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Trecho de gravação mostra Renan e delator julgando gente que faz gravações

Presidente do Senado temia ser gravado por Delcídio, mas foi ex-afilhado político que o traiu gravando e entregando a conversa para a Lava Jato.

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No meio do conjunto de áudios divulgados nesta quarta pelo jornal "Folha de S.Paulo", há um trecho da conversa entre o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado que você precisa conhecer.

MACHADO - [...] Então precisa ser feito algo no Brasil para poder mudar jogo porque ninguém vai aguentar. Delcídio vai dizer alguma coisa de você?

RENAN - Deus me livre, Delcídio é o mais perigoso do mundo. O acordo [inaudível] era para ele gravar a gente, eu acho, fazer aquele negócio que o J. Hawilla fez.

MACHADO - Que filho da puta, rapaz.

Delcídio do Amaral é o ex-senador do Mato Grosso do Sul que fez um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República. Ex-petista, ele foi cassado este mês pelo Senado.

J. Hawilla é o empresário do marketing esportivo que, para evitar ser preso, fez um acordo com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos e passou a gravar cartolas da CBF dentro da investigação de corrupção na Fifa.

Renan não sabia, mas naquele momento estava sendo, ele próprio, grampeado pelo próprio Sérgio Machado.

Foi Sérgio Machado que procurou Renan e o gravou secretamente. O presidente do Senado é alvo de 12 inquéritos que tramitam no Supremo Tribunal Federal.

Renan indicou Sérgio Machado para a presidência da Transpetro em 2003, no início do governo Lula.

Na conversa com o ex-afilhado político, Renan defendeu uma mudança na lei para proibir delações premiadas de pessoas presas, o que restringiria o raio de possibilidades da Operação Lava Jato.

Veja transcrições e ouça os áudios obtidos pelo jornal aqui.

Apelidado de gravador-geral da República, Sérgio Machado já é delator

Na noite de terça, o ministro Teori Zavascki, relator das ações da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, homologou o acordo de delação premiada.

Machado é suspeito de receber e repassar propina por contratos de empreiteiras com a Transpetro, subsidiária de transporte da Petrobras. Ele presidiu a estatal entre 2003 e 2014.

A conversa gravada por Sérgio Machado derrubou Romero Jucá do Ministério do Planejamento.

Na ocasião, o então senador de Roraima era o principal articulador do impeachment de Dilma Rousseff. Jucá disse a Machado que a troca de Dilma por Michel Temer permitiria um "pacto" com o Supremo Tribunal Federal para "estancar a sangria" - isto é, deter a Operação Lava Jato.

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