back to top

Como o governo Temer foi sitiado pela Lava Jato

Pedidos de prisão de cúpula do PMDB são duro golpe no Palácio do Planalto

publicado

Os pedidos de prisão feitos pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra a cúpula do PMDB encurralaram o presidente interino Michel Temer. Caciques de seu partido, que são fundamentais para viabilizar seu governo politicamente, são suspeitos de tentar atrapalhar a Lava Jato.

Presidente interino Michel Temer, entre o senador Romero Jucá e o presidente do Senado, Renan Calheiros: os dois tiveram a prisão pedida por Rodrigo Janot.
Adriano Machado / Reuters

Presidente interino Michel Temer, entre o senador Romero Jucá e o presidente do Senado, Renan Calheiros: os dois tiveram a prisão pedida por Rodrigo Janot.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu as prisões do presidente do Senado, Renan Calheiros, do senador Romero Jucá, do presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha, e do ex-presidente da República José Sarney. Ainda não são conhecidos detalhes que embasam os pedidos de prisão.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu as prisão da cúpula do PMDB na semana passada.
Andressa Anholete / AFP / Getty Images

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu as prisão da cúpula do PMDB na semana passada.

A informação dos pedidos de prisão de Renan, Jucá e Sarney foi revelada pelo jornal "O Globo". Leia aqui.

O homem-bomba do PMDB é o ex-presidente da Transpetro Sergio Machado. Ele fez acordo de delação premiada, gravou secretamente os caciques da legenda e denunciou a entrega de R$ 70 milhões a Renan, Jucá e Sarney. Além disso, recolheu evidências de obstrução da Justiça que motivaram os pedidos de prisão.

O ex-presidente da Transpetro, Sergio Machado, foi indicado pelo PMDB para a presidência da Transpetro, subsidiária de transporte da Petrobras, virou delator da Lava Jato e traiu antigos chefes políticos.
Agência Petrobras / Via Fotos Públicas

O ex-presidente da Transpetro, Sergio Machado, foi indicado pelo PMDB para a presidência da Transpetro, subsidiária de transporte da Petrobras, virou delator da Lava Jato e traiu antigos chefes políticos.

Os pedidos das prisões estão com o ministro Teori Zavascki, relator das ações da Lava Jato no STF (Supremo Tribunal Federal), mas a questão deve ser resolvida pelo plenário, isto é, por todos os 11 ministros da corte. Ainda não há prazo para isso acontecer.

Plenário do STF deve dar palavra final sobre pedidos de prisão feitos por Rodrigo Janot.
Antonio Cruz/Agência Brasil / Via Fotos Públicas

Plenário do STF deve dar palavra final sobre pedidos de prisão feitos por Rodrigo Janot.

A possibilidade de prisão da cúpula do PMDB ainda é encarada com ceticismo por operadores políticos de Brasília. A interpretação corrente é que se autorizar as prisões, o STF vai fragilizar o Congresso e o governo Temer a níveis inéditos. Mesmo se não for acolhido, o pedido de Janot faz o PMDB sangrar.

Se deixar comando do Senado, Renan Calheiros será substituído interinamente pelo petista Jorge Viana (AC). O presidente da comissão de impeachment do Senado, Raimundo Lira (PMDB-PB), afirma que o agravamento da crise não deverá interferir no processo de Dilma Rousseff.

A interpretação do presidente da comissão de impeachment é que pedido de prisão não altera a situação de Dilma Rousseff no Senado.
Douglas Magno / AFP / Getty Images

A interpretação do presidente da comissão de impeachment é que pedido de prisão não altera a situação de Dilma Rousseff no Senado.

“É uma situação que não vai interferir no processo porque a questão (das denúncias) já vinha sendo abordada pela imprensa", disse ao BuzzFeed Brasil.

Renan Calheiros é o presidente do Senado. Peemedebista influente, ele tem o controle da pauta de votações do Senado. Ele já é investigado em ao menos 12 inquéritos no STF (Supremo Tribunal Federal).

Presidente do Senado, Renan Calheiros, foi o último dos caciques do PMDB a embarcar no governo Temer: fiador da governabilidade de Dilma, ele é peça fundamental na tramitação do processo de impeachment.
Ueslei Marcelino / Reuters

Presidente do Senado, Renan Calheiros, foi o último dos caciques do PMDB a embarcar no governo Temer: fiador da governabilidade de Dilma, ele é peça fundamental na tramitação do processo de impeachment.

