Updated on 29 de mai de 2020. Posted on 29 de mai de 2020

    10 pensamentos de um entregador do apocalipse em Death Stranding

    Joguei Death Stranding, um dos jogos mais incomuns e doidos dos últimos tempos, e foi isso o que eu tirei das muitas horas caminhando por aí.

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    Reprodução/Kojima Productions

    Passei 60 horas das últimas semanas de isolamento me afundando em "Death Stranding" (R$ 93,77), jogo de PlayStation 4 lançado no final do ano passado e criado por Hideo Kojima (também responsável pelos jogos da série "Metal Gear").

    No jogo, você controla Sam Bridges (interpretado pelo Norman Reedus, o Daryl de "The Walking Dead"), personagem que recebe a função de atravessar de uma costa à outra do território que um dia foi os EUA, para reconectar cidades que se isolaram depois que um desastre sobrenatural meio que causou um apocalipse e destruiu as esperanças da humanidade.

    Na prática, você vira um entregador que viaja por um cenário desértico (que mais parece a Islândia) e cruza com um monte de coisa maluca pelo caminho, como terroristas, soldados da Primeira Guerra Mundial, bebês e seus cordões umbilicais, um personagem que morre a cada 21 minutos e baleias voadoras que viram árvores de cristais dourados, além da participação de vários atores e outros artistas conhecidos. É um jogo muito diferente de tudo que já foi feito, é uma loucura e tem muita informação para processar, mas (quase) tudo acaba fazendo sentido, juro.

    Dito isso, ao longo da jornada você pode acabar tendo algumas reflexões, das mais triviais às crises existenciais mais malucas. Aqui estão algumas coisas que você pode tirar da experiência:

    Reprodução/Kojima Productions

    1. Você não está tão sozinho/a quanto imagina.

    "Death Stranding" é um jogo de solitude e, ao mesmo tempo, de conexões. Apesar de viajar sozinho/a (sua única companhia geralmente é um bebê que fica dentro de um potinho), o sistema de multiplayer permite que você seja impactado/a por outras pessoas reais que estão jogando ao mesmo tempo que você. Ao longo do caminho você pode construir estruturas e carregar consigo ferramentas para facilitar sua vida (como escadas, cordas de escalada e veículos motorizados, por exemplo).

    Conforme você modifica o ambiente e deixa rastros por aí, outros jogadores podem ver suas pegadas e utilizar as estruturas que você construiu – e vice-versa. Ou seja, você pode se deparar com uma escada posta no pé de uma montanha deixada por alguém que você nunca viu, e (literalmente) agradecer a pessoa mandando um like pra ela (dar e receber likes é um mecanismo presente no jogo que te ajuda a seguir em frente #críticasocialfoda).

    2. Planejamento é tudo, até a vida te jogar num buraco inesperado e te fazer se virar nos 30.

    Por ser um jogo de "mundo aberto", você pode fazer o caminho que quiser entre ponto A e B. Dar uma olhada no mapa e se equipar com as ferramentas adequadas é fundamental para chegar ao seu destino. Mesmo assim, tudo pode acontecer e você pode acabar perdendo tudo o que carrega nas costas, rolar um barranco e ter que mudar de rota ou enfrentar seres do além no meio de uma chuva que acelera a passagem do tempo (eu falei que era uma loucura). Então mais importante do que se planejar é saber se adaptar aos desafios.

    Reprodução/Kojima Productions

    3. O caminho mais curto nem sempre é o mais fácil.

    Na maioria das vezes, aliás, o caminho vai ser bem longo e demorado! Passado o choque inicial de descobrir que você tem que ANDAR até o outro lado do continente como se fosse um camponês, você passa a apreciar a caminhada e valorizar os mínimos detalhes da paisagem, desde as pedras que te fazem tropeçar pelo caminho até a forma como a chuva interage com os elementos ao seu redor. É um jogo visualmente incrível e por vezes impressionante.

