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"Africano" do Pânico na Band é acusado de racismo

A página oficial do programa no Facebook teve comentários contundentes sobre o quadro estrelado por Eduardo Sterblitch.

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O "Pânico na Band" é acusado de racismo por causa do personagem Africano, vivido por Eduardo Sterblitch.

Reprodução

O Africano não fala, apenas dança de forma exótica...

E faz coisas caricatas, como beber água direto de uma torneira. Para se comunicar, o Africano grita, emitindo sons ininteligíveis.

Para encarná-lo, Eduardo usa pintura preta no rosto e malha escura no corpo.

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A prática de um ator branco usar pintura preta para se passar por negro tem uma longa história e é chamada de Blackface.

O blackface é considerado racista porque remonta à proibição de negros representarem papéis no teatro, além de estar ligado a uma representação caricatural. A prática teatral ficou popular nos EUA no século 19, quando os atores brancos se pintavam com carvão para interpretar papéis de negros de forma debochada e estereotipada.
Wikicommons

O blackface é considerado racista porque remonta à proibição de negros representarem papéis no teatro, além de estar ligado a uma representação caricatural. A prática teatral ficou popular nos EUA no século 19, quando os atores brancos se pintavam com carvão para interpretar papéis de negros de forma debochada e estereotipada.

No dia 4 de agosto, a página do "Pânico" no Facebook publicou este vídeo com o Africano e as críticas foram contundentes.

As críticas tiveram muitas curtidas.

Também teve gente que não viu problema no personagem e decidiu rebater as críticas feitas por africanos -- como a de Cinosanda Sandele que, segundo sua página no Facebook, é natural de Angola.

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Outros acusaram de racistas quem achou o quadro racista (?).

"O racismo está na cabeça de quem enxerga racismo!"

Um dos comentaristas que criticou o quadro foi o nigeriano Nonso Nkwonta. Ele, que já esteve no Brasil, disse que o país precisa de educação para acabar com o racismo.

"O Brasil é o país com maior população negra depois da Nigéria. Mas é incrível como os negros ainda são tratados desrespeitosamente aí", disse.
Facebook: programapanico / Via Facebook: programapanico

"O Brasil é o país com maior população negra depois da Nigéria. Mas é incrível como os negros ainda são tratados desrespeitosamente aí", disse.

O BuzzFeed Brasil conversou com Nonso por Facebook. Perguntamos como ele se sentiu ao assistir o quadro.

Eu me senti muito mal.Senti como se eu fosse o africano de quem eles estão rindo.É difícil explicar de verdade.
Reprodução

Eu me senti muito mal.
Senti como se eu fosse o africano de quem eles estão rindo.
É difícil explicar de verdade.

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O programa ainda lançou o Desafio ao Africano, um convite aos espectadores para fazerem uma dança mais exótica que a do personagem. A hashtag #DesafioAoAfricano já mostra alguns participantes, como este.

Reprodução

O BuzzFeed Brasil está tentando contato com a assessoria do "Pânico" para comentar o caso. Assim que obtivermos uma resposta, o post será atualizado.

Atualizado às 17h15 do dia 10 de agosto, com a resposta do programa:

O "Pânico" disse, por meio de sua assessoria, que o personagem ficará fora do ar.

"O Pânico em nenhum momento quis ofender ninguém, tanto que no quadro em que o personagem foi ao ar, o Pânico's Chef, tem diversos outros personagens de diferentes etnias, japonês, nordestino, por exemplo, que preparam pratos típicos das regiões que moram, enfim, nenhum deles foi criado para ofender", respondeu a assessoria.