Manobra tucana cria CPI da Merenda, mas sob controle de Alckmin

    CPI foi protocolada nesta quarta-feira pelos deputados com 76 assinaturas e adesão deve aumentar. Oposição diz que comissão será "chapa branca".

    Rovena Rosa / Agência Brasil

    Estudantes paulistas ocuparam o plenário da Assembleia Legislativa por três dias para protestar contra a corrupção na distribuição da merenda escolar.

    Depois da pressão dos estudantes, que chegaram a ocupar por três dias o plenário da Assembleia Legislativa (Alesp), os deputados governistas protocolaram nesta quarta-feira o pedido para abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar crimes na distribuição de merenda escolar. Dos 94 deputados, cuja maioria apoia o governador Geraldo Alckmin (PSDB), 76 assinaram o documento.

    A CPI, no entanto, não será como esperavam os manifestantes. Como a comissão foi pedida pelos aliados do governador, eles devem ficar com um dos dois principais cargos: a presidência ou a relatoria.

    A oposição poderá indicar dois dos 11 membros da CPI. O PT e os partidos de oposição vinham tentando criar a CPI, mas haviam conseguido apenas 27 das 32 assinaturas necessárias. Com isso, a oposição acusa os governistas de manobra para controlar a CPI e fornecer ao governo Alckmin o argumento de que ele próprio investiga as denúncias.

    “O PT deve assinar o pedido de CPI feito pelo PSDB, infelizmente, porque é uma CPI chapa branca. Ainda assim, vamos fazer um esforço grande para que essa investigação não seja um ‘faz-de-conta. Eles quiseram incluir as prefeituras na comissão e, para nós, tudo bem desde que não se desvie o foco, que é o escândalo da merenda das escolas do estado’”, disse a deputada Beth Sahão, vice-líder do PT na Assembleia.

    O pedido de CPI é de autoria dos deputados Marcos Zerbini (PSDB) e Estevam Galvão (DEM). De acordo com o líder tucano na Assembleia, Carlão Pigantari, o pedido foi protocolado logo pela manhã. Como já há cinco CPIs instaladas na Assembleia, o máximo permitido pelo regimento, é preciso que a Casa aprove uma resolução para instaurar a sexta comissão.

    Em sua página no Facebook, o líder do governo na Assembleia, Cauê Macris (PSDB), defendeu a CPI governista.

    “A investigação completa do caso sempre foi defendida por nós e também pelo governador Geraldo Alckmin. O que não podíamos admitir era uma investigação parcial, que só visava atender interesses políticos. Onde houve contrato com cooperativas, seja no Estado ou nos municípios paulistas, haverá investigação. A Alesp cumprirá seu dever e dará respostas para sociedade”, escreveu ele.

    Segundo o requerimento de CPI, a investigação gira em torno de contratos de fornecimento de alimentos com Cooperativas de Agricultura Familiar (Coaf).

    Dirigentes da cooperativa admitiram ao Ministério Público que pagavam até 10% de propina dos contratos para lobistas e operadores de políticos tucanos. O presidente da Casa, o deputado Fernando Capez (PSDB), é um dos investigados. Ele nega as acusações.

    Na semana passada, estudantes de todo o estado ocuparam a Assembleia para exigir investigação das denúncias de corrupção na compra e distribuição da merenda.

    Parlamentares da oposição buscaram saída negociada dos jovens para tentar evitar uma desocupação violenta por parte da Polícia Militar. Os deputados Coronel Telhada (PSDB) e Delegado Olim (PP) estimulavam a ação policial e protagonizaram fortes discussões com os estudantes. Uma delas, com uma jovem líder estudantil, rendeu um pedido de investigação na Ouvidoria recém-criada pela Assembleia.

    A saída dos estudantes ocorreu sob ordem da Justiça, que impôs uma multa em caso de desobediência de R$ 30 mil por jovem acampado.

    BuzzFeed Daily

    Keep up with the latest daily buzz with the BuzzFeed Daily newsletter!

    Newsletter signup form

    Utilizamos cookies, próprios e de terceiros, que o reconhecem e identificam como um usuário único, para garantir a melhor experiência de navegação, personalizar conteúdo e anúncios, e melhorar o desempenho do nosso site e serviços. Esses Cookies nos permitem coletar alguns dados pessoais sobre você, como sua ID exclusiva atribuída ao seu dispositivo, endereço de IP, tipo de dispositivo e navegador, conteúdos visualizados ou outras ações realizadas usando nossos serviços, país e idioma selecionados, entre outros. Para saber mais sobre nossa política de cookies, acesse link.

    Caso não concorde com o uso cookies dessa forma, você deverá ajustar as configurações de seu navegador ou deixar de acessar o nosso site e serviços. Ao continuar com a navegação em nosso site, você aceita o uso de cookies.