Perguntamos para a comunidade LGBT qual seu maior medo e foi isso que responderam

Rejeição, violência, estupro, solidão e morte são os principais temores que participantes da Parada do Orgulho LGBT relataram sentir. Para alguns entrevistados, um simples gesto ou a escolha de uma roupa podem resultar em perseguição.

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O BuzzFeed Brasil foi à Parada deste domingo (18) para ouvir da comunidade LGBT quais os maiores problemas e medos que enfrentam.

Luis Fernando Pereira, 18, tem medo de ser criticado ou agredido por causa da forma como se veste. Ele e os amigos Renê Gimenes, 18, e Renato Pereira Batista, 20, foram de calças compridas até o metrô, onde jogaram as calças fora e colocaram os shorts para a Parada.

Alyne Ewelyn, 26, cabeleireira, fala de uma violência sofrida pelas lésbicas: o estupro corretivo, quando os homens acham que com o estupro vão tornar a mulher hétero.

Evandro Oliva, 45, e Jorge Ambar, 49, estão juntos há 9 anos. Vivem em São José do Rio Preto, onde, contam, homofobia resulta em multa de R$ 29 mil. O medo dos dois é o extremismo religioso e a ausência de um Estado laico.

Mariane Marques, 24, advogada, e a namorada, Natália Nunes, 25, contaram que têm medo de apanhar ou morrer por serem lésbicas.

Lana Helen, 28, é cabeleireira. Tem medo de andar por lugares desconhecidos por correr risco de sofrer preconceito e agressão. Se sente mais segura no Centro de SP e no bairro onde mora e trabalha. Já foi agredida no metrô, mas reagiu.

Patrick Araújo, 23, é pai de santo e geógrafo. Seu maior medo é morrer sozinho. Para ele, o risco da solidão é maior quando se é LGBT. Quando disse isso ao BuzzFeed, foi logo abraçado por sua irmã.

Valéria Reis, 47, é professora. Conta que, em sua escola, os alunos e a maioria dos pais a respeitam como pessoa trans. Seu medo, no entanto, é de sofrer violência física. "A educação que eu recebi em casa não é para a briga".

Esdras Theodoro, 27, disse ao BuzzFeed que seu maior medo é ser perseguido por causa de seu jeito de ser. "Pode ser por causa da roupa ou por causa de um gesto". Ele é assistente administrativo e fala que na empresa onde trabalha não tem problema porque ela é "mais moderna".

As campineiras Melka Matheus, 26, auditora, e Franciely Rodrigues, 27, representante comercial, têm medo de serem mortas por serem lésbicas.

Marco Antonio Teodoro, 39, de Curitiba, e Guilherme Queiroz, 27, de Manaus, se conheceram em um hostel antes da Parada. Marco Antonio teme a rejeição e Guilherme, a violência. "Eles nunca vêm sozinhos para bater", conta.

Samira Luana, 28, de Osasco, trabalha como faxineira. "Mas eu não vou montada. As pessoas julgam", diz ela, que tem como maior medo apanhar por ser LGBT.

Atriz, Melissa Babalu, 26, diz que tem medo de violência física. Na Parada, crianças e adultos pediam para fazer foto com ela.

Auxiliar de cozinha, Fabiana Lima, 35, destacou como medo o preconceito, mas também a ignorância. "Muitas vezes esse preconceito é por ignorância."

Ricardo Zanella, 33, visual merchandiser, no primeiro momento disse não ter medo de nada. Pensou um pouco e se lembrou de uma tentativa de estupro que sofreu. Este é o seu maior medo.

Eugenio Oliveira, 41, nunca faltou a uma Parada do Orgulho LGBT em São Paulo. Participou neste domingo da 21ª edição. Técnico de enfermagem e ex-dançarino, ele tem medo de ser morto por ser homossexual.

Jade Albuquerque, 20, é babá e estuda para entrar em uma faculdade de veterinária. Ela saiu de casa e seu maior medo é nunca ser aceita pela família. "Meu pai me aceitou de boa, mas a minha mãe, não", lamenta.

Ronaldo Lucena, 33, maquiador, diz que não tem medo de nada. Ele atribui isso a ter um comportamento discreto.

Bruno Fernandes, 30, técnico de enfermagem, tem medo de sofrer violência por ser homossexual.

Eduarda Bezerra, 16, conta que não tem problemas em casa. Ela foi à Parada com a mãe, Eliana, a irmã, Beatriz, e a namorada, Tainara Ramos. A mãe diz que o importante é ver as filhas felizes. O medo é o preconceito dos outros.

Rafaella Alves, 28, trabalha com eventos em Franca (SP). O seu maior medo é a não-aceitação da sociedade.




Tatiana Farah é Repórter do BuzzFeed e trabalha em São Paulo. Entre em contato com ela pelo email tatiana.farah@buzzfeed.com.

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