go to content

Conheça a história por trás da foto que rodou o mundo tirada na guerra da Síria

Joseph Eid, da agência France Presse, fotografou Mohammad Mohiedine Anis, 70, sentado nas ruínas de sua casa.

publicado

Este é Mohammad Mohiedine Anis. Ele é um sírio de 70 anos que vive no bairro de Al-Shaar, em Aleppo, na Síria. O país vem sendo castigado por uma guerra civil há anos.

Joseph Eid / AFP / Getty Images

A imagem de Anis, sentado nos escombros de sua casa fumando um cachimbo e ouvindo seus discos de vinil, foi tirada por Joseph Eid, da agência France Press (AFP).

Eid, fotógrafo nascido em Beirute, disse ao BuzzFeed News que queria encontrar Anis para ver como ele estava vários meses após um colega da AFP escrever sobre ele durante o cerco à região leste de Aleppo em 2016. "Nós procuramos por ele na vizinhança, perguntamos sobre ele para os moradores e eles nos levaram imediatamente para sua casa. Batemos no grande portão de aço verde e ele abriu para nós", disse Eid.

A imagem foi compartilhada milhares de vezes nas redes sociais nos últimos dois dias. Ishaan Tharoor, do "Washington Post", a postou em sua conta no Twitter na segunda-feira, e, desde então, apenas seu tuíte foi retuitado 6.000 vezes.

"Eu sabia que essa seria uma imagem forte, mas nunca pensei que se tornaria viral como se tornou", disse Eid ao BuzzFeed News.

Anis — também conhecido como Abu Omar — é um entusiasta de carros clássicos que permaneceu na cidade durantes anos de guerra e meses de intenso bombardeio aéreo.

Joseph Eid / AFP / Getty Images

Ele viveu no exterior quando era criança e estudou medicina em Saragoça, na Espanha, nos anos 1970, antes de se mudar para Turim, na Itália, para traduzir um manual de carro da Fiat para árabe, segundo a AFP.

Quando voltou para Aleppo, ele fundou uma fábrica de cosméticos.

Sua paixão, no entanto, são os carros antigos — um interesse que ele herdou de seu pai, um rico empresário que trabalhava na indústria têxtil. Ele dirigia um Pontiac 1950, que Anis ainda guarda.

Anis tinha 30 veículos antigos. No entanto, sua coleção foi reduzida a 20 durante um intenso bombardeio na parte leste da cidade no ano passado, quando muitos deles foram destruídos ou roubados.

Joseph Eid / AFP / Getty Images

Treze de seus carros ainda estão estacionados do lado de fora de sua casa e em seu jardim, mas sete foram confiscados pela polícia porque estavam bloqueando a rua.

Seu carro favorito é este Cadillac 1947 conversível, que, segundo a AFP, conduziu pelo menos seis presidentes ao longo dos anos.

Joseph Eid / AFP / Getty Images

Em 1958, ele foi usado para conduzir os então presidentes egípcios e sírios Gamal Abdel Nasser e Shukri al-Quwatli pelas ruas de Damasco enquanto celebravam a proclamação da breve República Árabe Unida.

"Comprei-o há 12 anos em um leilão por apenas 620 libras [sírias], mas depois tive que pagar 100 vezes mais em impostos porque ele nunca tinha passado pela alfândega", disse Anis. Ele teve que remover o volante e os assentos e o manter escondido dentro de casa para evitar que fosse roubado.

Porém, a guerra já causou prejuízos à coleção de Anis. "Eles estão todos danificados", disse ele, mostrando seus carros.

Joseph Eid / AFP / Getty Images

Os danos poderiam ter sido piores, no entanto, já que os vizinhos de alguma forma conseguiram convencer os rebeldes a não montar uma arma antiaérea em um Chevrolet 1958 durante o cerco da parte oriental da cidade.

Apesar das dificuldades, Anis diz que pretende expandir sua coleção e já recusou ofertas de compradores estrangeiros.

Joseph Eid / AFP / Getty Images

Ele insiste que vai deixar sua coleção para seus oito filhos. "Vou distribuí-los de acordo com a lei religiosa: dois para cada menino e um para cada menina", diz.

Nos últimos dois meses do cerco de Aleppo oriental no ano passado, o bombardeio foi tão perigoso que Anis decidiu deixar sua casa — e sua coleção de carros.

Quando voltou neste ano, encontrou sua casa em ruínas. "Quando voltei e vi o que havia restado da minha casa, fiquei em choque", disse. A foto foi tirada enquanto ele se consolava ouvindo o cantor sírio Mohamed Dia al-Din em seu toca-discos.

Joseph Eid / AFP / Getty Images

"Eu tive um passado muito feliz, mas as coisas mudaram", disse ele.

"Agora a vida é difícil, mas não devemos perder a esperança."

Este post foi traduzido do inglês.

Every. Tasty. Video. EVER. The new Tasty app is here!

Dismiss