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Os ingredientes bizarros que estão nos embutidos de carne e você não sabia

Pele depilada de porco e até carne de cavalo velho são usados na produção de alimentos... Spoiler: é tudo perfeitamente legal.

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A deflagração da operação Carne Fraca, pela Polícia Federal, trouxe à tona um esquema de corrupção entre frigoríficos e fiscais do Ministério da Agricultura.

Por causa do jeito que a operação foi divulgada, há questionamento sobre a qualidade dos alimentos que chegam às mesas dos consumidores.

Estes são alguns ingredientes bizarros (e perfeitamente legais) que são usados nos embutidos de carne.

Cabeça de porco

Os frigoríficos retiram as orelhas e o focinho do porco para vender em separado. Descartam glândulas, cérebro e olhos e usam a carne que sobra da cabeça.

É considerada uma carne de qualidade inferior.

Bochecha

É a carne próxima das mandíbulas do animal. A bochecha sempre foi um alimento considerado inferior e que fazia parte da dieta de regiões muito pobres, como o Alentejo (Portugal), onde nenhum desperdício era admitido. Hoje, contudo, a bochecha já foi promovida a iguaria em restaurantes sofisticados.

Estômago

O estômago e as vísceras dos animais são usados na confecção de salsichas. Já o pâncreas é descartado...

Língua

A língua dos animais pode ser usada até mesmo quando tem cicatrizes, desde que não tenham comprometido a carne.

Pele depilada de porco

Para a pelo do porco ser utilizada na produção de alimentos, ela tem de ser depilada.

Essas carnes de qualidade inferior só podem ser usadas em determinada porcentagem da produção dos embutidos.

Elas não podem ser superior a 10% da composição do alimento. “Quando você pede uma salsicha ou linguiça por tipos como calabresa, toscana, viena e frankfurt essa concentração cai para 5%”, explica o diretor técnico da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

Maisena

Os fabricantes usam amido, como o amido de milho da Maisena, para encorpar as salsichas e outros embutidos.

Ossos de frango

Chamada de CMS, a carne mecanicamente separada é a carcaça de frango moída, que vira uma pasta. Essa cota entra nos 10% de carnes de menor qualidade que podem compor o produto. A carne mecanicamente separada tem vida útil menor que os cortes de carne comuns. Segundo Karen Signori, do Departamento de Engenharia de Alimentos da Escola de Química da UFRJ, você pode perceber que uma salsicha tem muita CMS quando sente uma textura meio arenosa.

Muitos produtos químicos

Produtos químicos podem ser adicionados aos alimentos, desde que em quantidades adequadas, determinadas pelo Ministério da Agricultura.

Nitrito e Nitrato: São conservantes e diminuem a probabilidade de botulismo, que pode levar o consumidor à morte. O nitrito dá a cor rosada às salsichas.

Ácido sórbico: É o sorbato de sódio ou de potássio. É um conservante em sal, com efeitos antimicrobianos. Combate até o mofo.

Ácido ascórbico: É a conhecida vitamina C, usada nos alimentos como antioxidante. Ajuda a não deixar que a gordura fique rançosa.

Lactato: É um conservante não só das carnes. É presente, por exemplo, em iogurtes.

Estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) de 2015 apontou que o consumo excessivo de embutidos, assim como de carne vermelha, aumenta o risco de câncer. Segundo Karen Signori, os conservantes têm a função de evitar a proliferação de bactérias, como a do botulismo. “O (produto) químico não está ali à toa. Se usado nas proporções indicadas tornam o alimento seguro. O ácido sórbico, por exemplo, está presente em algumas frutas”, disse ela.

Carne de cavalo velho (mas só pra exportação)

O país tem pelo menos três frigoríficos de abate de cavalo, segundo a ABPA. Um deles está sob investigação da Polícia Federal. Mas não há criação de equinos só para esse fim.

Os cavalos utilizados são aqueles que não dão conta mais de fazer serviços nas fazendas porque estão velhos ou tiveram ossos quebrados.

Cavalos de corrida não podem ser abatidos para se tornar alimentos pelo risco de excesso de hormônios.

A carne de cavalo não fica no mercado brasileiro. É exportada para países da Europa e o Japão, entre outros.

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Tatiana Farah é Repórter do BuzzFeed e trabalha em São Paulo. Entre em contato com ela pelo email tatiana.farah@buzzfeed.com.

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