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Refugiados sírios na França dizem que o terror em Paris é o terror do qual fugiram

Alguns refugiados dizem que esperam uma reação contra eles após os ataques.

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Sírios que fugiram de uma guerra brutal, e muitas vezes empreenderam viagens marítimas arriscadas para se estabelecer na França, reagiram com horror aos ataques terroristas de sexta-feira em Paris e disseram que eles reconheceram o inimigo muito bem. "Os sírios deixaram a Síria de maneiras perigosa para viver em paz, mas os assassinos os seguiram para a Europa", disse Moaz Shaklab, um empresário da cidade síria de Homs que se estabeleceu na França há dois anos como refugiado.

Os ataques em Paris poderia desencadear novas ondas de islamofobia na França e em outros lugares — e com isso o medo dos refugiados chegando na Europa vindos da Síria e de outros países. Isso é exatamente o que quer o ISIS; o grupo fez votos para tornar impossível os muçulmanos existirem pacificamente no Ocidente. No entanto, os cidadãos da França compartilham um aliado contra o extremismo islâmico na maioria dos refugiados que se estabelecem ali. Muitos sírios recém-chegados tentaram escapar do terror do ISIS e de outros grupos jihadistas, além da campanha brutal que está sendo feita por Bashar al-Assad.

Muitos trabalharam contra o ISIS e outros grupos jihadistas antes de sair ou têm amigos e familiares fazendo isso agora. "Estamos unidos com o povo francês contra o terrorismo", disse Shaklab. "E nós não nos esquecemos que eles estão unidos a nós para obtermos a nossa liberdade."

Policiais franceses disseram à AP no sábado que haviam encontrado no local de um ataque um passaporte sírio, o qual acreditavam pertencer a um assaltante. Mas por causa da crise dos refugiados, os passaportes falsos sírios estão agora preponderantes e fáceis de obter. Seja o passaporte autêntico ou não, a notícia da sua descoberta pode ajudar espalhar o temor de refugiados — o que pode ter sido a intenção do homem que o trouxe para a cena.

Sakher Edris, jornalista e organizador político que trabalhou contra o ISIS e o governo sírio antes de fugir para a França neste verão, disse que espera uma reação contra os refugiados na sequência dos atentados. "Nós estamos realmente com medo", disse ele. "Os franceses são gentis, e é compreensível que exista alguma reação, mas queremos que eles saibam que nós estamos com eles contra o terror."

Uma mulher síria de 35 anos de idade, de Damasco, pegou um barco de refugiados para a Europa em agosto e veio para a França "para procurar a paz e um novo futuro", disse ela. "Mas parece que o terrorismo está em toda parte e não distingue entre muçulmanos e cristãos."

A mulher pediu para permanecer anônima para proteger os familiares que ainda vivem na Síria. "As minhas condolências ao povo francês, e nós estamos unidos a eles", disse ela. "Espero que eles nos entendam e mantenham a calma, porque a reação deve ser contra o terrorismo, e não contra as pessoas que fugiram do terrorismo."

A França recebeu muito menos refugiados sírios do que os principais destinos como a Suécia e a Alemanha, com mais de 5.000 desde 2012. O país também se comprometeu em acomodar 24.000 novos refugiados no total ao longo dos próximos dois anos.

Sírios em outros países, no entanto, também esperam reações. "Coisas assim irão acontecer. O ISIS quer que as pessoas sejam contra o próprio Islã ", disse Lawand Kiki, um ativista sírio que recebeu asilo na Alemanha. "Mas espero que as pessoas na Europa entendam que os refugiados que vieram para este continente fizeram isso por causa de pessoas como eles."

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