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No "castelo" de Dilma, num dia falta água, no outro falta luz

Presidente interino, Temer já suspendeu cartão alimentação da petista e a cortou o avião da FAB para atos políticos.

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De repente cai a luz no Palácio do Alvorada, residência oficial da presidente afastada Dilma Rousseff. Na sala de reuniões, o ex-advogado geral da União José Eduardo Martins Cardozo finaliza a defesa contra o processo de impeachment; e a presidente concede entrevista no salão para um jornalista do New York Times. O próprio repórter assiste ao apagão.


Lula Marques / Agência PT / Via fotospublicas.com.br

Naquele mesmo dia, os funcionários contam: a luz caiu seis vezes. Do lado de fora do palácio, na rua, os aliados de Dilma falam que estava tudo aceso. Dias depois, quando a presidente chegava de uma viagem a Porto Alegre, outro apagão, dessa vez de duas horas.

Entre os 30 funcionários que fazem parte da equipe pessoal da petista, cresce a suspeita de que os cortes de luz façam parte do que consideram uma campanha de Temer para constrangê-la. Não é o que a Companhia Energética de Brasília (CEB) diz a eles. Funcionários do palácio teriam ouvido da CEB que os picos de luz na rede derrubaram a energia do palácio. Ao BuzzFeed Brasil, a companhia informou que "não há registro de falha no fornecimento de energia para o Palácio do Alvorada nos últimos dias". Procurado, o Planalto não quis se manifestar sobre o assunto.

Antes do impeachment: Dilma sai do Alvorada em helicóptero.
Andressa Anholete / AFP / Getty Images

Antes do impeachment: Dilma sai do Alvorada em helicóptero.

Dilma se irrita ainda mais. Até porque energia elétrica é sua área de atuação. Foi ministra da pasta antes de assumir a Casa Civil no governo Lula (2003-2010) e muito antes de pensar que moraria no Alvorada, como presidente.


Christophe Simon / AFP / Getty Images

Nas últimas semanas, a petista vem sofrendo com o que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chama de "mesquinharia" de Temer. "Cortaram até o almoço da Dilma", reclamou Lula em um discurso no Rio.

Na verdade, o Planalto suspendeu o cartão alimentação do Alvorada, o que depois foi restabelecido. O cartão de suprimento foi suspenso no dia primeiro de junho, segundo o Planalto, para aguardar parecer jurídico sobre o benefício, e restabelecido três dias depois.

Mas os petistas ficaram revoltados quando o governo interino divulgou os gastos com alimentação do Alvorada: uma média de R$ 62 mil mensais. Os aliados da presidente afastada lembram: sua equipe pessoal tem 30 pessoas, mas há mais de 100 funcionários, entre administradores, faxineiros, jardineiros etc.

Vanderlei Almeida / AFP / Getty Images

Dilma prometeu viajar pelo país para se defender do impeachment, mas tem de se virar com recursos do PT.

O partido vai mal das pernas, mas vai fretar aviões para levar a petista.

Temer cortou o acesso a aviões da FAB para viagens que não sejam de Brasília a Porto Alegre, onde fica a residência particular da rival. A própria presidente tem dito que Temer tenta encastela-la no Alvorada. "É uma prisão dourada", já disse ela. Já o governo afirma ter suspendido os voos seguindo um parecer da Subchefia de Assuntos Jurídicos da Casa Civil.

Na quinta-feira (10), Dilma foi a Campinas para um encontro com intelectuais. Usou um pequeno avião de seis lugares em voo custeado pelo PT.


Dilma Rousseff conversa com José Trajano durante encontro com intelectuais em Campinas.
Roberto Stuckert Filho/PR

Dilma Rousseff conversa com José Trajano durante encontro com intelectuais em Campinas.

"É uma atitude totalmente mesquinha do governo Temer. Nunca a presidenta impediu ou se opôs a Temer usar os aviões para fazer toda a articulação política do impeachment, articulação que ele fez até dentro do palácio", diz o senador Humberto Costa (PT-PE).

O advogado Marco Aurélio Carvalho, do jurídico do PT, trabalha em conjunto com Cardozo para tentar reverter a decisão do Planalto de suspender qualquer vôo de Dilma pela FAB que não seja do eixo Brasília-Porto Alegre. Cardozo já informou sobre a suspensão ao Senado e ao Supremo Tribunal Federal. O caso está nas mãos do presidente do STF, Ricardo Lewandowski.

"São medidas inoportunas. Se, no limite, houver uma restrição de voos (por parte do STF) de Dilma, para Temer eles deveriam ser proibidos", afirma Marco Aurélio de Carvalho.


Evaristo Sa / AFP / Getty Images

A mais recente desavença entre Temer e Dilma, nesse quesito de suprimentos, foi a suspensão do serviço de clipping de jornais do Alvorada.

O serviço foi retomado nesta sexta (10). Mas, nessa briga, tem sobrado _ ou faltado_ até para assessores da petista. Numa das viagens a Porto Alegre, eles tiveram de pagar do bolso pela hospedagem porque o governo não fez as reservas no hotel.

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