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Uma operação contra tráfico foi batizada de “Feminazi” porque suposta chefe era mulher

Termo é considerado ofensivo porque compara o movimento feminista ao regime nazista.

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Era para ser só mais uma operação policial no Paraná. Até que a Polícia Civil decidiu dar um nome para ela: Feminazi. Isso porque a suposta líder da quadrilha é uma mulher.

A operação contra o tráfico de drogas aconteceu no sábado, mas foi divulgada nesta segunda-feira (12). A escolha do nome causou indignação nas redes sociais.

De acordo com a polícia, foram presas 13 pessoas suspeitas de integrar uma quadrilha de tráfico de drogas, roubo e organização criminosa no interior do Paraná. Entre os presos, havia três mulheres e uma delas é suspeita de liderar a quadrilha.

Para tentar explicar a escolha do nome da operação, a polícia da 8ª Subdivisão de Polícia de Paranavaí disse que escolheu "feminazi" porque a líder é uma mulher.

E seguiu no texto divulgado na internet com um close muito errado sobre a expressão: "O termo é popularmente usado por feministas radicais com ideias extremistas que têm como objetivo estar em uma situação de superioridade em relação aos homens".

O release da polícia foi seguido de muitas reclamações no Twitter.

Polícia do PR batizou operação de "Feminazi". Tem a ver com feminismo? Não. Com nazismo? Também não. Só porque a líder da gangue era mulher.

Em entrevista ao BuzzFeed Brasil, a secretária-adjunta de direitos humanos da prefeitura de SP, Djamila Ribeiro, que é feminista, disse que "a história é absurda". "Feminazi é um termo usado para tentar deslegitimar a luta feminista; e a polícia está colaborando com essa visão deturpada. O pior é saber que esses são os mesmos policiais que vão atender uma chamada de Maria da Penha, de violência doméstica”, disse.


A polícia fez operação para prender uma quadrilha que tinha uma mulher como líder e batizou de FEMINAZI mano não é possível

O BuzzFeed Brasil entrou em contato com a delegacia de Paranavaí e ainda aguarda a resposta das autoridades locais e do delegado responsável pelo caso, Luiz Carlos Mânica.


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Tatiana Farah é Repórter do BuzzFeed e trabalha em São Paulo. Entre em contato com ela pelo email tatiana.farah@buzzfeed.com.

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