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Eles são pardos, mas pregam supremacia branca, diz delegada

Polícia interrogou suspeitos de associação criminosa num caso envolvendo ameaças contra judeus. Um tem o apelido de "Caramelo".

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A Polícia Civil interrogou nesta sexta-feira (13) três suspeitos de racismo e associação criminosa envolvidos em ameaças contra membros da comunidade judaica em São Paulo. O grupo espalhou cartazes antissemitas na rua Augusta e difundiu discurso de ódio na internet.

Os homens são suspeitos de serem neonazistas ligados a um grupo skinhead chamado Kombat RAC. RAC é a abreviatura para "rock against communism" (rock contra o comunismo).

O grupo colou cartazes ofensivos aos judeus e chegou a divulgar, na semana passada, um vídeo em que provoca um rabino com palavras ofensivas e gritos de "fora, judeus".

Cena do vídeo ofensivo aos judeus usado pela polícia para identificar suspeitos.
Reprodução

Cena do vídeo ofensivo aos judeus usado pela polícia para identificar suspeitos.

Com mandados de busca e apreensão, a polícia apreendeu facas, soco inglês, cartazes e camisetas nas casas dos suspeitos, que foram levados para a Decradi (Delegacia de Repressão aos Crimes Raciais e Delitos de Intolerância), no centro de São Paulo. Também havia material de propaganda de apologia ao ditador nazista Adolf Hitler (1889-1945).

A polícia havia pedido a prisão temporária dos suspeitos, o que foi negado pela Justiça. Com isso, eles foram liberados depois de prestar depoimento.

Tatiana Farah / BuzzFeed Brasil

Os suspeitos são Wesley André Muniz da Silva, 24, Altieres Paulo Cassemiro, 24, e um adolescente de 15 anos, que chegou à polícia acompanhado da mãe.

Outro integrante do grupo, Guilherme Jacullo Evangelista, 26, não foi localizado. Seu pai esteve na delegacia e prestou depoimento.

Os suspeitos já têm passagem pela polícia. Os mesmos homens e o adolescente tinham sido detidos na madrugada de 4 de janeiro, no metrô Anhangabaú. Eles portavam material de preconceito racial e facas e teriam participado de uma briga contra punks. Depois de prestar depoimento, foram liberados na ocasião.

Guilherme, conhecido como Caramelo, e Wesley têm cadastro desde 2011 por participar de episódios de racismo e violência, inclusive agressão contra a mulher (caso de Wesley).

Segundo a delegada Kelly Cristina de Andrade, os suspeitos detidos pregam a supremacia racial branca, embora tenham a cor da pele parda.

"Não podemos afirmar que aqui no Brasil pessoas que pregam determinadas ideologias [racistas] tenham certo perfil [racial] como no exterior, bem definido. Aqui nós já chegamos a ver nesta delegacia especializada negros que pregam a supremacia branca".

Eles foram reconhecidos como responsáveis pelas ofensas aos judeus depois que um vídeo feito por eles viralizou no WhatsApp no início deste mês.

A delegada afirmou que, nos depoimentos, eles confirmam participar do grupo de skinheads neonazistas, até porque material pró-Hitler foi encontrado em suas residências e todos os quatro podem ser identificados no vídeo.

"Eles não têm como negar (que fazem parte de grupo neonazista). Todos confirmam", disse a delegada.

A Federação Israelita e a Confederação Israelita do Brasil denunciaram o caso à Polícia Civil e à Polícia Federal, entregando imagens dos cartazes e cópias de vídeos às autoridades. As investigações começaram no final de novembro.

Alvo de ameaças e ofensas, o rabino Moré Ventura, da Sinagoga Sem Fronteiras, defendeu que os suspeitos sejam presos. "Não é possível que esses indivíduos continuem nas ruas, apesar de todas as acusações de violência. O fato de terem gravado um vídeo mostrando a cara mostra que eles confiam plenamente na impunidade", disse o rabino ao BuzzFeed Brasil.


Tatiana Farah é Repórter do BuzzFeed e trabalha em São Paulo. Entre em contato com ela pelo email tatiana.farah@buzzfeed.com.

Contact Tatiana Farah at Tatiana.Farah@buzzfeed.com.

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