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18 coisas que você talvez não saiba sobre Jorge Lafond, criador da Vera Verão

Clodovil foi uma de suas inspirações, mas também foi uma grande decepção.

Muita gente se lembra da Vera Verão, personagem de Jorge Lafond que marcou a TV brasileira. Multitalentoso, Jorge é uma figura que merece ser lembrada por todos, mas principalmente pela comunidade LGBTI+. Abaixo, separamos algumas curiosidades que você talvez não saiba sobre este artista.

Reprodução / SBT

1. Ele se entendeu como gay ainda criança.

Reprodução / Via draglicious.com.br

Jorge Lafond dizia que já sabia que era gay quando tinha apenas 6 anos de idade. Apesar disso, em uma entrevista à revista Raça, Jorge disse que morria de medo de que seus pais descobrissem sobre sua sexualidade. Por isso, procurava fazer tudo sempre certinho e estudava muito.

2. Seu primeiro emprego foi como mecânico.

Mesmo não sabendo nada sobre veículos, seu primeiro emprego foi em uma oficina mecânica onde ele trabalhava das 9h às 17h.

3. Começou a estudar balé aos 9 anos de idade.

Reprodução / Via Twitter: @listapreta

Jorge começou a dançar quando criança, tendo estudado balé clássico e dança contemporânea africana. Mais tarde, formou-se em artes cênicas pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro.

4. E inclusive fez parte do balé do "Fantástico".

Reprodução / Marcelo Carnaval / Agência O Globo

Um dos seus primeiros empregos na TV foi no balé do "Fantástico". Como dançarino, Jorge viajou pela a Europa e pelos Estados Unidos para se apresentar. Ele também trabalhou com grandes nomes do balé, como Mercedes Baptista, que foi a primeira bailarina negra a fazer parte do corpo de balé do Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

5. Raspou a cabeça pela primeira vez quando passou no vestibular.

Reprodução / Via acapa.disponivel.uol.com.br

Mesmo quando estava na pele de Vera Verão, Jorge gostava de manter a sua careca à mostra. Nesta entrevista, ele conta que a primeira vez que raspou a cabeça foi quando passou no vestibular de educação física na Universidade Castelo Branco, no Rio. Ele gostou tanto da careca que decidiu mantê-la, e inclusive a considerava uma de suas marcas.

6. A personagem Vera Verão surgiu em uma participação no programa "Trapalhões".

Reprodução / Via youtube.com

Já depois da morte de Zacarias, Lafond fez participações no humorístico "Trapalhões". Foi lá que surgiu a personagem Vera Verão, que era um soldado machão que voltou "diferente" após uma viagem ao exterior. Foi nesta época que ele recebeu o convite de Carlos Alberto de Nóbrega para integrar o elenco de "A Praça é Nossa", como contou nesta entrevista para Elke Maravilha.

7. Apesar da fama, era uma pessoa muito reservada.

Reprodução / Vidal Cavalcante / Estadão / Via emais.estadao.com.br

Marcelo Padula, um dos melhores amigos e também empresário de Jorge Lafond, disse nesta entrevista ao Estadão que Jorge era uma pessoa muito reservada e que quase não tinha amizades do meio artístico. Neste vídeo de 2003, gravado pouco após a morte de Lafond, o humorista Carlos Alberto de Nóbrega conta que o amigo nunca nem chegou a ir às festas que ele dava em sua casa.

8. Clodovil foi uma figura fundamental durante seu processo de aceitação.

Em uma entrevista, Jorge afirmou que Clodovil foi uma das figuras que o ajudaram a aceitar e a entender a própria sexualidade ainda na infância. "O Clodovil fez a cabeça do pessoal lá em casa. Eu fazia minha família sentar na sala para ver que a bicha, o veado de que tanto falavam, não era aquela coisa... Que poderia transmitir uma grande verdade", disse.

9. Porém, ele perdeu toda a admiração que tinha por Clodovil após uma entrevista que nunca foi ao ar.

Reprodução / TV Manchete

Em 1992, Jorge Lafond foi convidado para ir ao programa "Clodovil Abre o Jogo". Segundo ele, Clodovil fez uma entrevista toda em tom irônico e cheia de alfinetadas, e foi aí que ele perdeu a admiração que tinha pelo apresentador. Dias depois da gravação, Jorge recebeu um bilhete do diretor dizendo que a entrevista não iria ao ar por falhas técnicas. Porém, Jorge acreditava que a exibição foi cancelada porque Clodovil não gostou nada da forma como o ator teve jogo de cintura para responder suas provocações à altura.

