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Delegado da PF acusou Procuradoria de vazar dado de investigação sobre Bendine a jornalistas

Delegado Filipe Pace disse ao juiz Sergio Moro que o MPF vazou informação sobre abertura de inquérito de ex-presidente do BB e Petrobras, pondo em risco a investigação. Procuradores não vão responder sobre a reclamação.

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Divulgação

A Polícia Federal (PF) acusou o Ministério Público Federal (MPF) de vazar para jornalistas a informação sobre inquérito contra o ex-presidente da Petrobras e do Banco do Brasil Aldemir Bendine, preso ontem (27) em sua casa, em Sorocaba (SP).

Em ofício enviado para o juiz federal Sergio Moro, o delegado Filipe Pace afirmou que ficou sabendo da instauração de novo inquérito pela imprensa.

Filipe Pace é o chefe das investigações da Lava Jato na Polícia Federal. "Cumpre ressaltar que esta autoridade policial soube da existência da requisição ministerial por veículos de comunicação, ou seja, antes mesmo da referida determinação ser formalmente encaminhada para instauração", escreveu o delegado.

Para Pace, a divulgação prejudica a atuação da PF: "Tal fato, por si só, já esgota a eficácia plena da pretendida investigação", escreveu. O Ministério Público ainda não se manifestou no processo quanto à reclamação. Procurada via assessoria de imprensa, a força-tarefa não emitiu comentários sobre o caso.

O delegado afirmou no documento a Moro que já existia um inquérito sobre Bendine, instaurado em 9 de junho pelo próprio juiz, e que não seria necessário instaurar um novo procedimento.

Em decisão divulgada no processo, Moro concordou em manter toda a investigação no inquérito anterior. O juiz, no entanto, não se manifestou sobre as outras reclamações do delegado.

Bendine foi preso ontem por suspeita de receber propina de R$ 3 milhões da Odebrecht para defender interesses da construtora na Petrobras. Ele foi nomeado pela ex-presidente Dilma Rousseff para assumir a estatal em 2015, quando a Lava Jato já estava em curso.

O delegado reclama também que o MPF tem feito uso de um mecanismo que chama de procedimento investigatório criminal (PIC), "instrumento
que, muito embora não previsto em qualquer lei ordinária, tem sido utilizado para persecuções penais".

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Tatiana Farah é Repórter do BuzzFeed e trabalha em São Paulo. Entre em contato com ela pelo email tatiana.farah@buzzfeed.com.

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