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Testemunha diz que propina pedida no caso Feliciano foi de R$ 1 milhão

Em depoimento à polícia, Emerson Biazon, que aparece em vídeos com Patrícia Lélis, diz que chefe de gabinete de deputado chegou a entregar R$ 70 mil. Patrícia nega ter pedido dinheiro para abafar denúncia de tentativa de estupro.

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A acusação de tentativa de estupro contra o deputado Marco Feliciano (PSC-SP) se transformou em um caso de propina que envolve centenas de milhares de reais.

O chefe de gabinete do deputado, Talma Bauer, é suspeito de ter negociado R$ 300 mil para Patrícia Lélis não denunciar uma tentativa de estupro pelo congressista.

Segundo uma das testemunhas, Emerson Biazon, que aparece nos vídeos do hotel em que Patrícia Lélis em São Paulo, o chefe de gabinete de Feliciano, o investigador aposentado Talma Bauer, teria negociado a entrega de R$ 300 mil.

Desse total, R$ 50 mil teriam sido entregues a um intermediador no Rio de Janeiro e R$ 20 mil ao próprio Biazon.

O intermediador foi identificado como Artur Mangabeira, namorado de uma amiga de Patrícia, que fez a negociação com o chefe de gabinete de Feliciano, segundo a testemunha ouvida pela polícia.

"Ele [Artur Mangabeira] pediu R$ 1 milhão. Aí o Bauer disse que não tinha e caiu para R$ 300 mil. O Bauer disse que era o 'preço de um apartamento' e colocou assim: 'o que eu consigo dar no momento é R$ 50 mil. Ele entregou o dinheiro para esse Artur, que ficou com tudo e sumiu. Não repassou nada para ela", ​contou Biazon ao BuzzFeed Brasil.

Biazon recebeu outros R$ 20 mil de Bauer e entregou o dinheiro ao delegado Luis Roberto Hellmeister, que preside o inquérito instaurado na sexta-feira em São Paulo, quando Patrícia denunciou Bauer por suposto sequestro qualificado.

Segundo ela, Bauer a teria mantido em cárcere privado em ameaçado com uma arma para que ela gravasse vídeos negando ter sofrido estupro e assédio por parte do deputado.

Na segunda-feira, o BuzzFeed Brasil revelou imagens do hotel que mostram Bauer, Biazon e Patrícia no saguão do hotel. Em um determinado momento ela cumprimenta Bauer com um abraço.

Em outra circunstância, ela conversa com o chefe de gabinete sentada em um sofá. Ela, Biazon, Bauer e o namorado da jovem, identificado como Rodrigo, deixam o hotel sem nenhuma mostra de coação.

Nesta terça-feira, o BuzzFeed recebeu a informação de que a polícia tem novas provas que afastam a hipótese de sequestro.

Passos de Patrícia em São Paulo enfraquecem versão de sequestro, mas não da negociação para abafar denúncia contra deputado.

No dia 2 de agosto, Patrícia teria ido ao shopping Anália Franco onde teria gasto mais de R$ 700 em maquiagem para gravar o vídeo do desmentido da acusação contra Feliciano.

A gerente da loja reconheceu Patrícia e entrou em contato com o delegado e contou ter feito a maquiagem da jovem na loja. Nesta quarta, ela prestará depoimento.

Patrícia também esteve em duas churrascarias de São Paulo.

Outras testemunhas, como seu agente de palestras, se encontraram com ela e apresentaram vídeos e fotos da youtuber na cidade, ao lado de Bauer.

Ontem, em entrevista coletiva, ela negou ter recebido dinheiro. Também disse que encontrou-se com Bauer porque, quando chegou ao hotel, ele já a estava aguardando.

Feliciano só se manifestou no final de semana. Ele se disse vítima de "uma grande farsa". Ele não esclareceu o episódio da tentativa de estupro, denunciada por Patrícia Lélis, nem sobre o motivo dos encontros entre seu chefe de gabinete e a jovem.

O PSC decidiu nesta terça (9) manter Feliciano na liderança do partido e processar Patrícia Lélis.

Ao BuzzFeed Brasil, a jovem negou ter pedido dinheiro para ficar em silêncio e manteve a versão de sequestro. "Nunca vi Artur pessoalmente. Ele se identificou para mim como um agente da Abin. Eu nunca pedi dinheiro para ninguém. se alguém pegou dinheiro, que responda por isso", disse ela.

A reportagem teve acesso a uma troca de mensagens de Whatsapp atribuída a Patrícia, na qual a jovem fala em dinheiro e sobre Arthur, inclusive sobre ele se identificar como agente da Abin.

Essas mensagens teriam sido trocadas entre ela e Biazon e foram entregues por ele à polícia. Sua autenticidade ainda não foi confirmada.

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