roubando e, antes de ir embora, o segurança me disse 'Vou te liberar porque eu não sei quem você é, você pode ser filha de juiz, neta de desembargador...'."

"Aos 12 anos, roubei chocolates em um supermercado da zona sul do Rio de Janeiro, em Ipanema. Fui pega, o segurança me deu uma bronca intimidadora, devolvi tudo. Antes de ir embora, ele me disse 'Vou te liberar porque eu não sei quem você é, você pode ser filha de juiz, neta de desembargador...'. Cheguei em casa e contei para a minha mãe. Tomei um esporro pelo roubo e ela arrematou: 'Imagina o que teria acontecido se você fosse menina de rua, negra?'" - Anônimo

16. "Ambas éramos de famílias com a mesma classe social, mas era somente ela, a garota negra, que era excluída dessa forma monstruosa."

"Estudei em uma escola particular no primário e era bolsista, assim como alguns coleguinhas. Uma das minhas amigas, também bolsista, era negra. Eu não me lembro de ter nenhuma outra garota negra na minha sala, só ela, o que já a destacava de alguma forma. Essa menina sofria muito bullying, muito mesmo. Quando eu tinha uns 5 ou 6 anos, um grupo de meninas disse que não era para NINGUÉM brincar com a garota. Assim, sem motivo algum. Eu me lembro de chegar no parquinho e ver ela brincando sozinha, chorando, porque ninguém queria ficar perto. Fomos eu e outras colegas/amigas brincar com ela, mas me lembro de ficar muito triste/chocada com a situação. Ela já era excluída em muitos momentos sem motivo NENHUM. Como éramos amigas fora da escola também, eu não entendia, já que ela era tão legal e divertida. Só fui me dar conta do real motivo disso nesse dia, porque ambas éramos de famílias com a mesma classe social, mas era somente ela, a garota negra, que era excluída dessa forma monstruosa." - Anônimo

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17. "Roubei o chocolate de uma conveniência sem nem mesmo ter tido a intenção. Isso se chama privilégio branco. Pessoas negras são acusadas de roubo sem nem mesmo estarem cogitando isso."

"Há algumas semanas, fui ao posto de gasolina para comprar uns lanchinhos. Tenho o hábito de ser muito apressado e sempre como antes de chegar na fila. Dito isso, fui até a prateleira, abri um pacote de Doritos, comi uns amendoins e fui ao caixa pagar. Paguei tudo que tinha consumido, fui para o lado externo da loja, fumei um cigarro com uns amigos e depois fomos embora. Alguns minutos depois, percebi que estava levando um chocolate comigo. Acabei pegando o chocolate por distração, coloquei NO BOLSO DA FRENTE DO CASACO (aquele bolsinho que fica exposto), sendo que o chocolate era maior que o bolso e estava MUITO evidente para as pessoas que me viam. Ainda assim, ninguém me perguntou nada, me parou, me olhou torto ou considerou me dirigir a palavra de modo abrupto. Roubei o chocolate de uma conveniência sem nem mesmo ter tido a intenção. Isso se chama privilégio branco. Pessoas negras são acusadas de roubo sem nem mesmo estarem cogitando isso." - Anônimo

18. "Cerca de três policiais enfileiraram os oito rapazes ao lado do ônibus e revistaram um por um. Enquanto isso, fiquei ao lado, em pé, sem ser revistado, observando de modo completamente intocável."

"Estava voltando da faculdade aqui em Salvador quando um grupo de policiais resolveu parar o ônibus. Estava dormindo no fundo e só me toquei do que ocorria quando notei o policial mandando todos os homens descerem. Haviam nove homens contando comigo, eu era o único branco.

Cerca de três policiais enfileiraram os oito rapazes ao lado do ônibus e revistaram um por um. Enquanto isso, fiquei ao lado, em pé, sem ser revistado, observando de modo completamente intocável, me sentindo constrangido pela exclusividade que foi a mim concedida. Para não dizer que não aconteceu nada, um deles me pediu para abrir a mochila, e assim o fiz. Ele olhou superficialmente, notou que tinham vários papéis de bala (porque não costumo jogar na rua), e ainda me parabenizou com um grande sorriso: 'além de tudo, é um exemplo de cidadão'.

Em seguida, o policial mandou eu voltar para o ônibus. Tive que esperar por mais 15 minutos enquanto os outros eram revistados insistentemente, sendo que um deles foi levado porque estava sem documento. O ponto é: eu também estava sem, mas ninguém chegou a pedir." - Anônimo

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