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Como um delator conseguiu derrubar 3 ministros de Temer em 36 dias

Sérgio Machado é um peso-pesado. Ex-senador, ele tinha acesso privilegiado à cúpula do PMDB, gravou caciques e, depois, numa série de depoimentos, entregou os detalhes do propinoduto que ele mesmo operava.

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Na tarde desta quinta (16), o presidente interino, Michel Temer (PMDB), assistiu à queda de seu terceiro ministro em 36 dias de governo. Todos pelo mesmo motivo: as revelações de Sérgio Machado, delator na Operação Lava Jato e ex-presidente da Transpetro.

Sérgio Machado é um delator peso-pesado. Ex-senador, ele tinha acesso privilegiado à cúpula do PMDB e gozava de confiança a ponto de muitos caciques fazerem confidências sobre a Lava Jato. O que não sabiam é que Machado estava gravando as conversas para entregar aos investigadores.

Depois, numa série de depoimentos, entregou os detalhes do propinoduto que operava.

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O primeiro a cair foi o senador Romero Jucá (PMDB-RR), do Ministério do Planejamento. Ele caiu no 11º dia de governo.


Em gravação revelada pelo jornal “Folha de S.Paulo”, Jucá diz a Machado que o governo Temer deveria articular “um pacto” para “estancar a sangria”. Ele negou que estivesse tentando barrar a Lava Jato — caiu mesmo assim.

O segundo da fila foi o advogado Fabiano Silveira, então titular do recém-criado Ministério da Transparência, a antiga CGU (Controladoria-Geral da União).



Também em diálogo gravado por Machado, ele comentou estratégias jurídicas para que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) — que também participava da conversa —, respondesse às acusações que sofre na Lava Jato. Silveira e Renan negaram qualquer intenção de interferir nas investigações.

Henrique Eduardo Alves (PMDB), ministro do Turismo desde o governo Dilma, pediu demissão do cargo nesta quinta. A íntegra da delação de Machado veio à tona um dia antes, detalhando as acusações contra o peemedebista.


Machado afirma ter repassado R$ 1,55 milhão em propina a Alves, entre 2008 e 2014. Segundo o delator, a fonte do dinheiro seriam contratos da Transpetro. O agora ex-ministro negou ter recebido repasses ilegais.

Ele já havia sido citado por outro delator da Lava Jato, um dos donos da OAS, Léo Pinheiro. O político teria recebido dinheiro da empreiteira em troca de favores, o que também nega.

Em sua carta de demissão a Temer, Alves afirma que pediu para deixar o cargo a fim de não causar constrangimentos ao governo.

Machado envolve o próprio Michel Temer no esquema. O delator contou que Temer pediu R$ 1,5 milhão em recursos ilegais para a campanha de Gabriel Chalita à Prefeitura de São Paulo, em 2012.

Temer rebateu o ex-aliado nesta quinta, em pronunciamento. Ele negou todas as acusações, chamou Sérgio Machado de criminoso e acrescentou: “Se tivesse cometido delito, não teria condições de presidir o Brasil”.

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Antes de ser acusado por Machado, em entrevista ao SBT Brasil, Temer chegou a defender que qualquer ministro incriminado na Lava Jato deveria sair do governo por iniciativa própria: “Acho que os ministros sairão, eu não tenho a menor dúvida disso. Se houver incriminações, acho que o próprio ministro tomará a providência”.

Ao todo, a delação de Sérgio Machado acusa 25 políticos, de sete partidos: PMDB (10), PT (6), PSDB (3), DEM (2), PC do B (1), PDT (1), PSB (1) e PP (1). Além dos integrantes da cúpula peemedebista, outros importantes políticos foram acusados pelo delator.

  • O senador Aécio Neves (PSDB-MG) é acusado por Machado de ter recebido R$ 1 milhão em doações ilegais, na campanha de 1998. Ele nega.

  • A deputada Jandira Feghali (PC do B-RJ) também é acusada de ter solicitado doações ilegais. Ela também nega.

O governador em exercício do Rio, Francisco Dornelles (PP), é acusado de ter recebido R$ 250 mil em propina. Ele nega.

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