back to top

Conheça a Grupa, as torcedoras que combatem o machismo no Atlético Mineiro

Não é um grupo. É uma Grupa!

publicado

A paixão pelo Atlético Mineiro reuniu mulheres para acompanhar as partidas e, dentro e fora do estádio, combater o discurso e as práticas machistas no futebol mineiro.

Não é um grupo, mas a Grupa, como o coletivo das torcedoras do Galo se intitula.

Uma das brigas que elas compraram é a envolvendo a condenação por estupro do jogador Robinho. Elas cobram uma posição da direção do clube que vá além do protocolar "trata-se de questão pessoal do jogador."

Quanto mais haters atraem na internet, mais crescem na vida real.

Arquivo pessoal

O "grupinho" havia enfurecido os torcedores mais machistas porque se levantou contra o clube, em fevereiro de 2016, quando foi lançado o uniforme daquele ano. Um grupo de meninas fez um manifestou que repercutiu pelo país todo.

“Era só a camisa e biquíni. Nas camisas tinha umas etiquetas dizendo assim, se você não pode lavar, dê para para a sua esposa, para a sua mulher, para a sua mãe”, conta Nina Rocha, 25 anos, escolhida pela Grupa para falar em nome do coletivo.

Arquivo pessoal

A Grupa começou com 20 mulheres; hoje, são 98, com idades entre 18 e 47 anos. Elas se comunicam por redes sociais e assistem aos jogos juntas. Encontram-se dentro e fora dos estádios.

A luta mais recente é a cobrança para que o clube se posicione no caso de Robinho, condenado na Itália em primeira instância por um estupro que ocorrido em 2013, em Milão. O jogador nega as acusações e recorre contra a condenação a nove anos de prisão.

"A gente queria uma postura do clube. Não dá para separar o jogador da pessoa, o cunho pessoal da esfera pública. Não é uma acusação leviana. Ele foi condenado", afirma Nina.

"A gente não pode ignorar isso só porque envolve um ídolo, um homem bem-sucedido. O silêncio do clube é absurdo. Em qualquer outra esfera de trabalho não seria assim. Diante de uma condenação, aconteceria alguma coisa", diz.

"No início do ano teve outro caso, de um jogador que agrediu a esposa e o clube também não se manifestou. A postura foi a mesma: não vamos entrar em questões pessoais. Assédio, violência doméstica, estupro não são questões pessoais", afirma.

Arquivo pessoal

Apesar da postura, não foram as "migas" (como elas chamam umas às outras) da Grupa que estenderam faixas diante do Atlético cobrando o clube e pedindo a saída de Robinho atacante. Mas foi o suficiente para que elas enfrentassem uma onda de haters na internet.

Por meio de sua assessoria de imprensa, o clube afirmou ao BuzzFeed News que não comenta sobre assunto particular de jogador e que o caso ainda está em fase de recurso.

Com faixas em frente à sede do Atlético-MG, grupo de torcedoras do clube pede a saída de Robinho… https://t.co/Xmzpkz4Q2b

"Algumas das meninas já chegaram a fazer boletim de ocorrência por causa de algumas ameaças. Quando alguém se sente mais ameaçada, esta é a recomendação do grupo", diz Nina.

Assédio no estádio

Nina relata que sempre acontece algum tipo de cantada ou algo desagradável quando vão ao estádio. Assédio mesmo, ela afirma.

"A gente começou como uma forma de protesto e acabou como um grupo de apoio. Juntas, nos sentimos mais seguras, mais confortáveis", conta.

"Antes, eu ia muito pouco ao estádio. Era receio de depender da companhia de parentes e amigos", relembra. "Agora vou sozinha."

Tatiana Farah é Repórter do BuzzFeed e trabalha em São Paulo. Entre em contato com ela pelo email tatiana.farah@buzzfeed.com.

Contact Tatiana Farah at Tatiana.Farah@buzzfeed.com.

Got a confidential tip? Submit it here.