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O que acontece quando o BuzzFeed Brasil julga os chefs do MasterChef

A equipe do BuzzFeed Brasil foi aos restaurantes dos chefs Paola Carosella, Erick Jacquin e Henrique Fogaça para ver se seus pratos são mesmo dignos de serem chamados de "MasterChef".

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Divulgação/Band

O MasterChef Brasil é um reality show de sucesso no Brasil e um dos programas da TV aberta brasileira que mais recebe interações da internet em tempo real. Parte disso se deve às estrelas do programa, os chefs-jurados Henrique Fogaça, Paola Carosella e Erick Jacquin, que julgam os pratos com seus critérios rigorosos e sempre exigem dedicação e criatividade dos participantes.

Eles parecem entender muito de comida, mas às vezes você pode se perguntar: "será que eu curtiria a comida deles também?". Com esta questão em mente, a equipe do BuzzFeed Brasil resolveu visitar três dos restaurantes dos chefs: Sal, do chef Fogaça, Arturito, da Paola e o Tartar&Co., que tem a assinatura do chef Jacquin. Tentamos conferir se os pratos dos restaurantes dos jurados são mesmo "MasterChef" -- eles realmente entregam o que prometem, valorizam o "protagonista do prato" e emocionam a pessoa que os está provando?

As resenhas que você acompanha a seguir não têm a pretensão de funcionar como uma crítica culinária séria, e sim tentam ser um trabalho jornalístico-moleque para te ajudar a conhecer melhor sobre o programa.

Os integrantes do BuzzFeed Brasil que participaram da experiência e doaram seus estômagos para o bem da internet são: Clarissa Passos, Juliana Kataoka, Flora Paul, Gaspar José, Iran Giusti, Alexandre Orrico e Manuela Barem. O BuzzFeed Brasil arcou com todas as despesas dos jantares e os restaurantes não foram avisados de que seriam avaliados.

O Arturito, da chef Paola Carosella, foi reformado em 2013 para se tornar menos formal. O ambiente mantém uma atmosfera elegante -- embora sem formalidades. Mas mesmo assim, Juliana Kataoka disse que até botou uma "roupinha melhor" para ir jantar lá. "Não que o atendimento fosse empolado, mas todo mundo lá tem cara de quem tem dinheiro".

A especialidade mais citada da casa são as empanadas saltenhas, receita típica da Argentina, terra natal da chef. Mas a equipe não achou nada demais nelas. As entradas preferidas foram o choripan, um cachorro-quente argentino feito de linguiça artesanal, e o crostini de berinjela defumada, ricota artesanal e oliva crudo. "Para falar a verdade, eu não sabia direito o que era um crostini, então o pão embaixo foi uma surpresa -- muito agradável, porque contrastou com as texturas molinhas da berinjela defumada e da ricota artesanal que acompanha tudo, bem temperadinho com pimenta", diz Clarissa.

Alexandre: Restaurante de respeito, com ótimo serviço. O cardápio já enche os olhos com entradas como choripan e empanadas, que entregam a origem portenha da chef. Provei um delicioso ceviche de ostras antes de comer o polvo na brasa com feijão manteguinha - prato perfumado e irretocável. É preciso ter em mente que o Arturito é ótimo, mas caro: prepare-se para desembolsar R$ 100 por pessoa fora os drinques, que podem facilmente dobrar a conta.

Clarissa: Meu prato principal foi um nhoque de ricota de búfala com linguiça artesanal de porco e espinafres. O formato do nhoque é diferente, parece uma mini-empanadinha. Só o cheiro já me deu água na boca, e o gosto não decepcionou. Mas a porção só foi suficiente porque eu tinha comido uma entrada. A minha sobremesa, rabanada com creme inglês e laranjinha kinkan, não foi a mais memorável da mesa: a Juliana teve as honras de pedir o melhor sorvete de doce de leite que eu já comi.

Juliana: De prato principal escolhi um tagliarini com camarõezinhos frescos, couve flor, bisque e creme de leite. De todos os pratos da mesa o meu foi o único que eu não gostei, o polvo do Alexandre foi o mais gostoso. Mas o tanto que eu errei no prato principal, eu acertei na sobremesa! O sorvete de doce de leite foi o sorvete de doce de leite mais gostoso que eu já comi na minha vida e vem tanto que até eu, que não costumo dividir meus doces, tive que pedir ajuda para os meus companheiros de mesa.

