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Lula diz que não quer morrer enquanto a Globo não lhe pedir desculpas

Em entrevista à Rádio Arapuan, de Campina Grande, o ex-presidente falou que os procuradores da Lava Jato estão "numa encalacrada" e que Michel Temer "é uma margem de erro".

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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que aguarda para os próximos dias a sentença sobre o tríplex do Guarujá, afirmou nesta quarta (6) que não morrerá enquanto não receber um pedido de desculpas da Rede Globo.

"Eu tive no último ano mais de 20 horas de Jornal Nacional me denunciando. E eu não quero morrer enquanto não vier a Globo pedir desculpa para mim", disse o petista em entrevista à Rádio Arapuan, de Campina Grande (PB).

O petista acusou os procuradores que o investigam de estarem associados à Globo para desmoralizá-lo.

"Os procuradores da Lava Jato estão numa encalacrada. Eles se comprometeram com mentiras, com a Rede Globo de Televisão, de vender mentiras todo dia. E agora eles não têm o que entregar", disse Lula.

"No meu caso, eu já provei a minha inocência. Tô querendo que eles provem a minha culpa", afirmou.

Temer na margem de erro

Nos 37 minutos da entrevista, Lula falou também sobre Michel Temer (PMDB) e as delações da JBS. Segundo ele, "tem muito delator mentindo" e é importante investigar as denúncias contra o presidente e leva-lo a julgamento, se for o caso. E voltou à carga contra a Globo: Nem o Ministério Público nem a Polícia Federal podem se subordinar a um meio de comunicação para fazer denúncia", afirmou.

"O Temer, as pesquisas demonstram que ele é uma margem de erro. Um cara que só tem 3% não tem nada", disse Lula sobre a baixa aprovação ao governo do peemedebista. O número é da pesquisa Vox Populi. Já o Datafolha calculou a aprovação de Temer em 7%, a mais baixa desde o governo Sarney (1985-1989), em 1989, durante a hiperinflação.

O petista afirmou ainda que tucanos, como o senador Aécio Neves, denunciado na delação da JBS, Temer e o PMDB "estão provando do veneno que eles produziram". "Estão colhendo tempestade porque plantaram vento. Eles plantaram ódio e eles estão colhendo isso", disse o petista.

Kassab, ingrato

Questionado sobre política de alianças, Lula aproveitou para detonar os principais partidos da base aliada do governo Dilma Rousseff, e citou nominalmente o ministro das Ciência e Tecnologia, Gilberto Kassab (PSD), mas se equivocou ao falar do ex-ministro Aguinaldo Ribeiro (PP), o chamando de Reinaldo.

"Não foi apenas PMDB que apunhalou a Dilma pelas costas", disse o petista, citando PP, PRB e Kassab: "Essas pessoas se acovardaram.''

Em tom de eventual candidato a presidente, Lula criticou ainda mais os ex-aliados. "Essas pessoas, quando você chama para participar do governo, dizem assim para você: olha, gratidão é uma coisa que a gente não esquece. A primeira coisa que eles fazem é esquecer a gratidão. E viram traidores. Porque o que eles fizeram com a Dilma foi uma falta de vergonha."

O ex-presidente ainda disse: "Caráter não está à venda em supermercado, nem em bodega nem em bar. A gente nasce com ele."

Para ele, haverá mais dificuldade na política de alianças para 2018. Ele disse "sonhar" com uma aliança de esquerda com PSB, PDT, PCdoB e "com personalidades dignas que existem em outros partidos".








Tatiana Farah é Repórter do BuzzFeed e trabalha em São Paulo. Entre em contato com ela pelo email tatiana.farah@buzzfeed.com.

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