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Estes dois senhores estão se insultando por uma conversa que tiveram há 61 anos

"Não sabe inglês", "mija em lata de lixo" e "mentiroso" são alguns dos golpes que os poetas Ferreira Gullar e Augusto de Campos trocam no Street Fighter da literatura.

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Se você fez o Enem ou prestou vestibular nas últimas décadas, provavelmente leu as obras de Ferreira Gullar e Augusto de Campos, dois dos mais importantes poetas vivos da literatura brasileira.

Eles já fizeram parte do mesmo movimento literário e chegaram a participar, juntos, como convidados especiais, do Exposição Nacional de Arte Concreta, um dos grandes eventos evento de artes de vanguarda realizado no país, que uniu artes visuais e poesia concreta.

O afastamento se deu em 1959, quando Ferreira Gullar rompeu com a poesia concreta para fundar o movimento "neoconcretista".

Agora, aos 85 anos, Ferreira Gullar e Augusto de Campos voltaram a brigar ferozmente.

A causa é uma conversa que tiveram num restaurante em junho de 1955.

O motivo da briga é o escritor Oswald de Andrade, que morreu em 1954.


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No dia 12 de junho, Ferreira Gullar escreveu um artigo dizendo que ele próprio ajudou a projetar Oswald de Andrade como poeta entre escritores e críticos nos anos 1950.

Na sua coluna no jornal "Folha de S.Paulo", Ferreira Gullar relembrou o episódio do restaurante Spaghettilândia, em junho de 1955. Na sua versão, Augusto de Campos teria criticado Oswald de Andrade por ser irresponsável.

Em tom professoral, Ferreira Gullar se disse responsável por reavivar, no Brasil, o interesse pela obra de Oswald de Andrade.

  • "Quando almocei com Augusto de Campos, na Spaghetlândia, no Rio, discordei de sua opinião sobre Oswald de Andrade. Era a opinião generalizada que o meio intelectual tinha dele, e com alguma razão. De fato, Oswald era autor de uma série de proezas que levavam as pessoas a vê-lo como um irresponsável, e até como mau-caráter".

Leia a íntegra aqui do texto de Ferreira Gullar, publicado pela "Folha de S.Paulo", no último dia 12.

O poeta Augusto de Campos ficou simplesmente furioso. Nesta quarta (15), ele chamou o cérebro de Ferreira Gullar de "formigueiro mental" e que o rival conhece pouco de poesia porque "não sabia e não sabe inglês".

Acusou o rival de viver entre "espantalhos literários". Sobrou até para membros a Academia Brasileira de Letras.

  • "Gullar diz que poesia é espanto. Espanto é o que sentimos ao ver o autor de "João Boa-Morte" coroar-se, de fardão, chapéu de plumas, colar e espada, na Academia Brasileira de Letras, onde chucha o seu chazinho bem remunerado com Sarney, FHC, Marco Maciel e até um golpista da TV Globo, entre outros espantalhos imortais da nossa literatura..."

Leia a íntegra aqui

.

E esta nem é a primeira vez que brigam assim.

Em 2011, o Street Fighter começou quando Ferreira Gullar, outra vez, espalhou a história do restaurante. Augusto de Campos caiu na provocação.

  • "O poeta Ferreira Gullar continua mais desmemoriado do que nunca."
  • "Que crédito pode merecer um sujeito tão desligado que chega a mijar na lata de lixo pensando que é o vaso sanitário?" [referia-se a uma outra crônica de Gullar em que contava episódios de distração]

Naquela vez, Gullar chamou Augusto de despeitado e mentiroso.

  • "Augusto, que nunca mija fora do penico, quis retratar-me como um sujeito ególatra e presunçoso, dono da verdade. Pergunto: alguém assim escreveria uma crônica intitulada 'Errar é comigo mesmo', confessando suas trapalhadas? Augusto jamais o faria, uma vez que, modesto como é, não erra nunca. Ele e Deus."

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