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O que o governo Temer anda dizendo a investidores em reuniões fechadas

Reforma da previdência, privatizações e a espinhosa renegociação com as dívidas dos Estados são algumas das promessas que o governo interino tem feito.

publicado

Desde que Michel Temer assumiu interinamente a Presidência, em 12 de maio, membros do governo buscam apoio do mercado financeiro a fim de aprovar medidas de interesse da gestão peemedebista.

Em algumas reuniões com investidores e funcionários de instituições privadas, integrantes da equipe econômica deram pistas sobre o que o governo quer.

Temer e o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles
Adriano Machado / Reuters

Temer e o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles

Os principais pontos de interesse do governo Temer na área econômica são os seguintes:

  1. Aprovação de uma nova meta fiscal. O governo cumpriu esse objetivo em 25 de maio.
  2. Aprovação da PEC que estabelece um teto de gastos para o governo federal. O Ministério da Fazenda anunciou que enviará a proposta ao Congresso, limitando os gastos do governo federal por 20 anos.
  3. Aprovação de uma reforma da Previdência. O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha (PMDB), disse que a proposta seria enviada no dia 3 de junho. No entanto, o governo recuou, as negociações foram reabertas e não há um novo prazo para que o texto chegue ao Congresso.
  4. Renegociação das dívidas dos Estados com a União. O governo federal anunciou um acordo nesta semana, mas há Estados que ainda não estão satisfeitos. Pelo acordo fechado, o pagamento das dívidas ficará suspenso até o fim do ano, e as parcelas pagas a partir de janeiro de 2017 terão um desconto.

Quem é quem nas conversas com os investidores:

  • Ana Paula Vescovi, secretária do Tesouro Nacional, tomou as rédeas da discussão sobre a renegociação das dívidas dos Estados.
  • Marcos Mendes, assessor direto do ministro Henrique Meirelles (Fazenda), ficou responsável por discutir um ajuste estrutural nas contas dos Estados.
  • Mansueto Almeida, secretário de Acompanhamento Econômico da Fazenda, é um interlocutor frequente do mercado quando o assunto é privatização.
Temer e Meirelles (à dir.), com Ilan Goldfajn, novo presidente do Banco Central
Lula Marques/Agência PT

Temer e Meirelles (à dir.), com Ilan Goldfajn, novo presidente do Banco Central

No fluxo de trabalho, toda proposta passa pelos técnicos da Casa Civil, antes de ser enviada ao Congresso.

A Casa Civil faz eventuais ajustes na redação e, em seguida, fica encarregada de mostrar tudo a Temer, líderes do Congresso e outros ministros.

Esse sistema de trabalho foi descrito por Mansueto em reunião com investidores.

O ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha (PMDB)
Antonio Cruz/Agência Brasil

O ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha (PMDB)

A partir daí, Fazenda e Casa Civil trabalham juntas no ajuste fino.

Por enquanto, a equipe econômica não trabalha com possíveis aumentos de impostos. O motivo é o alto custo político, principalmente no Congresso — em ano eleitoral, os parlamentares dificilmente aprovariam tal medida, impopular por excelência.

O Pato da Fiesp, em frente ao Congresso, ainda durante o governo Dilma
José Cruz/Agência Brasil

O Pato da Fiesp, em frente ao Congresso, ainda durante o governo Dilma

Paulo Skaf (PMDB), presidente da Fiesp — entidade que posicionou-se contra eventuais aumentos de impostos desde o governo Dilma Rousseff —, é aliado direto de Temer, com quem mantém reuniões frequentes.

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