Em nota divulgada há pouco, Renan se disse "sereno e seguro" e criticou o pedido de prisão como "desproporcional e abusivo".

Camisa 10 da articulação do impeachment no Senado, Romero Jucá durou apenas 11 dias como ministro do Planejamento. Ele foi abatido por uma gravação de um ex-aliado, agora delator, em que dizia que era preciso "estancar a sangria" da Lava Jato.

Romero Jucá durou somente 11 dias no cargo: ele foi a primeira baixa importante no governo Temer.
Adriano Machado / Reuters

Romero Jucá durou somente 11 dias no cargo: ele foi a primeira baixa importante no governo Temer.

Em nota, o senador criticou o "vazamento seletivo" do pedido de prisão sem que tivesse a chance de se defender.

Contra José Sarney, que tem 86 anos, o pedido de Janot foi de prisão domiciliar, com uso de tornozeleira eletrônica. Com base política no Maranhão e no Amapá, o ex-presidente da República exerce forte influência sobre a base de Temer no Senado e na Câmara. Ele é pai do ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho.

Desde que deixou a Presidência em 1990, José Sarney ressurgiu como senador e foi um dos mais importantes fiadores da governabilidade de Lula, de Dilma e, agora, de Temer.
Jefferson Rudy/Agência Senado

Desde que deixou a Presidência em 1990, José Sarney ressurgiu como senador e foi um dos mais importantes fiadores da governabilidade de Lula, de Dilma e, agora, de Temer.

O advogado de Sarney e Jucá, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, disse à agência Bloomberg que o pedido de prisão dos dois é "sem sentido". Leia mais aqui.

O pedido de prisão contra Eduardo Cunha foi o único não baseado na delação de Sérgio Machado. Afastado da presidência da Câmara pelo STF, Cunha ainda interferia na Casa, segundo Janot.

Eduardo Cunha, presidente afastado da Câmara: pedido de prisão coincide com o dia em que Conselho de Ética vota seu afastamento.
Evaristo Sa / AFP / Getty Images

Eduardo Cunha, presidente afastado da Câmara: pedido de prisão coincide com o dia em que Conselho de Ética vota seu afastamento.

O peemedebista, que fez o impeachment tramitar a toque de caixa, ainda tem influência no "centrão", o bloco conservador que é fundamental para Michel Temer aprovar as medidas econômicas e reformas. O pedido de prisão foi conhecido no dia em que o Conselho de Ética da Câmara vota relatório que pede sua cassação.

A sessão do Conselho de Ética foi interrompida na tarde desta terça e deve ser retomada amanhã.

Principal ministro político do governo, Eliseu Padilha esteve com Temer nesta manhã e evitou, em entrevista coletiva, comentar os pedidos de prisão dos homens-fortes do seu partido. "Só quem pode responder é o doutor Janot. Ele sabe porque fez, o que fez, o que escreveu e o que pediu. Eu não sei de nada", esquivou-se o ministro-chefe da Casa Civil.

Temer e Padilha na manhã desta terça em evento sobre a Olimpíada, em Brasília
José Cruz/Agência Brasil / Via Fotos Públicas

Temer e Padilha na manhã desta terça em evento sobre a Olimpíada, em Brasília

Os pedidos de prisão são um novo capítulo da crise. Em menos de um mês, Temer já coleciona os seguintes desgastes:

Escolha de um ministério formado apenas por homens.

Extinção e recriação do Ministério da Cultura.

Queda de dois ministros por causa da operação Lava Jato: Romero Jucá (Planejamento) e Fabiano Silveira (Transparência).

Denúncia de que o ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves, recebeu propinas de empresas contratadas pela Petrobras.

Veja também:

Substituto de Jucá é também alvo de investigação

A promessa de Jucá de ficar no governo durou apenas cinco horas

Informação de que 7 ministros de Temer são investigados na Lava Jato é falsa

Time de Temer tem sobras de governo Dilma e investigados na Lava Jato

Como os diálogos de Romero Jucá viraram a 1ª crise do governo Temer

Você já tem o app do BuzzFeed Brasil?

Baixe gratuitamente no Android e no iOS para ver todos os nossos testes, vídeos, notícias e muito buzz.