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Excluídos da TV, Erundina e Altino fazem debate na periferia

Nova regra eleitoral só garante a vaga para o partido com mais de nove deputados federais na Câmara, o que deixou de fora dos debates da TV os candidatos do PSOL e do PSTU.

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Luiza Erundina (PSOL) não gosta de atrasos. Saiu quase duas horas mais cedo para chegar às 19h de sexta-feira em Ermelino Matarazzo, extremo da zona leste, para o debate eleitoral que ninguém televisionou. "Candidato tem de chegar na hora."

Na mesa, apenas ela e o candidato do PSTU, Altino.

Os dois estão fora do debate da Band de segunda-feira porque a nova regra eleitoral só garante a vaga para o partido com mais de nove deputados federais na Câmara.

O debate começou com quase meia hora de atraso no salão paroquial lotado da Catedral de São Miguel.

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A região tem mais de quatro milhões de pessoas e foi onde Erundina teve mais votos quando conquistou a prefeitura em 1989. "É aqui que eu me sinto em casa. É tudo nordestino como eu", diz ela ao BuzzFeed Brasil. Erundina é paraibana.

Quem comanda o debate, uma tradição em Ermelino, é Padre Ticão. Como também reza a tradição, os principais candidatos faltam e acabam na mesa apenas os que têm discurso de esquerda.

"Telefonei para o prefeito Haddad e ele me disse que já tinha um compromisso no Morro do Querosene. Mas que pode vir se for agendado previamente", explicou o ex-senador Eduardo Suplicy (PT) à plateia.

Padre Ticão balançou a cabeça: deu um minuto mais um minuto para cada um dos nove candidatos a vereador se manifestar, mas o petista, como sempre, estourou o tempo.

Na mesa, a divergência histórica entre o PSTU e a ex-petista Erundina, que segundo Altino, "saiu da prefeitura, em 93, com a direita do PT", não impediu a cumplicidade de velhos companheiros.

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Principalmente quando chega o candidato a vice do PSOL, o deputado Ivan Valente.

"Respeito por ela eu tenho muito. Pela história. O que eu não tenho é acordo com algumas propostas dela", explica Altino ao BuzzFeed Brasil. Mas, e se o adversário ali fosse João Dória (PSDB)? "Esse a gente bate com vontade", brincou.

A agenda de Erundina, 81, é comprida. Pela manhã, ela estava na USP em outro debate. Já passava de 22h e ela continuava no salão paroquial distribuindo abraços.

Mas a pressa não impede a vaidade: ela não sai de casa sem batom nem brincos. Usa anel de pérola. Adora colares. O cabelo ela não pinta mais porque decidiu "assumir os brancos".

Nunca usou um par de óculos quebrados e não desce do salto de seus sapatos vintage.

Depois do puxão de orelha público que deu em Fernando Haddad, Suplicy ficou no salão para papear com Erundina, a quem chama carinhosamente de Luiza, e Ivan Valente.

A amizade é antiga. Ele foi presidente da Câmara quando ela era prefeita, lembrou ele.


Erundina tem 10% das intenções de voto, de acordo com o último Datafolha. Está abaixo de Celso Russomanno (25%) e Marta Suplicy (16%). Pela pesquisa, que foi feita em julho, está numericamente à frente de Fernando Haddad (8%) e João Doria (6%).

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