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Desta vez estão protestando contra uma exposição em BH — de um artista que morreu há 18 anos

Manifestantes chamam visitantes de comunistas e reclamam que artista colocou símbolos religiosos nas obras de arte.

publicado

Morto há 18 anos, o artista plástico Pedro Moraleida acaba de virar alvo de políticos e manifestantes em Minas Gerais. Depois do cancelamento da exposição Queermuseu, em Porto Alegre, e das acusações de pedofilia contra um artista performático no MAM de São Paulo, o foco das críticas é a exposição "Faça Você Mesma a Sua Capela Sistina", no Palácio das Artes, de Belo Horizonte.

A exposição, que tem classificação etária de 18 anos, foi aberta em 1º de setembro passado, mas virou polêmica depois que um vereador local foi até o Palácio das Artes, na semana passada, para esbravejar contra as obras. Assim, começaram protestos — e também as manifestações de apoio.

Na noite desta terça (10), manifestantes chegaram à exposição gritando palavras de ordem, chamando os visitantes de comunistas e clamando pelo pré-candidato à presidência Jair Bolsonaro (PSC-RJ). Ouviram vaias e gritos de "fora, fascistas".

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A exposição de Pedro Moraleida reúne 130 de suas obras. Ele é considerado um nome de vanguarda das artes de Minas Gerais.

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Em 2002, 15 anos atrás, as obras do artista foram expostas no mesmo Palácio das Artes sem gerar nenhuma polêmica desse tipo. Moraleida suicidou-se aos 22 anos, em 1999. Seu vasto acervo é cuidado por seu pai, o jornalista Luiz Bernardes.

As obras criticadas por políticos e manifestantes são aquelas em que eles viram desrespeito a símbolos religiosos, como os painéis "Quero Essa Mulher Assim Mesmo".

"O trabalho do Pedro é intimamente ligado às questões humanas e sociais. Suas obras sempre tiveram essa coisa da interrogação. E sempre teve quem dissesse que não era arte, mas sempre teve também muita aceitação. Agora, nunca foi assim [com esse tipo de protesto]”, disse o pai do artista, lembrando que as obras de Moraleida percorreram o país em diversas exposições desde a morte dele.

A série "Cave, Cave. Deus Videt!" também sofreu críticas dos manifestantes.

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Há 130 obras de Pedro Moraleida na exposição, que vai até o dia 19 de novembro. Outros artistas também compõem a mostra, que se chama Arteminas.

Segundo Luiz Bernardes, a exposição no Palácio das Artes teve, até o final de setembro, 6.000 visitações, o que foi considerado de grande expressão. "Pedro era um crítico contundente da neutralidade da arte. Era mais visceral."

Em um de seus manifestos, Moraleida explicou sua concepção teórica do papel da arte. "Ele explicou que usava personagens bíblicos, personagens mitológicos, seres humanos em situações desconcertantes e animais como insetos para falar das características dos nossos tempos", disse o pai de Pedro Moraleida.


Tatiana Farah é Repórter do BuzzFeed e trabalha em São Paulo. Entre em contato com ela pelo email tatiana.farah@buzzfeed.com.

Contact Tatiana Farah at Tatiana.Farah@buzzfeed.com.

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