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PT não pediu desculpas a Míriam Leitão, que foi hostilizada por delegados do partido

A presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), publicou nota e telefonou para a jornalista. Ela "lamentou", mas não se desculpou.

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O PT disse ter lamentado as ofensas desferidas contra a jornalista Míriam Leitão, mas se recusou a pedir desculpas. Miriam foi hostilizada por delegados do partido.

Depois de relatar que sofreu ofensas e grosserias de delegados petistas em um voo entre Brasília e o Rio de Janeiro, a jornalista Míriam Leitão recebeu na tarde desta terça-feira um telefonema da presidente do PT, a senadora Gleisi Hoffmann (PR).

Globo/Ramón Vasconcelos

Assim como em uma nota divulgada de manhã pelo partido, Gleisi não pediu desculpas à jornalista. Ela falou que se "solidarizava" com Míriam e lamentava o ocorrido. Disse também já ter sido vítima desse tipo de tratamento.

Mais cedo, Gleisi havia divulgado uma nota em que lamentava o episódio. Mas aproveitou o momento para responsabilizar a Rede Globo, empresa para a qual Míriam trabalha, pelo "clima de radicalização e ódio".

Adriano Machado / Reuters

"Não podemos, entretanto, deixar de ressaltar que a Rede Globo, empresa para a qual trabalha a jornalista Miriam Leitão, é, em grande medida, responsável pelo clima de radicalização e até de ódio por que passa o Brasil, e em nada tem contribuído para amenizar esse clima do qual é partícipe. O PT não fará com a Globo o que a Globo faz com o PT", escreveu Gleisi.

Na nota, a petista diz que a legenda orienta a militância "a não realizar manifestações políticas em locais impróprios e a não agredir qualquer pessoa por suas posições políticas, ideológicas ou por qualquer outro motivo, como confundi-las com empresas para as quais trabalhem" porque "esse comportamento não agrega nada ao debate democrático".

Gleisi repete na nota o mesmo que disse para Míriam: "muitos integrantes do Partido dos Trabalhadores, inclusive esta senadora, já foram vítimas de semelhante agressão dentro de aviões, aeroportos e em outros locais públicos".

A Avianca, empresa aérea do voo Brasília-Rio tomado por Míriam no último dia 3, afirmou que pediu a presença da Polícia Federal na aeronave, "após a tripulação detectar um tumulto a bordo que poderia atentar à segurança operacional e à integridade dos passageiros". A empresa disse repudiar o "veementemente qualquer ação que viole os direitos dos cidadãos".

A PF ainda não se manifestou sobre o ocorrido.





Tatiana Farah é Repórter do BuzzFeed e trabalha em São Paulo. Entre em contato com ela pelo email tatiana.farah@buzzfeed.com.

Contact Tatiana Farah at Tatiana.Farah@buzzfeed.com.

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