10. Jorge já foi Rainha de Bateria de uma escola de samba.

Reprodução / Armando Favaro / Estadão / Via emais.estadao.com.br

Em 2002, Jorge Lafond desfilou na avenida como Rainha de Bateria da escola de samba Unidos de São Lucas. Este foi o seu último Carnaval.

11. E já desfilou praticamente nu como destaque da Beija-Flor.

Reprodução / Via youtube.com

No ano de 1990, o ator deu o que falar quando desfilou usando apenas um tapa-sexo no desfile da Beija-Flor. O enredo era "Todo Mundo Nasceu Nu", e Jorge apareceu na avenida bem caracterizado, é claro!

12. Seu grande ídolo era o Chacrinha.

Reprodução

O ator dizia que desde pequeno gostava de brincar de "Cassino do Chacrinha" com as outras crianças da Vila da Penha, onde morava. Eles montavam um palco imaginário e apresentavam números de dança e canto como se estivessem na televisão. O apresentador foi uma das maiores inspirações de Jorge Lafond.

13. Dizia não ligar para o preconceito que sofria, mas sabia que para a maioria das pessoas não era fácil.

Reprodução / Via diariodaamazonia.com.br

Lafond dizia que era alvo de preconceito por três motivos: ser gay, ser negro e ser artista. Mesmo assim, afirmava que não ligava para as ofensas que escutou durante toda a vida e que já logo "metia a mão na cara" de quem falasse algo pra ele. Porém, o ator sabia que para a maioria das pessoas não era tão fácil assim lidar com o preconceito.

14. É verdade a história que Jorge sofreu discriminação em um programa que contava com a participação do padre Marcelo Rossi.

Reprodução / RedeTV!

Nesta entrevista para a RedeTV!, Lafond contou que uma vez foi convidado para participar do programa "Domingo Legal", apresentado pelo Gugu. Durante as gravações, que também contavam com a presença do padre Marcelo Rossi, a produção pediu para que Lafond fosse ao camarim vestir "roupas de homem" para poder dividir palco com o padre. Como só tinha levado roupas para a personagem Vera Verão, Lafond teve que esperar no camarim até que o padre finalizasse sua participação no programa. Jorge disse que ficou muito magoado, apesar dessa não ter sido a primeira vez que isso aconteceu.

15. Seu sobrenome foi emprestado de uma atriz.

Divulgação

Seu nome de registro era Jorge Luiz Souza Lima. O Lafond foi emprestado da atriz Monique Lafond (foto acima), que deu permissão para que Jorge usasse o seu sobrenome como nome artístico.

16. O auditório do "A Praça é Nossa" ia à loucura quando a Vera Verão entrava em cena.

Reprodução / SBT / Via br.pinterest.com

Apesar de ser gravado, o programa "A Praça é Nossa" contava com um auditório que acompanhava as gravações ao vivo. Carlos Alberto de Nóbrega, que comandava a atração, disse que a plateia ia à loucura quando Vera Verão entrava em cena e que era uma coisa totalmente diferente do que acontecia com os outros atores.

17. Jorge Lafond até hoje influencia grandes artistas.

Negro, gay e artista, como ele mesmo gostava de se definir, Lafond é parte importante da história da TV brasileira e influencia gerações até hoje. Um exemplo disso são as revistas acima: do lado esquerdo, a capa da revista Raça traz Vera Verão abraçando Jorge, o seu criador. Do lado direito, vemos Pabllo Vittar na capa da revista Pop-se em um ensaio muito semelhante.

18. Seu velório reuniu milhares de pessoas.

Reprodução / Alaor Filho / Estadão / Via emais.estadao.com.br

Jorge Lafond faleceu em São Paulo no dia 11 de janeiro de 2003, vítima de uma parada cardiorrespiratória e outras complicações. A despedida aconteceu no cemitério do Irajá, no Rio de Janeiro. Na época, alguns veículos anunciaram que o velório reuniu cerca de 5 mil pessoas, que levaram cartazes com mensagens que expressavam o quanto ele era querido. Famosos como Alcione e Emílio Santiago também compareceram.

Mesmo se provando um excelente artista, o preconceito sempre se fez presente na vida de Lafond. No auge da personagem, o nome Vera Verão frequentemente era usado de forma pejorativa para ofender gays, principalmente os negros e afeminados. Por isso, manter viva a sua memória não é importante apenas para celebrar a sua vida, mas também para nos lembrar das figuras LGBTI+ que abriram os caminhos pra tanta gente. Jorge Lafond já era resistência naquela época, e hoje é inspiração para quem ainda segue na luta.

Reprodução

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