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Operação da PF jogou imagem da carne brasileira no "lixo", dizem exportadores

Empresários afirmam que PF errou na forma de comunicar as investigações. Governo tenta minimizar extensão da crise e países começam a barrar produto brasileiro.

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Dirigentes da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) disseram que a forma como a PF divulgou a operação Carne Fraca jogou a imagem do produto brasileiro "no lixo".

Nesta segunda, China, Coreia do Sul, Chile e a União Europeia anunciaram, em diferentes graus, a interrupção temporária da compra de carnes brasileiras.

A Europa pediu ao Brasil que não permita a exportação de carnes dos frigoríficos implicados na operação.

A China cobrou explicações do país e os coreanos anunciaram que vão banir temporariamente a importação de frango da BRF, um dos focos da operação. Leia aqui.

"Com a informação, ou desinformação, chegamos a um quadro que nos deixa fragilizados. Se não houvesse clarificação, estaríamos comprometidos no mercado interno e, no mercado externo, a imagem do Brasil na lata do lixo", disse o presidente da ABPA, Francisco Turra.

O setor emprega 7 milhões de pessoas no país e representa 15% do volume das exportações brasileiras.

“Houve um equívoco quando se divulgaram aspectos técnicos”, disse o diretor técnico da ABPA, Rui Vargas, em referência ao uso de produtos como ácido ascórbico e sórbico, cuja adição nos produtos é legal, desde que em quantidades certas. “Não tem como mascarar (carne podre). Não tem produto que se use para isso. Há alteração de odor, textura, presença de líquido”, disse ele.

As associações criticaram pontos da divulgação da PF, como a afirmação de que se usou papelão na produção de embutidos. As empresas defendem que o papelão se referia a embalagem.

Segundo as entidades, o governo suspendeu preventivamente a certificação de sete plantas (unidades frigoríficas), uma de carne bovina, quatro de frangos e suínos, uma de produção de mel e outra de equinos, voltada para a exportação. Importadoras, União Europeia, China e Coreia do Sul adotaram procedimentos e até suspensão de compra até que o caso seja esclarecido.

O presidente Michel Temer adotou medidas para tentar minimizar a crise, entre elas uma reunião ontem com embaixadores dos países importadores, que acabou em uma churrascaria.

Em discurso nesta segunda, ele disse que o país tem 4.850 unidades de frigoríficos e que três unidades foram suspensas (mais tarde, o governo atualizou o número pra sete) enquanto outras "18 ou 19" estão sob investigação.

Temer também minimizou as denúncias no que diz respeito aos mais de 30 fiscais investigados. Em discurso na Amcham, a Câmera de Comércio americana, disse que o Ministério da Agricultura tem 11.300 servidores. Hoje, o governo exonerou dois altos funcionários do Ministério que são investigados no caso.

Ministério da Agricultura exonerou hj Gil Bueno e Júlio César Carneiro das superintendências do PR e GO. Eles são s… https://t.co/QncyZRVpjA

Tatiana Farah é Repórter do BuzzFeed e trabalha em São Paulo. Entre em contato com ela pelo email tatiana.farah@buzzfeed.com.

Contact Tatiana Farah at Tatiana.Farah@buzzfeed.com.

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