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13 fotos lindas que retratam a relação das mulheres com a bola no País do futebol

"As Donas da Bola" mostra como elas torcem, jogam, brincam e participam do esporte que virou uma identidade brasileira.

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Apesar de ser intitulado o país do futebol, o Brasil não costuma dar espaço para as mulheres neste campo. A exposição "As Donas da Bola" bota uma lupa sobre elas e sua relação com a cultura e a prática do esporte.

O time de funcionárias do Hospital Santa Marcelina, no bairro de Itaquera, São Paulo, tem entre as jogadoras algumas freiras, como a médica e diretora, Irmã Monique Bourguet, e a enfermeira Irmã Cláudia. Religiosas, assim como as demais enfermeiras e funcionárias do hospital, participam do bate-bola semanal comandadas pelo técnico Francisco Bertulino. Irmã Monique, canadense, esportista desde a adolescência, resolveu apresentar o futebol a Irmã Cláudia, que até outro dia nem se imaginava chutando uma bola. Mesmo de hábito, com o corpo quase inteiramente coberto, as freiras participam ativamente, driblam, defendem e comemoram gols e belas jogadas. Fotografá-las foi encontrar um mundo particular, harmonioso, que na essência rompe o silêncio da meditação para correr em direção ao grito de vitória.
Nega Eloá e Janaína são diferentes. Na várzea o futebol é sem grana e sem fama, é de quem ama o esporte, o bairro, amigos, tradição. Nega Eloá está no campo meio de terra meio de grama, é a técnica do Vasco, no Jaçanã. O time era do pai. Ele morreu e ficou para ela, o irmão e a mãe, Dona Alice, mas a grana acabou. Na retaguarda, elas fazem comida, lavam os uniformes. Janaína é assistente do José, dono do Vitória. Um ano ela é a técnica, no outro ele assume. Ela acompanha time e torcida no ônibus: recolhe os RGs, cuida dos uniformes, inscreve o time, vê se todo mundo comeu, bebeu água. Antes, todos se abraçam e rezam aos berros Pai Nosso e Ave Maria. Ela é a única autorizada pelas namoradas e esposas a entrar no vestiário. As duas já estiveram no fronte, jogavam. Com o tempo as outras casaram, foram trabalhar, criar os filhos, difícil driblar os maridos. Os times, desfalcados, desapareceram. Hoje não existe time feminino na várzea, mas o lugar de Jana e Eloá ainda é dentro do campo.

Da fotógrafa Nair Benedicto, sobre as fotografias:

Dia 15 de novembro de 2013, proclamação da República. Ao som de Jorge Benjor, "Todo dia era dia de índio", encerram-se as Olimpíadas Indígenas em Cuiabá, Mato Grosso. Aguardo ansiosa o nome das vencedoras Parkateje no alto-falante. Elas não são mencionadas! Dia 7 de setembro de 2013, dia da Independência, Aldeia Tava-Mirim, Paraty-Mirim, RJ. As guaranis contam que apenas olhavam o futebol, mas um dia jogaram. Melhor que olhar! Entram em campo com shorts e pés descalços. Fico pertinho, com grande angular. Sem apoio oficial, jogam futebol pra valer!

"As Donas da Bola" tem 121 imagens de 11 fotógrafas, com curadoria de Diógenes Moura.

A exposição fica no Centro Cultural São Paulo até 13 de julho.

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