back to top

Um vídeo do Drauzio de 2014 voltou a viralizar após a decisão que libera o "tratamento" da homossexualidade

"Se faz diferença [a orientação sexual dos outros], procura um psiquiatra. Você não está legal".

publicado

O médico Drauzio Varella tem um vídeo para explicar direitinho o que significa a homossexualidade, que "é uma ilha cercada por ignorância de todos os lados", e por que não é doença e, logo, não precisa de tratamento.

Veja este vídeo no YouTube

youtube.com

O vídeo foi feito em 2014, em meio à discussão pela legalidade do casamento gay, mas, nesta terça (19), voltou com força às redes sociais depois que um juiz federal de Brasília abriu a possibilidade de psicólogos fazerem tratamentos e estudos pela "reorientação" sexual. Só na página de Facebook do blog ContraPonto, teve mais de 20 mi compartilhamentos.

“Qual a ideia que as pessoas que se opõem à homossexualidade fazem dela? De que mulheres e homens, num dado momento da vida, pensam assim: 'ah, eu sou heterossexual, mas, como eu sou sem-vergonha, eu vou então abraçar a homossexualidade'. Isso é uma estupidez. Ninguém decide a própria sexualidade”, diz o médico.

“A sexualidade é. Ela se impõe. A gente não escolhe. Aqueles que acham que a homossexualidade é um desvio, uma aberração da natureza, dizem isso por ignorância. Porque se fosse assim ela seria exclusiva dos seres humanos, mas a homossexualidade tem sido documentada em todos os animais, praticamente. Em todos os vertebrados”, diz ele, citando primatas, pássaros e répteis.

Publicidade

E o médico prossegue com a explicação:

"A homossexualidade é um tipo de comportamento sexual tão respeitável quanto a heterossexualidade. Discriminar os homossexuais por causa do próprio comportamento, por causa do tipo de desejo que eles têm, é uma ignorância absurda.

Você pode controlar o comportamento. Você vive numa sociedade heterossexual, então você se comporta daquele jeito, como se comportaria numa sociedade homossexual. Mas você não controla o desejo. O desejo humano é incontrolável. Comportamento pode ser, mas o desejo não há como controlar."

Drauzio faz também uma crítica a imposições de ordem religiosa: "E aqueles que são visceralmente contra, esses pastores de almas, que acham que a homossexualidade é um crime, que é um pecado contra a natureza, contra Deus, tudo bem, que eles prescrevam isso, que eles coloquem fora da igreja deles as pessoas que têm esse tipo de comportamento. Mas eles não podem impor isso contra nós".

"Eles não podem ter o direito de achar que a sociedade inteira tem que ser contra o casamento gay."

Ao final, Drauzio manda um recado para as pessoas que se incomodam muito com a sexualidade alheia:

"Vou te perguntar uma coisa: que diferença faz para você, para a sua vida pessoal, se o seu vizinho dorme com outro homem, se a sua vizinha é apaixonada pela colega de escritório? Que diferença faz para você? Se faz diferença, procura um psiquiatra. Você não tá legal."

Entenda o caso:

A homossexualidade deixou de ser considerada um distúrbio ou doença pela Organização Mundial da Saúde em 1990. Mesmo nos anos 1970, as associações psiquiátricas americanas já defendiam que homossexualidade não era doença.

Em março de 1999, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) publicou uma resolução na qual reafirmou que orientação sexual não é doença, distúrbio nem perversão e determinou que os psicólogos não exercessem nenhuma ação para favorecer a "patologização das práticas homoeróticas".

Nesta segunda-feira, foi divulgado que um juiz federal de Brasília concedeu uma liminar parcialmente favorável a pessoas que, em uma ação popular, questionaram a resolução do Conselho Federal de Psicologia. O juiz Waldemar Cláudio de Carvalho decidiu que, mesmo não se considerando a homossexualidade uma patologia, o Conselho não pode impedir ou censurar psicólogos que façam tratamento de "reorientação" sexual. Com isso, abriu espaço para tratamentos de "cura gay". O Conselho informou que recorrerá da decisão, que tem caráter liminar.





Tatiana Farah é Repórter do BuzzFeed e trabalha em São Paulo. Entre em contato com ela pelo email tatiana.farah@buzzfeed.com.

Contact Tatiana Farah at Tatiana.Farah@buzzfeed.com.

Got a confidential tip? Submit it here.