    4. Construa pontes e valorize as conexões feitas pelo caminho, por mais simples que elas sejam.

    Um lance que rola nos jogos do Hideo Kojima é que todos os personagens tem nomes significativos (por vezes até óbvios demais: seu nome é Sam Bridges, você trabalha para uma empresa chamada Bridges e precisa construir pontes por onde passa – tanto metafóricas quanto literais). Você também precisa construir estradas, e das duas uma: ou vai amar ou detestar ter este trabalho (eu adorei).

    A cada conexão feita, você aproxima mais a sociedade, recebe ~mimos~ e recupera um fragmento da história para entender o que fez o mundo chegar onde chegou. O B.O. que rolou fez com que as pessoas precisassem ficar isoladas porque sair de casa passou a ser altamente perigoso – sim, é um jogo que dialoga muito com o que estamos vivendo atualmente, em muitos níveis.

    Reprodução/Kojima Productions

    5. Em tempos de pandemia, é preciso reconhecer e valorizar cada vez mais quem trabalha com entregas e precisa se arriscar diariamente.

    Se você nunca pensou muito sobre, vai passar a perceber ainda mais o quão importante é a função dos/das carteiros/as e entregadores/as que trabalham em condições muitas vezes longe do ideal, principalmente neste momento atual. Valorize, agradeça, dê gorjeta se e quando puder e seja paciente.

    6. Você tem muitas reflexões sobre a vida, a morte e o pós-vida.

    A sombra da morte é uma constante ao longo do jogo – não vou entrar em detalhes para não entregar muito da história, mas ao longo do caminho você é lembrado/a repetidamente do que significa viver em meio a situações adversas.

    O tema é abordado de diferentes formas conforme a história de "Death Stranding" começa a fazer sentido – e demora um pouco para isso acontecer, viu? Nas primeiras horas de jogo você vai se pegar constantemente pensando "EU NÃO TÔ ENTENDENDO NADA DO QUE TÁ ACONTECENDO???", mas tá tudo bem, respira que logo mais tudo começa a se encaixar e você pega o jeito da coisa.

    Reprodução/Kojima Productions

    7. Não se leve tão a sério.

    Muitos dos detalhes de "Death Stranding" são engraçadinhos, fazem piadas auto-referenciais e ~quebram a quarta parede~, zoam com outros jogos como Mario, e outras besteiras que deixam a narrativa um pouco mais leve e tranquila de encarar. Um exemplo: tente deixar a câmera parada na região da virilha do Sam para ver a reação dele.

    8. Leia seus emails.

    Tem um sistema de mensagens no jogo que te aprofunda mais na história, dá dicas de peças ocultas e antecipa desafios que estão por vir. Você pode escolher simplesmente não ler nenhum dos emails que recebe, mas vai acabar perdendo umas informações que podem fazer a diferença. Deixar a sua caixa de entrada sem emails não lidos é TUDO, tanto na vida quanto no jogo.

    Reprodução/Kojima Productions

    9. Você não pode abraçar o mundo – e tá tudo bem.

    Ao longo do caminho, você irá se deparar com encomendas perdidas que estão ali esperando parar serem entregues aos respectivos donos. De início você pode ficar um pouco sobrecarregado (literalmente) se tentar recolher tudo que vê pela frente, pois existe um limite de peso e volume do quê você consegue carregar e se você empilhar muitos pacotes nas suas costas, pode perder o equilíbrio e tropeçar na primeira pedra que aparecer. Assim como na vida, algumas batalhas não são opcionais mas, quando possível, escolha-as com sabedoria.

    10. Tem coisa que não vai fazer muito sentido, mas paciência.

    No fim das contas, quando você já tiver todas as peças no tabuleiro e estiver ligando os pontos, pode ser que certas coisas ainda não façam muito sentido. Algumas partes do jogo são uma enxurrada de termos novos e revelações dos personagens, e é fácil de perder o raciocínio e não entender nada se você se distrair.

    Reprodução/Kojima Productions