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Superlotação é agravada por pacientes que não deveriam estar em UTIs, diz secretário

Secretário Wilson Pollara afirmou que até 30% dos pacientes que hoje estão nas UTIs deveriam receber tratamentos paliativos por enfrentarem estágio terminal. Em dezembro, BuzzFeed Brasil revelou que pacientes morreram após espera de até 40 dias por vaga na terapia intensiva.

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Patrícia Cruz/ A2Fotografia / Via fotospublicas.com

Em dezembro de 2016, o BuzzFeed revelou que a fila de UTI em São Paulo tinha em média 50 pessoas. A reportagem revelou o drama da paciente Maria Lucia Machado, 62, que morreu depois de esperar por 37 dias e receber 123 negativas para internação em uma unidade de tratamento intensivo.

O problema da superlotação das UTIs da maior cidade do país é agravado por pacientes que, segundo o secretário de Saúde de São Paulo, Wilson Pollara, não deveriam ocupar estas vagas permanentemente.

"Trinta por cento dos pacientes não precisariam estar em UTI. Muitos são pacientes terminais, que estão entubados e que precisam de atendimento paliativo. Vamos criar centros de acolhimento desses pacientes. É mais inteligente do que ficar criando leito de UTI", disse o secretário.

A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) conta com 735 leitos de UTI em 18 hospitais de gestão municipal e conveniados, enquanto o Estado de São Paulo tem 1.813 em 34 hospitais. As duas redes são buscadas ao mesmo tempo pelos gestores por meio de um sistema chamado Cross.

A prefeitura quer reduzir essa lotação de leitos criando unidades para cuidados paliativos (quando só cabe aos médicos melhorar a qualidade de vida de um paciente sem chance de sobrevivência).

Ele não estimou nem prazo nem os custos de criação destas unidades.

João Doria e Wilson Pollara em evento sobre o Corujão da Saúde.
Leon Rodrigues/Ascom PMSP

João Doria e Wilson Pollara em evento sobre o Corujão da Saúde.

Corujão da Saúde

O prefeito João Doria e o secretário Pollara anunciaram em entrevista coletiva nesta segunda que o programa Corujão da Saúde atingiu o objetivo de "zerar" a fila de pacientes que aguardavam pela realização de exames de imagem. Embora considerem a fila zerada, 88 mil pessoas ainda aguardam atendimento.

Inicialmente previsto para consumir R$ 17 milhões em três meses, o programa, que começou em 10 de janeiro, teve despesas, segundo o secretário, da ordem de R$ 9 milhões.

De acordo com a prefeitura, 485 mil pessoas aguardavam pela realização desse tipo de procedimento, incluindo ressonância magnética, ultrassom e mamografia, até 31 de dezembro. Cerca de 68 mil pacientes que aguardavam havia mais de 180 dias.

Depois de excluir 78 mil nomes que já não precisavam realizar o exame e contar 102 mil faltas, a prefeitura informou ter feito 249 mil procedimentos. A demanda, no entanto, cresceu em mais 330 mil pedidos entre janeiro e março.

Segundo Doria, os exames da fila anterior e os novos pedidos foram atendidos simultaneamente pela rede de hospitais e clínicas de rotina (as convencionais usadas pela prefeitura) e pelos hospitais conveniados exclusivamente para o Corujão.

Paciente se submete a ressonância magnética no HCor, hospital contratado para mutirão de exames.
Leon Rodrigues/Ascom PMSP

Paciente se submete a ressonância magnética no HCor, hospital contratado para mutirão de exames.

Desse total, 88.624 pacientes ainda aguardam a realização de exames de imagem, o que pode ocorrer nos próximos 30 a 60 dias.

A maioria dos exames foi realizada pela própria oferta da prefeitura, que conta com 150 mil vagas por mês. Os hospitais contratados, como Albert Einstein, Sírio Libanês, Oswaldo Cruz e HCor, foram responsáveis por 70 mil procedimentos, cerca de 20% do total.

Doria afirmou que planeja criar o Corujão da Cirurgia, mas o projeto ainda está em estudos e não foi confirmado se as cirurgias seriam feitas também por esses hospitais particulares.


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Tatiana Farah é Repórter do BuzzFeed e trabalha em São Paulo. Entre em contato com ela pelo email tatiana.farah@buzzfeed.com.

Contact Tatiana Farah at Tatiana.Farah@buzzfeed.com.

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