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Museo di Palazzo Poggi, Universita' di Bologna / Joanna Ebenstein

A Vênus Anatômica

The Anatomical Venus, livro de Joanna Ebenstein, explora a história de uma bela, e dissecável, obra em cera que era utilizada no ensino de anatomia no século XVIII. Aviso: imagens fortes.

publicado

Uma Vênus Anatômica é uma obra em cera em tamanho real de uma mulher, geralmente com cabelo humano de verdade e olhos de vidros, criada para ensinar anatomia ao público em geral no final do século XVIII. Algumas Vênus Anatômicas podem ser desmontadas, dissecadas, para revelar a presença de um feto no útero. Outras são apresentadas em estados estáticos, com os órgãos internos à mostra: anatomicamente despidas.

Josephinum, Collections and History of Medicine, MedUni Vienna / Joanna Ebenstein

Essa Vênus Anatômica, produzida pelo museu La Specola entre 1784 e 1788, está exibida em seu mostruário original, de pau-rosa e vidro veneziano, no museu Josephinum em Viena, Áustria.

Joanna Ebenstein do Museu de Anatomia Mórbida, localizado no Brooklyn, viajou pelo mundo para escrever sobre a história desses modelos em cera no seu livro The Anatomical Venus.

Ebenstein contou ao BuzzFeed: “Em 2007, fiz uma peregrinação de um mês para fotografar objetos nos maiores museus médicos dos EUA e da Europa, coletando material para uma exibição chamada Teatro Anatômico. De todos os objetos incríveis, perturbadores e tentadores que vi naquela viagem, o mais fascinante de todos foi a Vênus Anatômica.

“A primeiríssima foi criada em 1780, na Florença, Itália, onde era o elemento central de uma ‘enciclopédia em cera’ do corpo humano no Museu de Física e História Natural, mais conhecido como La Specola, que foi o primeiro museu de ciências verdadeiramente público, aberto a homens, mulheres e crianças.”

“As Vênus Anatômicas originais eram feitas por um artista talentoso em colaboração com um anatomista ou filósofo natural. As melhores eram feitas no ateliê do artista Clemente Susini, que chefiou o estúdio de cera do La Specola por muitos anos.

"A equipe começava escolhendo uma ilustração em um atlas médico bem conhecido, de anatomistas como Vesalius, Albinus ou Mascagni. Também conseguiam cadáveres e partes de corpos no hospital de Santa Maria Nuova, que ficava perto do ateliê, para que cada órgão e elemento pudesse ser reproduzido com o máximo de precisão.

"Um dos objetivos dessas obras em cera era tornar a dissecação humana – que era desordenada, malcheirosa e eticamente problemática – desnecessária.”

“A beleza da Vênus Anatômica era importante para seduzir o espectador, fazer com que ele quisesse aprender, e, ao mesmo tempo, divorciá-la das noções de morte e de túmulo, que é a fonte da maior parte do conhecimento anatômico.

"Como bem disse Arnaud-Éloi Gautier d'Agoty – filho de Jacques-Fabien Gautier d’Agoty, autor de mezzo-tintos anatômicos do século XVIII, incluindo o famoso 'O Anjo Esfolado': 'Para que os homens sejam instruídos, devem ser seduzidos pela estética, mas como alguém pode apresentar a imagem da morte como algo agradável?'

"A Vênus Anatômica resolveu esse problema parecendo estar viva, sem dor e sanguinolência, e inspirando-se em uma longa tradição de representações artísticas de Vênus, deusa do amor, beleza e fertilidade.

"Para que os homens sejam instruídos, devem ser seduzidos pela estética, mas como alguém pode apresentar a imagem da morte como algo agradável?"

"Eu acredito que a obsessão moderna por mocinha bonitas mortas torna a Vênus Anatômica estranha, lasciva e desconcertante para muitas pessoas atualmente. Acho que é simplesmente impossível não enxergá-la através das lentes de coisas posteriores a ela – filmes slasher com suas belas vítimas evisceradas, assassinatos com conotação sexual e bonecas infláveis.

“Eu viajei para ver e fotografar todas as Vênus que consegui encontrar. Li todo o material ao qual tive acesso, de artigos acadêmicos a catálogos de arquivos de museus. Entrei em contato com colecionadores particulares. Entrevistei curadores. E fui à Itália para tentar compreender a Vênus dentro de seu contexto histórico e cultural.

"Quanto mais aprendia, mais dúvidas tinha. Senti que poderia passar o resto da minha vida seguindo todos os passos que levam até e partem da Vênus Anatômica e que nunca concluiria o trabalho.”


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