Gaspar: Fiquei sabendo que o ponto alto do restaurante eram os pratos feitos no forno a lenha, então como prato principal eu escolhi uma anchova assada sobre folhas de erva doce, cavolonero, que é um tipo de couve enrugada que estava refogada com alho, e aioli, que é tipo uma maionese de alho. O peixe estava saborosíssimo e muito bem tostado. O único problema é que tinha um alho meio cru no refogado da couve e eu fiquei com bafo de alho na boca o resto da noite.

Os pratos do Arturito são deliciosos e tem algo que fica entre o elegante e o rústico, mas sem afetação. É um ótimo lugar para levar alguém que você precisa impressionar, tipo um chefe, um potencial cliente ou até mesmo um futuro namorado. A equipe que foi neste dia voltaria ao restaurante, mas logo no começo do mês e pedindo os pratos certos; nem tudo vale o preço para quem faz as contas na ponta do lápis para fechar o cartão.

Fomos ao restaurante do qual chef Jacquin é responsável pelo cardápio e consultoria na expectativa de provar o tartar que, como o nome da casa já entrega, é o carro-chefe do lugar, e também o famoso petit-gateau, que contribuiu para a fama do chef no Brasil - supostamente, foi Jacquin quem trouxe a sobremesa para o país. Alguns conhecidos da equipe haviam dito que o lugar não valia tanto a pena, então chegamos no lugar com as expectativas baixas, mas infelizmente fomos surpreendidos: para o mal.

As entradas vieram mal feitas - bolinho de queijo brie pingando a óleo e pastéis recheados de tartar com a massa totalmente seca. Os acompanhamentos dos pratos também não tinham qualidade, assim como as sobremesas (a única que se salva é o tartar de profiteroles, que não é nada demais).

Alexandre: Achei a música alta demais assim que entrei no restaurante. O ambiente intimista (as mesas são pequenas e juntinhas e a luz é baixa) faz com que a música que tocava no lugar soasse especialmente alta. O tartar que pedi, de mignon com figos e mel, estava bem picado e delicioso - o que redimiu o pastel de tartar que comi de entrada, que tinha uma massa não muito saborosa que esfarelava fácil.

Iran: A decoração é velha, tudo com aspecto de empoeirado. Como prato principal optei pelo tradicionalíssimo croque monsieur e se arrependimento matasse estaria morto e enterrado: o pão era uma pasta, metade queimada metade sem gosto, o presunto desapareceu em meio ao queijo e molho branco insosso. Para coroar umas das refeições mais tristes da minha vida, pedi o petit gateu de apresentação mais triste já feito, além de ter uma textura de bolinho de microondas.

Gaspar: Meu prato principal foi o entrecôte béarnaise pomme rústica, que parecia nada mais do que um bifão com batatinhas e um molho com um gosto forte de erva-doce. A carne estava bem saborosa. As mini batatas que acompanhavam estavam bem oleosas. De sobremesa eu resolvi provar o crème brulée para poder comparar com o do restaurante da Paola, que era bom, e o do Jacquin estava muito inferior. O creme estava bem duro, na textura de uma mousse deixado na geladeira por cinco dias. Um mousse de ovo pesado que não desgrudava da colher. Fiquei chateado.

Manuela: Como prato principal, provei o tartar de mignon "picado na ponta da faca", como diz no cardápio. O sabor e a textura estavam maravilhosos, mas o gosto da maionese dijon parecia mais marcante do que a própria carne. Os acompanhamentos estavam no nível "não serviria isso para meus amigos na minha casa": mini-batatas assadas com gosto do dia anterior (ou 2 dias atrás), salada de folhas frescas que estavam sem tempero e pingando água. Provei o crème brulée do Gaspar, que era impressionantemente ruim, e o petit gateau, que parecia industrializado.

É uma pena descobrirmos que a única coisa boa do Tartar&Co seja apenas o tartar mesmo, mas ainda assim ele não vale o preço (R$ 57). Os demais pratos, acompanhamentos e entradas estavam entre o "apenas ok" e o "ofensivo" - não vale sair de casa e pagar tão caro por algo assim.

O Sal foi o restaurante mais concorrido dos três, sem reservas nem para o próximo mês. Conseguimos ir porque chegamos por volta das 19h30 e ganhamos um encaixe no balcão - sendo bem atentos, porque a recepção não é organizada e o pessoal estava furando fila. Ficar no balcão foi uma ótima ideia porque a gente pôde ver toda equipe e até o Fogaça preparando todos os pratos na nossa frente. O cardápio é encantador: tudo parece familiar e muito gostoso.

Fogaça apareceu mancando (aparentemente ele se machucou em uma das gravações), cumprimentou a todos do restaurante e tirou foto, depois preparou ele mesmo uma comidinha para o seu filho (fofo!). Ao sair do restaurante, a gente encontrou dezenas de caras com casacos de couro e suas respectivas motos do lado de fora. Tudo amigo do chef.

Flora: Pedimos uma entrada de queijo coalho tostado com melado e uva verde, na qual você sente todos os ingredientes e eles combinam lindamente. Também pedi tentáculo de polvo com batatas salteadas, brócolis no alho e tomate-cereja como prato principal. O polvo veio na textura certa, fibroso sem ser borrachudo, e com a pontinha dos tentáculos tão crocante que me emocionou, mas as batatas em grande quantidade tentaram roubar o protagonismo – não estou reclamando, mas a estrela ali era o polvo!

Manuela: Provei o salmão selado com gergelim, acompanhado de um arroz negro suculento e palmito de derreter na boca, o que me fez sentir finíssima. O prato ainda tinha um molho tarê que estava no ponto. Para a sobremesa, dividi com a Flora um brigadeiro de castanha do pará com sorvete de paçoca, estava delicioso.

Juliana: Para o prato principal, escolhi o lombo de cordeiro com purê de dois queijos, funghi e molho de jabuticaba. O purê é bem puxa-puxa e tenho certeza que muitas pessoas podem achar pesado, mas eu tenho estômago de avestruz, amo queijo e fui apenas feliz. Na sobremesa, fui de mousse de chocolate belga, caramelo e sal negro. Estava gostoso, mas a sobremesa da Manu e da Flora estava muito melhor!

Os pratos são deliciosos sem ser pretensiosos -- os ingredientes combinam muito bem, o tempero é bom e não tem cara de comida gourmetizada, cheia de redução de não sei o quê. Também gostamos do fato de ser um lugar confortável, você não fica se sentindo um caipirão no restaurante chique. Voltaríamos em datas especiais (o restaurante não é tão barato) e talvez quando passar a modinha. Vale dizer que dá para tentar ir no almoço executivo, que sai por R$ 45, bem mais em conta do que o preço do jantar.

"Achei legal me colocar no lugar deles, mas esperava mais" - Gaspar José

"Gastronomia é bom, mas custa caro. E nem sempre o que custa caro é bom" - Clarissa Passos

"Julgar é fácil, difícil é cozinhar gostoso" - Juliana Kataoka

"Mesmo uma semana após a experiência, ainda ando por aí cabisbaixo" - Iran Giusti

"Para quem grita tanto, as experiências poderiam emocionar mais" - Flora Paul

"Se por um lado é muito ruim pagar por algo que não é gostoso, por outro lado é ok pagar por uma experiência boa que você só conseguiria ter no restaurante" - Alexandre Orrico

"É muito bonito ver um ingrediente receber o melhor tratamento possível. E é frustrante ver que seu chef preferido no programa pode te decepcionar na vida real" - Manuela Barem

Serviço:

Arturito (Veja o cardápio aqui)

Endereço: Rua Artur de Azevedo, 542, São Paulo

Telefone: (11) 3063-4951

Site: www.arturito.com.br

Tartar&Co. (Veja o cardápio aqui)

Endereço: Avenida Pedroso de Morais, 1003, São Paulo

Telefone: (11) 3031-1020

Site: www.tartarandco.com

Sal (Veja o cardápio aqui)

Endereço: R. Minas Gerais, 350, São Paulo

Telefone: (11) 3151-3085

Site: www.salgastronomia.com.br

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